Tecnologia de energia sem fio para cozinhas avança com padrão Ki, promete bancadas mais limpas e permite que pequenos eletrodomésticos compatíveis funcionem por indução, desde que estejam posicionados sobre áreas transmissoras instaladas sob a superfície.
A proposta de energia sem fio para cozinhas avança com a promessa de alimentar pequenos eletrodomésticos diretamente pela bancada, sem cabos aparentes e sem conexão física com tomadas durante o uso cotidiano.
Desenvolvido pelo Wireless Power Consortium, o sistema Ki Cordless Kitchen usa transmissão indutiva e foi projetado para entregar até 2.200 watts a cooktops e aparelhos compatíveis.
Na prática, liquidificadores, chaleiras e outros equipamentos de bancada recebem energia quando são posicionados sobre uma área transmissora instalada sob a superfície ou integrada a um cooktop preparado para a tecnologia.
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Segundo o consórcio, a proposta combina conveniência, segurança e interoperabilidade para eletrodomésticos compatíveis com o padrão Ki, criando uma base técnica comum para fabricantes que desejam adotar o sistema.
Como funciona a energia sem fio na cozinha
O funcionamento depende de um transmissor instalado sob a bancada ou incorporado a um cooktop compatível, capaz de gerar o campo magnético necessário para alimentar os aparelhos certificados.
Assim que o equipamento é colocado na posição correta, a energia passa do transmissor para um receptor instalado na base do eletrodoméstico, sem a necessidade de cabo ligado à tomada.
Embora lembre o carregamento sem fio usado em celulares, a aplicação na cozinha exige potência maior e foi pensada para acionar funções como motor e aquecimento em aparelhos próprios para esse uso.
Nesse modelo, a energia não serve apenas para recarregar uma bateria, mas para manter o funcionamento direto do equipamento enquanto ele permanece dentro da área compatível com o transmissor.
De acordo com o Wireless Power Consortium, os transmissores podem ficar escondidos sob bancadas ou mesas, o que ajuda a liberar espaço e reduz a presença de fios atravessando a área de preparo.
Com essa configuração, a entidade afirma que o sistema busca tornar a cozinha visualmente mais limpa, sem depender de cabos individuais ligados a cada aparelho usado sobre a bancada.
Desligamento automático e mais segurança na bancada

Entre os recursos mais relevantes do padrão está o controle automático do fornecimento de energia, criado para interromper o funcionamento quando o aparelho deixa a área transmissora.
O consórcio informa que o equipamento opera enquanto está sobre o transmissor e desliga imediatamente ao ser retirado dessa área, evitando que continue funcionando fora da zona correta.
Essa característica tende a reduzir riscos comuns em bancadas com muitos aparelhos ligados ao mesmo tempo, principalmente quando há cabos soltos próximos de água, alimentos ou áreas de circulação.
Mesmo com esse ganho de praticidade, a segurança depende da certificação dos produtos e do uso correto indicado pelos fabricantes, já que apenas equipamentos compatíveis podem operar nesse sistema.
Por isso, a promessa de uma bancada sem tomadas aparentes não significa que qualquer eletrodoméstico atual passará a funcionar sem fio apenas por estar sobre a superfície.
Para receber energia por indução, cada aparelho precisa ter uma base compatível com o padrão Ki e reconhecer o transmissor instalado no móvel, na bancada ou no cooktop.
Protótipos da Midea indicam avanço da tecnologia
A Midea apresentou protótipos de eletrodomésticos compatíveis com o padrão Ki durante a CES 2023, realizada entre 5 e 8 de janeiro daquele ano, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
No espaço do Wireless Power Consortium, a empresa informou que exibiria modelos como liquidificador e chaleira elétrica, preparados para funcionar em uma cozinha baseada em transmissão indutiva.
Segundo a companhia, os equipamentos foram demonstrados em uma cozinha emergente com transmissores especiais ocultos sob cooktops de indução de vidro e superfícies não metálicas de bancada.
Por meio dessa estrutura, a alimentação ocorre por transferência indutiva, sem cabos conectados aos aparelhos durante o uso e sem alterar a proposta de uma área de preparo mais livre.
Na ocasião, Kurt Jovais, presidente da Midea America Corp., afirmou que a empresa buscava oferecer soluções conectadas com utilidade no cotidiano dos consumidores.
Também durante a apresentação, Paul Golden, diretor de marketing do Wireless Power Consortium, disse que o padrão Ki elimina a desordem dos cabos em pequenos eletrodomésticos e contribui para cozinhas mais seguras e elegantes.
Mercado ainda depende de produtos certificados

Embora a tecnologia já tenha padrão definido e demonstrações públicas, sua chegada ampla às residências depende de uma cadeia maior de fabricantes, móveis compatíveis, cooktops adaptados e produtos certificados.
O próprio consórcio informa que membros podem submeter produtos a testes de certificação antes do lançamento comercial, etapa necessária para garantir compatibilidade e funcionamento seguro dentro do padrão.
Esse ponto é decisivo porque a proposta só funciona como ecossistema, com bancada, transmissor e aparelho preparados para reconhecer a mesma tecnologia e operar de forma coordenada.
Para garantir compatibilidade, controle de potência e segurança, os componentes precisam se comunicar entre si, em dinâmica semelhante à adotada pelo padrão Qi em celulares e acessórios de carregamento sem fio.
A potência máxima anunciada, de até 2.200 watts, indica que a tecnologia mira aparelhos de bancada com demanda energética relevante, incluindo equipamentos que dependem de motor ou aquecimento.
Ainda assim, categorias como liquidificadores, cafeteiras, chaleiras, batedeiras e fritadeiras sem óleo dependerão de modelos específicos, desenvolvidos e lançados por fabricantes interessados em adotar o padrão Ki.
Padrão Ki e adoção nas cozinhas
O prazo de dois anos citado como possibilidade de popularização deve ser tratado com cautela, porque não há confirmação segura nas fontes consultadas de que a tecnologia se tornará padrão nas casas nesse período.
Essa previsão aparece atribuída a um executivo do setor de design, mas não foi localizada em fonte pública confiável usada para esta apuração, o que exige uma redação mais cuidadosa.
Mesmo sem essa confirmação, o avanço do Ki mostra que a cozinha sem fios deixou de ser apenas conceito visual e passou a integrar uma tentativa de padronização técnica.
A adoção em massa, porém, dependerá de preço, disponibilidade, certificação e interesse das fabricantes em produzir eletrodomésticos preparados para receber energia por indução.

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