Com o método de plantar água, ele refloresta uma propriedade antes desmatada, traz riachos de volta, fortalece nascentes e vira referência em agricultura sustentável para agricultores, empresas e governos.
Secas intensas seguem quebrando safras em várias regiões, mas um suíço chamado Ernesto mostra, na prática, que dá para plantar água ao recuperar nascentes e reerguer a vegetação ao redor de riachos.
A história começa quando ele chega à Bahia nos anos 1980 e encontra uma fazenda grande, com a maior parte desmatada, solo esgotado e riachos praticamente desaparecidos depois de anos de criação e cultivo convencional. Em pouco tempo, o cenário muda completamente.
Como nasceu a ideia de plantar água na Bahia
Ernesto diz que buscava terras para avançar pesquisas iniciadas na Suíça e fez questão de escolher uma área empobrecida, considerada imprópria para o cultivo de cacau.
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A meta era provar que dava para reverter um ambiente degradado com outra lógica de agricultura.
O ponto de partida foi simples e decisivo: antes de pensar em produção, era preciso trazer a água de volta.
A partir dessa visão, ele passa a repetir uma frase que vira marca do trabalho dele: a água se planta. E é assim que o conceito de plantar água ganha forma na rotina da fazenda.
Reflorestamento, raízes no solo e nascentes voltando à vida
Um dos primeiros desafios, segundo o relato, foi recuperar os riachos. Ele faz isso reflorestando o entorno e abrindo espaços para a vegetação se recompor. As raízes protegem o solo da erosão e permitem que a água da chuva volte a infiltrar e alimentar os cursos d’água.
É nesse processo que o método de plantar água se revela: não se trata de “criar” água do nada, mas de restaurar o ciclo natural para que a chuva, o solo e a floresta trabalhem juntos.
A fazenda muda de cara e vira reserva, com produção em pequena área
Na propriedade, a transformação chama atenção porque a maior parte vira reserva ambiental privada e apenas uma área pequena, citada como 5 hectares, gera receita.
É nesse espaço que ele cultiva em meio a grande variedade de frutas, legumes e árvores altas, incluindo cacau exportado para Portugal.
Com tanta oferta de alimentos, a família quase não precisa ir ao supermercado. E as construções da fazenda são feitas com madeira tirada dali. O método de plantar água, aqui, aparece como base para a autonomia.
“Aumenta chuva” e o papel das árvores no clima local
Ernesto afirma que, com o amadurecimento da floresta, a quantidade de chuvas na fazenda aumenta em 70%.
A explicação apresentada é a transpiração das árvores, que leva água para a atmosfera, intensifica a formação de nuvens e reforça a circulação de umidade.
Ele também diz que o reflorestamento influencia áreas a até 8 km a oeste da fazenda. Para ele, quanto mais plantas no local, mais água é “bombeada” para a atmosfera, reforçando o princípio de plantar água como estratégia de regeneração.
Agrofloresta produtiva: imitar a natureza para produzir mais e melhor
A conclusão dele é direta: os sistemas agrícolas deveriam imitar os ecossistemas originais. Na prática, isso significa respeitar as condições naturais de cada planta, como luz, sombra e convivência entre espécies.
Ele cita que cafezeiro e cacaueiro são oriundos de florestas tropicais e, em sistemas agroflorestais, ficam à sombra de árvores mais altas, o que ajuda a produzir melhor.
Em vez de monocultura, a agrofloresta organiza a produção em “andares”, com copas e plantas sobrepostas, otimizando espaço e relações entre espécies. O objetivo não é brigar com o ambiente, é trabalhar com ele.
De cursos no Brasil a referência procurada por governos e empresas
A transformação na fazenda chama atenção de governos, agricultores e empresas, que passam a contratar Ernesto para consultorias.
Ele começa a rodar o Brasil dando cursos e, segundo o relato, dá aulas desde 1989, a convite do então ministro da reforma agrária no governo José Sarney.
Depois, ele trabalha com outras instituições, ONGs e cooperativas, e também leciona em países como Espanha, Portugal e Alemanha.
Na Bolívia, compartilha técnicas com uma organização citada como difusora de sistemas agroflorestais no mundo.
Ele estima que mais de 10 mil pessoas já tenham passado por suas aulas, reforçando a força do conceito de plantar água fora da fazenda.
O que ele diz sobre futuro e legado do plantar água
Hoje, Ernesto afirma que está focado em repassar o que considera significativo para as futuras gerações. Na fazenda, ele constrói alojamentos para receber alunos, chamados de estagiários, muitos vindos de grandes cidades e com pouca prática agrícola.
Ele também menciona planos de ajudar a implantar agrofloresta sem necessidade de irrigação e relata conversas com o governo da Arábia Saudita para reflorestar áreas desérticas, ainda que as tratativas avancem lentamente.
Você acredita que plantar água pode virar prática comum no campo, ou ainda vai ser visto como algo “difícil demais” para a maioria dos agricultores?


Fantástica a ideia de trabalhar em conjunto com a natureza e pode- se dizer até mais lucrativa.
Gostaria de fazer este curso
Em qual cidade da Bahia está sendo aplicado este curso
Temos os ensinamentos da natureza, somente seguir e ajudar na manutenção dessa área desmatada, fazendo seguir o curso da própria natureza. DEUS é muito bommmmmm.