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Startup do MIT aposta em geotermia superquente no Oregon e constrói a primeira usina do tipo no mundo, mirando rochas acima de 300°C para gerar 50 MW até 2030 e expandir o projeto para 250 MW com poucos poços

Escrito por Carla Teles
Publicado em 26/04/2026 às 18:15
Atualizado em 26/04/2026 às 18:28
Startup do MIT aposta em geotermia superquente no Oregon e constrói a primeira usina do tipo no mundo, mirando rochas acima de 300°C para gerar 50 MW até 2030 e expandir
Geotermia no Oregon avança com Projeto Obsidian, usina que busca energia firme em rochas superaquecidas.
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A geotermia entra em uma nova fase com o Projeto Obsidian, que já está em construção no Oregon e tenta provar que rochas superaquecidas acima de 300°C podem sustentar geração contínua de eletricidade limpa, renovável e em escala relevante usando apenas alguns poços

A geotermia superquente está no centro da aposta da Quaise Energy para construir, no Oregon, a primeira usina do mundo baseada nesse tipo de recurso. A empresa informou que a primeira fase do Projeto Obsidian já está em construção e que a entrada em operação está prevista para 2030, com meta inicial de pelo menos 50 megawatts de eletricidade limpa e renovável.

O projeto chama atenção porque tenta transformar uma promessa de longa data em um ativo real de geração. Segundo a análise apresentada pela empresa no Workshop de Energia Geotérmica de Stanford de 2026, essa produção inicial poderá ser obtida com apenas alguns poços, em um sistema pensado para operar 24 horas por dia, 7 dias por semana, e depois avançar para uma segunda fase de 250 MW no mesmo local.

Geotermia superquente é a base de uma aposta que quer mudar a escala da energia firme

A proposta da Quaise gira em torno da geotermia extraída de rochas com temperaturas superiores a 300 graus Celsius. Esse patamar é tratado pela empresa como um divisor de águas, porque temperaturas subterrâneas mais elevadas aumentam de forma substancial a produção de energia por sistema.

A conclusão central da análise apresentada por Daniel W. Dichter, engenheiro mecânico sênior da Quaise, é direta: a empresa pode atingir 50 MW com esse arranjo. Segundo ele, se os primeiros poços funcionarem como esperado, eles poderão ficar no mesmo nível de poços de petróleo e gás excepcionalmente produtivos em termos de energia equivalente.

O que torna o Projeto Obsidian diferente das usinas geotérmicas tradicionais

O Projeto Obsidian foi concebido como o primeiro do tipo e, por isso, também funciona como uma plataforma de aprendizado. A empresa admite que ainda existem incógnitas importantes, como a geoquímica da rocha que será explorada e o comportamento do fluido geotérmico em profundidade.

Mesmo assim, a análise de modelagem e simulação apresentada em Stanford reforçou a visão da companhia de que a geotermia superquente pode gerar muito mais eletricidade a partir de poucos poços. A partir desse resultado, o projeto passa a ser tratado não apenas como experimento, mas como uma tentativa concreta de abrir uma nova frente para a geração firme e livre de carbono.

Os números que explicam o tamanho da aposta no Oregon

A primeira fase do Projeto Obsidian mira 50 MW de capacidade. As expansões seguintes no mesmo local têm meta de 250 MW. O objetivo mais amplo da Quaise é ainda maior: construir, na região, uma usina com capacidade de um gigawatt.

A estrutura inicial ocupará uma área de 20 acres. Nessa fase, o projeto será formado por dois sistemas distintos de poços geotérmicos, cada um composto por três poços. Além deles, haverá um sétimo poço, chamado de poço de confirmação, que será o primeiro a entrar em operação ainda neste ano.

Como a geotermia do Projeto Obsidian vai funcionar na prática

Geotermia no Oregon avança com Projeto Obsidian, usina que busca energia firme em rochas superaquecidas.

Cada sistema de poços terá uma função bem definida. A água será bombeada por um dos poços até a rocha quente. Depois de atravessar a formação aquecida, a água quente será captada por dois poços laterais. Esse arranjo é o que sustentará a conversão do calor subterrâneo em geração elétrica.

A própria dimensão física do projeto reforça uma das vantagens destacadas pela empresa. Os tubos que transportam água para e da formação superquente têm diâmetro interno máximo de cerca de dez polegadas, o que ajuda a manter a ocupação do terreno em um nível reduzido.

Por que a empresa vai atacar duas faixas de temperatura diferentes

A primeira fase do projeto trabalhará com dois sistemas separados para reduzir risco técnico e ampliar o aprendizado. Um deles buscará rochas com temperaturas de até 365 graus Celsius, com média de 315 graus Celsius. O outro tentará alcançar rochas com temperaturas de até 415 graus Celsius, com média de 365 graus Celsius.

