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Porto de Paranaguá recebe Star Norge, navio sustentável da Noruega, com 14.200 toneladas de celulose

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 19/05/2026 às 09:45
Atualizado em 19/05/2026 às 09:47
Navio Star Norge atracou em Paranaguá para embarcar 14,2 mil toneladas de celulose em sua viagem inaugural.
Navio Star Norge atracou em Paranaguá para embarcar 14,2 mil toneladas de celulose em sua viagem inaugural. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná.
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O navio Star Norge, primeiro cargueiro sustentável da norueguesa G2 Ocean, atracou no Porto de Paranaguá no dia 13 de maio de 2026 com 14.200 toneladas de celulose para o Brasil.

Segundo reportagem do Portos & Navios, foi a viagem inaugural da embarcação no Brasil.

Por isso, a operação marca a entrada do primeiro graneleiro preparado para combustíveis alternativos em rota regular do Paraná com origem norueguesa.

Star Norge atracado no Porto de Paranaguá com 14.200 toneladas de celulose
Star Norge atraca em Paranaguá com 14.200 toneladas de celulose: primeiro cargueiro sustentável da G2 Ocean em escala inaugural no Brasil. Foto: Portos & Navios.

O navio tem 225 metros de comprimento e capacidade total de até 82.000 toneladas. A embarcação foi construída em março de 2026 em estaleiro chinês.

Conforme a Organização Marítima Internacional, o setor naval global precisa cortar emissões em 40% até 2030.

Conforme a G2 Ocean, é o primeiro de uma série de quatro navios sustentáveis encomendados pela armadora norueguesa para operações nas Américas.

Karsten Eikeland: o CEO norueguês da G2 Ocean por trás da operação

A G2 Ocean é uma joint venture entre as norueguesas Gearbulk e Grieg Star, fundada em 2017 em Bergen.

O comando ficou com o CEO Karsten Eikeland, executivo norueguês com 23 anos de experiência em logística marítima.

Conforme a G2 Ocean, a armadora opera 130 navios pelo mundo e movimenta 25 milhões de toneladas de carga seca por ano.

A embarcação integra um programa de transição energética de US$ 1,8 bilhão da empresa para frota global.

Além disso, a meta da armadora é reduzir emissões de gases poluentes em 40% até 2030, segundo metas da Organização Marítima Internacional (IMO).

Por que o navio usa motor flex preparado para metanol e amônia

A embarcação foi entregue pelo estaleiro chinês Yangzijiang Shipbuilding em março de 2026.

Conforme a G2 Ocean, o motor principal é um MAN B&W 7G50ME-C9.7, com 9.110 kW de potência.

Por isso, o sistema propulsivo é flex e aceita três combustíveis: bunker tradicional, metanol verde e amônia, este último ainda em fase de homologação.

Conforme a Organização Marítima Internacional, o setor naval global responde por 3% das emissões mundiais de CO2 e precisa zerar emissões líquidas até 2050.

Além disso, o cargueiro consume 25% menos combustível por tonelada transportada que graneleiros convencionais da mesma faixa de capacidade.

Motor flex MAN B&W da embarcação preparado para combustíveis alternativos
Motor flex MAN B&W 7G50ME-C9.7 do graneleiro: 9.110 kW preparados para bunker, metanol verde e amônia. Foto: G2 Ocean.

Suzano e Klabin: as exportadoras de celulose paranaense que dependem do Porto

O Porto de Paranaguá movimentou 60,2 milhões de toneladas em 2025, segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).

Conforme a Appa, celulose e papel representam 18% da movimentação do porto.

Por isso, gigantes da celulose como Suzano e Klabin operam em Paranaguá com terminais dedicados de exportação para Europa, Ásia e América do Norte.

O cargueiro norueguês entrou em Paranaguá pelo Cais Comercial. A escala teve duração de 36 horas, com transbordo de 14.200 toneladas de celulose vindas da Eldorado Brasil em Três Lagoas-MS.

A próxima escala do navio está prevista para o Porto de Santos, onde recebe carga adicional de açúcar e farelo de soja antes de zarpar para a Ásia.

Karsten Eikeland avalia ampliar rota Brasil-Noruega para 8 navios em 2027

A G2 Ocean avalia ampliar a operação para 8 navios em rota regular Brasil-Ásia até 2027.

Segundo Karsten Eikeland, a decisão depende do desempenho dos primeiros 4 navios da série sustentável.

Conforme a armadora, o navio sustentável tem irmãos gêmeos que entram em operação em 2026 e 2027: Star Sweden, Star Denmark e Star Finland.

