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‘Suíça Mineira’ no Brasil esconde montanhas acima de 2.000 metros, nasceu do sonho de um imigrante europeu e virou um dos destinos mais cobiçados do inverno brasileiro

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/07/2026 às 18:28 Atualizado em 13/07/2026 às 20:18
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Entre montanhas da Serra da Mantiqueira, Monte Verde reúne influência europeia, clima frio, trilhas, gastronomia e uma história de imigração que transformou uma antiga propriedade rural em um dos destinos turísticos mais procurados de Minas Gerais durante a temporada de inverno.

Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul de Minas Gerais, combina clima de serra, influência europeia, gastronomia voltada aos dias frios e paisagens naturais que ajudaram a transformar uma antiga propriedade rural em conhecido destino turístico da Serra da Mantiqueira.

Localizada a aproximadamente 1.550 metros de altitude, a vila preserva referências dos imigrantes que participaram de sua formação, enquanto oferece trilhas, parques, comércio, pousadas e restaurantes procurados principalmente por visitantes interessados em natureza, tranquilidade e temperaturas mais baixas.

História de Monte Verde e a chegada de Verner Grinberg

A trajetória que deu origem ao distrito está ligada a Verner Grinberg, imigrante letão que chegou ao Brasil em 1913, quando tinha apenas três anos, acompanhado da família, que buscava melhores condições de vida longe do norte da Europa.

Antes de conhecer a região mineira, os Grinberg passaram por Pariquera-Açu, São José dos Campos, Campos do Jordão e municípios do oeste paulista, trabalhando principalmente com madeira em localidades que cresciam com o avanço das ferrovias e da ocupação urbana.

Mais tarde, Verner ouviu relatos sobre os chamados Campos do Jaguari, área montanhosa onde nascem cursos d’água da região, e decidiu viajar até o local com o pai, completando parte do percurso a cavalo porque ainda não havia estradas próximas.

Ao conhecer a fazenda cercada por araucárias, campos naturais, pastagens e córregos de água fria, ele percorreu a propriedade, subiu o Pico do Selado e tentou encontrar moradores interessados em negociar uma parte das terras disponíveis naquela área isolada.

A primeira compra ocorreu por volta de 1938, depois que um proprietário ofereceu cinco alqueires ao imigrante, levando as partes até Camanducaia para formalizar a escritura de uma área que posteriormente seria incorporada ao núcleo urbano de Monte Verde.

Nos anos seguintes, Verner adquiriu outras propriedades, abriu caminhos, instalou estruturas básicas e organizou o parcelamento dos terrenos, até se mudar definitivamente para a região em 1952 e vender o primeiro lote urbano em julho de 1954.

Origem do nome Monte Verde e influência europeia

O nome Monte Verde surgiu de uma associação com o sobrenome Grinberg, que em alemão remete à união das palavras “verde” e “monte”, escolha feita por Verner e pela esposa, Emília, para identificar a vila que começava a se formar.

Outros imigrantes chegaram posteriormente, vindos de países como Hungria, Suíça, Alemanha, Rússia e Itália, levando costumes, técnicas artesanais e referências arquitetônicas que passaram a conviver com tradições brasileiras e com características culturais do interior mineiro.

Entre essas influências está a pintura Bauernmalerei, também conhecida como Bauer, técnica decorativa de origem europeia reconhecida como patrimônio imaterial de Camanducaia, além das construções inspiradas em estilos alpinos que marcaram parte da paisagem urbana local.

Esse encontro entre imigração, ambiente serrano e desenvolvimento turístico explica a aparência particular da avenida principal, onde fachadas, lojas, restaurantes e pousadas reforçam a identidade europeia criada ao longo das décadas, sem eliminar as referências mineiras presentes no distrito.

Trilhas, parques e atrações de Monte Verde

Embora o centro concentre boa parte do movimento, o turismo local também está ligado às montanhas, florestas e cachoeiras da Mantiqueira, cenário utilizado para caminhadas, cavalgadas, passeios de bicicleta, atividades de aventura e visitas a espaços naturais nos arredores.

Entre as atrações divulgadas pelo portal turístico municipal estão a Trilha da Pedra Redonda, parques, passeios a cavalo, tirolesa, patinação no gelo e experiências de falcoaria, além de lojas de artesanato e estabelecimentos dedicados a produtos regionais.

A programação pode combinar uma caminhada durante o dia com um passeio pelo comércio no fim da tarde, permitindo que o visitante distribua as atividades entre pontos naturais, espaços de lazer e a área urbana onde se concentra a maior oferta de serviços.

Gastronomia de Monte Verde e clima de inverno

Nos restaurantes, as influências mineiras e europeias aparecem lado a lado, com opções como fondue, truta, queijos, chocolates e preparações tradicionais, combinação que ganhou espaço à medida que o frio se tornou parte importante da identidade turística da vila.

Pousadas e hotéis também exploram essa relação com o clima serrano por meio de chalés, lareiras e ambientes voltados à hospedagem de casais e famílias, especialmente durante os períodos em que as temperaturas diminuem e aumenta a procura pelo destino.

Crescimento turístico e infraestrutura na Serra da Mantiqueira

A transformação da antiga fazenda ocorreu gradualmente, com abertura de ruas, instalação de energia, captação de água, construção de casas, criação de escola e ampliação de serviços que permitiram a fixação de moradores e a recepção de visitantes.

Verner também participou da abertura e da manutenção dos primeiros acessos, quando a viagem exigia longos deslocamentos e enfrentava trechos de terra, atoleiros e trilhas percorridas a cavalo antes de existir uma ligação rodoviária mais estruturada com Camanducaia.

Atualmente, Monte Verde permanece administrativamente ligada ao município de Camanducaia, e o acesso final envolve cerca de 30 quilômetros de subida desde a sede municipal, em uma estrada sinuosa que atravessa a serra antes de alcançar o distrito.

O próprio crescimento turístico trouxe novas demandas de infraestrutura, preservação ambiental e organização dos espaços públicos, já que a atividade depende tanto da paisagem quanto da capacidade de receber visitantes sem descaracterizar os elementos históricos e naturais locais.

Entre a história dos imigrantes, o frio da Mantiqueira, as trilhas e a cozinha de influência europeia, qual aspecto de Monte Verde mais despertaria sua vontade de conhecer pessoalmente esse distrito mineiro?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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