Segundo Dichter, o sistema voltado à média de 315 graus Celsius está no limite do que é possível alcançar hoje e, por isso, apresenta risco técnico menor. A ideia é usar o que for aprendido nessa etapa para avançar depois para o sistema de temperatura mais alta, que é mais arriscado.

A perfuração híbrida é a peça central para alcançar rochas mais quentes

A maior reserva de energia geotérmica, de acordo com o material da empresa, está entre 3 e 19 quilômetros abaixo da superfície. O problema é que as ferramentas convencionais usadas pela indústria de petróleo e gás não suportam bem as temperaturas e pressões extremas encontradas nessas profundidades, o que faz o custo da perfuração crescer de forma exponencial.

Para enfrentar essa barreira, a Quaise aposta em uma abordagem híbrida. Primeiro, a perfuração convencional remove a rocha mais próxima da superfície, etapa para a qual ela já foi otimizada. Depois, entram as ondas milimétricas, descritas pela empresa como semelhantes às micro-ondas usadas para cozinhar, capazes de derreter e vaporizar rochas do embasamento em profundidade.

O Projeto Obsidian é só o começo de um plano muito maior

A Quaise organiza sua estratégia em três níveis de desenvolvimento, baseados nos gradientes geotérmicos e na distância entre o recurso e a superfície. O Projeto Obsidian é classificado como uma área de Nível I, onde temperaturas extremamente altas podem ser acessadas a cerca de cinco quilômetros de profundidade.

Nos projetos de Nível II, a meta será alcançar rochas em gradientes geotérmicos intermediários, categoria que cobre quase 40% do planeta. Já os projetos de Nível III envolverão perfurações de até 19 quilômetros de profundidade, e a empresa afirma que esse estágio é a chave para transformar a geotermia superquente em uma fonte realmente global de energia.

O que a empresa ainda precisa descobrir antes de escalar a usina

Apesar do avanço, o Projeto Obsidian ainda precisa responder perguntas decisivas. Entre elas estão o conteúdo de calor do fluido geotérmico em profundidade, as impurezas presentes na água proveniente da rocha superquente, o melhor desenho da usina e até se o que sairá dos tubos será água ou vapor.

A empresa afirma que os dados obtidos deverão levar a muitos ajustes no projeto. A leitura interna é clara: ainda não há todas as respostas, mas já existe potencial suficiente para justificar o caminho até um ativo de geração de energia considerado muito útil.

Por que a pequena ocupação do terreno também pesa a favor da geotermia

Um dos argumentos mais fortes do projeto é a relação entre capacidade de geração e área ocupada. Segundo a base apresentada, sistemas geotérmicos usam menos de 3% da área necessária para instalações semelhantes de energia solar e eólica, com base em dados da Universidade do Texas em Austin.

Isso ajuda a explicar por que a geotermia é vista como uma fonte estratégica para geração firme. No caso do Projeto Obsidian, dois sistemas de poços e a infraestrutura inicial ocupam uma área relativamente compacta, o que reforça o apelo do modelo para expansão futura.

O potencial global por trás da rocha superquente

A aposta da Quaise não está restrita ao Oregon. Um relatório de 2025 da Clean Air Task Force citado na base afirma que, se for desenvolvida com sucesso, a rocha superquente poderia fornecer 63 terawatts de energia firme e livre de carbono usando apenas 1% dos recursos mundiais desse tipo, volume superior a oito vezes a geração global de eletricidade atual.

Hoje, rochas nessas temperaturas só podem ser acessadas em poucos lugares, como a Islândia, onde estão mais próximas da superfície. Ainda assim, segundo a base, nenhuma usina desse tipo está em operação até agora. É justamente essa lacuna que o Projeto Obsidian tenta preencher.

As próximas etapas até a entrada em operação em 2030

O passo mais imediato é a entrada em operação do poço de confirmação ainda este ano. Ele será crucial para fornecer informações físicas e geomecânicas da rocha superaquecida e orientar decisões sobre como a equipe vai fraturar a formação em profundidade para criar caminhos para o fluxo de água.

A partir daí, a empresa pretende usar os aprendizados obtidos para consolidar a primeira fase da usina, validar a produção de 50 MW e preparar o terreno para as expansões seguintes. Se o cronograma avançar como previsto, o Oregon poderá abrigar em 2030 a primeira usina do mundo baseada em geotermia superquente.

Na sua visão, a geotermia superquente tem chance real de virar uma fonte global de energia firme e limpa ou esse tipo de projeto ainda vai enfrentar barreiras grandes demais para sair da promessa?

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Carla Teles

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