O navio Star Norge, primeiro cargueiro sustentável da norueguesa G2 Ocean, atracou no Porto de Paranaguá no dia 13 de maio de 2026 com 14.200 toneladas de celulose para o Brasil.
Segundo reportagem do Portos & Navios, foi a viagem inaugural da embarcação no Brasil.
Por isso, a operação marca a entrada do primeiro graneleiro preparado para combustíveis alternativos em rota regular do Paraná com origem norueguesa.
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O navio tem 225 metros de comprimento e capacidade total de até 82.000 toneladas. A embarcação foi construída em março de 2026 em estaleiro chinês.
Conforme a Organização Marítima Internacional, o setor naval global precisa cortar emissões em 40% até 2030.
Conforme a G2 Ocean, é o primeiro de uma série de quatro navios sustentáveis encomendados pela armadora norueguesa para operações nas Américas.
Karsten Eikeland: o CEO norueguês da G2 Ocean por trás da operação
A G2 Ocean é uma joint venture entre as norueguesas Gearbulk e Grieg Star, fundada em 2017 em Bergen.
O comando ficou com o CEO Karsten Eikeland, executivo norueguês com 23 anos de experiência em logística marítima.
Conforme a G2 Ocean, a armadora opera 130 navios pelo mundo e movimenta 25 milhões de toneladas de carga seca por ano.
A embarcação integra um programa de transição energética de US$ 1,8 bilhão da empresa para frota global.
Além disso, a meta da armadora é reduzir emissões de gases poluentes em 40% até 2030, segundo metas da Organização Marítima Internacional (IMO).
Por que o navio usa motor flex preparado para metanol e amônia
A embarcação foi entregue pelo estaleiro chinês Yangzijiang Shipbuilding em março de 2026.
Conforme a G2 Ocean, o motor principal é um MAN B&W 7G50ME-C9.7, com 9.110 kW de potência.
Por isso, o sistema propulsivo é flex e aceita três combustíveis: bunker tradicional, metanol verde e amônia, este último ainda em fase de homologação.
Conforme a Organização Marítima Internacional, o setor naval global responde por 3% das emissões mundiais de CO2 e precisa zerar emissões líquidas até 2050.
Além disso, o cargueiro consume 25% menos combustível por tonelada transportada que graneleiros convencionais da mesma faixa de capacidade.

Suzano e Klabin: as exportadoras de celulose paranaense que dependem do Porto
O Porto de Paranaguá movimentou 60,2 milhões de toneladas em 2025, segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
Conforme a Appa, celulose e papel representam 18% da movimentação do porto.
Por isso, gigantes da celulose como Suzano e Klabin operam em Paranaguá com terminais dedicados de exportação para Europa, Ásia e América do Norte.
O cargueiro norueguês entrou em Paranaguá pelo Cais Comercial. A escala teve duração de 36 horas, com transbordo de 14.200 toneladas de celulose vindas da Eldorado Brasil em Três Lagoas-MS.
A próxima escala do navio está prevista para o Porto de Santos, onde recebe carga adicional de açúcar e farelo de soja antes de zarpar para a Ásia.
Karsten Eikeland avalia ampliar rota Brasil-Noruega para 8 navios em 2027
A G2 Ocean avalia ampliar a operação para 8 navios em rota regular Brasil-Ásia até 2027.
Segundo Karsten Eikeland, a decisão depende do desempenho dos primeiros 4 navios da série sustentável.
Conforme a armadora, o navio sustentável tem irmãos gêmeos que entram em operação em 2026 e 2027: Star Sweden, Star Denmark e Star Finland.
Os quatro navios juntos vão movimentar 1,8 milhão de toneladas de carga anualmente em rotas Sul-América-Norte.
Além disso, os portos brasileiros que serão beneficiados são Paranaguá, Santos, Suape, Itaqui e Rio Grande, segundo planejamento operacional da G2 Ocean.

O presidente da Appa Luiz Teixeira projeta salto de 60 para 75 milhões de toneladas até 2030
A Appa projeta crescimento de 25% na movimentação do Porto de Paranaguá até 2030, atingindo 75 milhões de toneladas.
O plano de expansão prevê dragagem de aprofundamento de 11,5 para 13 metros no canal de acesso.
Conforme a Appa, o investimento total previsto é de R$ 2,4 bilhões em obras de infraestrutura até 2030.
Por isso, o porto poderá receber navios maiores como capesizes de até 200.000 toneladas em substituição aos panamax atuais de 80.000 toneladas.
O cargueiro antecipa esse movimento ao ser desenhado para combustíveis alternativos exigidos pelas regulações da União Europeia a partir de 2027.
Como o Star Norge se compara aos maiores graneleiros do mundo
O graneleiro entra na categoria handysize, faixa de cargueiros com até 60.000 toneladas de capacidade.
Conforme a BIMCO (Conselho Marítimo Internacional do Báltico), os panamax têm 60.000-80.000 toneladas, kamsarmax 80.000-85.000, capesize 100.000-180.000 e VLOC (Very Large Ore Carriers) acima de 200.000.
- Star Norge (Noruega): 225 m, 82.000 t capacidade, motor flex, comissionado 2026
- Vale Brasil (Brasil): 360 m, 400.000 t, classe Valemax, comissionado 2011
- Pioneer Wave (Japão): 289 m, 180.000 t, capesize, comissionado 2024
- Berge Stahl (Noruega): 343 m, 364.000 t, classe Valemax-precursor, comissionado 1986
- HHIC Pioneer (Coreia do Sul): 285 m, 180.000 t, capesize, comissionado 2023
Conforme a IMO, os 50.000 navios cargueiros do mundo precisam migrar para motores flex em 60% da frota até 2030 para cumprir metas de descarbonização.
Para comparação com outras inovações navais brasileiras, ver a cobertura do parque solar Tengeh em Cingapura e o data center orbital da SpaceX e Google.
Star Sweden, Star Denmark e Star Finland: as irmãs do Star Norge chegam até 2027
O cronograma da G2 Ocean prevê três navios irmãos do navio sustentável até o final de 2027.
O Star Sweden tem entrega prevista para outubro de 2026 e iniciará operações na rota Brasil-Coreia do Sul.
O Star Denmark chega em março de 2027 para operar entre Argentina, Brasil e China.
O Star Finland fecha a série em outubro de 2027 com rota Brasil-Índia, segundo a G2 Ocean.

O o graneleiro sustentável confirma a entrada do Brasil no mapa das rotas de transição energética marítima.
Porém, para portos brasileiros como Paranaguá, Santos e Suape, a chegada de graneleiros flex exige adequações nas instalações de bunker e supervisão da segurança operacional com combustíveis alternativos.
No entanto, segundo a Antaq, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários planeja publicar normas específicas para metanol e amônia ainda em 2026.
Conforme dados oficiais da Antaq, os portos brasileiros movimentaram 1,5 bilhão de toneladas em 2025, com Santos liderando isolado em 161 milhões e Paranaguá em segundo lugar.
A movimentação total nos portos brasileiros cresceu 5,3% em 2025, segundo balanço da agência.
Por isso, o setor de logística marítima nacional totalizou faturamento de R$ 89 bilhões em 2025 e gerou 320 mil empregos diretos em terminais portuários.
Além disso, o transporte aquaviário responde por 95% das exportações brasileiras em peso, mas só 4% por via fluvial interna.
Segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos, o governo federal investirá R$ 28 bilhões em modernização portuária entre 2026 e 2030 para destravar gargalos logísticos em Suape, Itaqui, Santos, Paranaguá e Manaus.

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