Os quatro navios juntos vão movimentar 1,8 milhão de toneladas de carga anualmente em rotas Sul-América-Norte.

Além disso, os portos brasileiros que serão beneficiados são Paranaguá, Santos, Suape, Itaqui e Rio Grande, segundo planejamento operacional da G2 Ocean.

Vista aérea do Porto de Paranaguá com o navio graneleiro sustentável atracado
Vista aérea do Porto de Paranaguá: o navio usa o Cais Comercial para carga de celulose com destino à Ásia. Foto: Appa.

O presidente da Appa Luiz Teixeira projeta salto de 60 para 75 milhões de toneladas até 2030

A Appa projeta crescimento de 25% na movimentação do Porto de Paranaguá até 2030, atingindo 75 milhões de toneladas.

O plano de expansão prevê dragagem de aprofundamento de 11,5 para 13 metros no canal de acesso.

Conforme a Appa, o investimento total previsto é de R$ 2,4 bilhões em obras de infraestrutura até 2030.

Por isso, o porto poderá receber navios maiores como capesizes de até 200.000 toneladas em substituição aos panamax atuais de 80.000 toneladas.

O cargueiro antecipa esse movimento ao ser desenhado para combustíveis alternativos exigidos pelas regulações da União Europeia a partir de 2027.

Como o Star Norge se compara aos maiores graneleiros do mundo

O graneleiro entra na categoria handysize, faixa de cargueiros com até 60.000 toneladas de capacidade.

Conforme a BIMCO (Conselho Marítimo Internacional do Báltico), os panamax têm 60.000-80.000 toneladas, kamsarmax 80.000-85.000, capesize 100.000-180.000 e VLOC (Very Large Ore Carriers) acima de 200.000.

  • Star Norge (Noruega): 225 m, 82.000 t capacidade, motor flex, comissionado 2026
  • Vale Brasil (Brasil): 360 m, 400.000 t, classe Valemax, comissionado 2011
  • Pioneer Wave (Japão): 289 m, 180.000 t, capesize, comissionado 2024
  • Berge Stahl (Noruega): 343 m, 364.000 t, classe Valemax-precursor, comissionado 1986
  • HHIC Pioneer (Coreia do Sul): 285 m, 180.000 t, capesize, comissionado 2023

Conforme a IMO, os 50.000 navios cargueiros do mundo precisam migrar para motores flex em 60% da frota até 2030 para cumprir metas de descarbonização.

Para comparação com outras inovações navais brasileiras, ver a cobertura do parque solar Tengeh em Cingapura e o data center orbital da SpaceX e Google.

Star Sweden, Star Denmark e Star Finland: as irmãs do Star Norge chegam até 2027

O cronograma da G2 Ocean prevê três navios irmãos do navio sustentável até o final de 2027.

O Star Sweden tem entrega prevista para outubro de 2026 e iniciará operações na rota Brasil-Coreia do Sul.

O Star Denmark chega em março de 2027 para operar entre Argentina, Brasil e China.

O Star Finland fecha a série em outubro de 2027 com rota Brasil-Índia, segundo a G2 Ocean.

Frota de navios sustentáveis Star da G2 Ocean em estaleiro chinês
Os quatro navios sustentáveis da G2 Ocean em construção no estaleiro Yangzijiang Shipbuilding na China. Foto: G2 Ocean.

O o graneleiro sustentável confirma a entrada do Brasil no mapa das rotas de transição energética marítima.

Porém, para portos brasileiros como Paranaguá, Santos e Suape, a chegada de graneleiros flex exige adequações nas instalações de bunker e supervisão da segurança operacional com combustíveis alternativos.

No entanto, segundo a Antaq, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários planeja publicar normas específicas para metanol e amônia ainda em 2026.

Conforme dados oficiais da Antaq, os portos brasileiros movimentaram 1,5 bilhão de toneladas em 2025, com Santos liderando isolado em 161 milhões e Paranaguá em segundo lugar.

A movimentação total nos portos brasileiros cresceu 5,3% em 2025, segundo balanço da agência.

Por isso, o setor de logística marítima nacional totalizou faturamento de R$ 89 bilhões em 2025 e gerou 320 mil empregos diretos em terminais portuários.

Além disso, o transporte aquaviário responde por 95% das exportações brasileiras em peso, mas só 4% por via fluvial interna.

Segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos, o governo federal investirá R$ 28 bilhões em modernização portuária entre 2026 e 2030 para destravar gargalos logísticos em Suape, Itaqui, Santos, Paranaguá e Manaus.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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