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O mesmo tipo de motor a jato que fazia as bombas V-1 da Segunda Guerra voarem agora aparece embaixo de uma moto feita na garagem, com empuxo de até cerca de 45 quilos, que o dono afirma passar dos 110 quilômetros por hora

Publicado em 10/06/2026 às 01:18
Atualizado em 10/06/2026 às 01:20
Assista o vídeomoto de garagem usa um pulsojato, o motor da bomba V-1 da Segunda Guerra; entenda a façanha popularizada por Robert Maddox e os riscos. imagem ilustrativa
moto de garagem usa um pulsojato, o motor da bomba V-1 da Segunda Guerra; entenda a façanha popularizada por Robert Maddox e os riscos. imagem ilustrativa
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O motor é um pulsojato, primo do que equipava o V-1, e o dono o montou em casa para mover a moto. Mas a velocidade é só uma estimativa dele, e esse tipo de motor é tão barulhento, quente e poluente que não pode rodar na rua.

Uma moto montada na garagem ganhou um motor pra lá de inusitado, o mesmo tipo que fazia as bombas voadoras V-1 cruzarem o céu na Segunda Guerra Mundial. Conhecido como pulsojato, esse motor a jato sem partes móveis foi adaptado por um construtor amador para empurrar uma moto leve, em um projeto que ele mesmo filmou e dividiu em etapas. A ideia de pôr um motor de bomba de guerra embaixo de uma bicicleta motorizada não é nova e foi popularizada pelo americano Robert Maddox.

O conjunto da moto usa dois pulsojatos, cada um com cerca de 45 libras de empuxo, que somados podem chegar perto de 100 libras, o equivalente a cerca de 45 quilos de força. O motor é alimentado por diesel, com propano para a partida, e o dono estima que a moto possa passar de 110 quilômetros por hora, embora seja apenas um palpite, e não uma medição. Há, porém, um detalhe que o próprio autor faz questão de avisar, já que ele modifica um tanque de propano sob pressão e diz, ele mesmo, que isso é perigoso e não deve ser copiado.

A moto a jato que nasceu na garagem

Robert Maddox
Robert Maddox

A estrela do projeto é uma moto pensada para ser leve e rápida, montada sobre uma estrutura de tubos de aço de alta resistência. Segundo o relato do Robert Maddox, a montagem rende dois veículos em um, porque basta trocar um eixo para transformar o triciclo de três rodas em uma moto de duas, em cerca de 20 minutos. O motor escolhido é o pulsojato, que o autor descreve como pouco mais do que um conjunto de tubos ocos, sem nada por dentro.

moto montada na garagem
moto montada na garagem

O abastecimento combina diesel para o funcionamento e propano para dar a partida, acionado por um botão e um solenoide. O Robert Maddox compara a nova moto ao seu carrinho maior, dizendo que ela pesa cerca de um quarto do peso e tem cerca de um terço a menos de potência. Ele evita, no material, ensinar o passo a passo da parte mais arriscada e chega a alertar que mexer em um tanque de propano pressurizado é perigoso.

O motor que veio das bombas V-1

moto montada na garagem
moto montada na garagem

O pulsojato é um tipo de motor a jato em que a combustão acontece em pulsos, com poucas ou nenhuma peça móvel. Sua fama vem da Segunda Guerra Mundial, quando o modelo Argus As 014 equipou a bomba voadora alemã V-1, usada contra Londres em 1944. Foi o primeiro pulsojato fabricado em massa, com mais de 30 mil unidades, e ficou conhecido pelo zumbido característico que rendeu à arma o apelido de bomba zumbido.

Existe, porém, uma diferença técnica importante entre o motor do V-1 e o da moto. O motor do V-1 tinha válvulas, pequenas comportas que abriam e fechavam dezenas de vezes por segundo, enquanto o da garagem é do tipo sem válvulas, que funciona apenas pela forma dos tubos. São, portanto, da mesma família, mas com projetos diferentes, e vale lembrar que mísseis modernos não usam mais esse tipo de motor, preferindo turbinas ou foguetes.

Quanta força tem e o que significam as libras de empuxo

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O número que mais impressiona, o empuxo, costuma ser mal interpretado, e vale esclarecer. Empuxo é a força que o motor empurra para trás, medida em libras de força ou em quilos de força, e não a massa que ele seria capaz de carregar. Assim, cada pulsojato da moto gera cerca de 45 libras, perto de 20 quilos de força, e os dois juntos chegam a algo em torno de 100 libras, cerca de 45 quilos de força.

Para efeito de comparação, Robert Maddox chega a construir pulsojatos de até 1.000 libras de empuxo, os maiores do mundo. A velocidade de 110 quilômetros por hora citada para a moto é uma estimativa do dono, não um dado medido, e bicicletas a jato documentadas já passaram de 97 quilômetros por hora em testes. Ou seja, o potencial existe, mas o número exato fica no campo da promessa.

Barulho, calor e por que não pode andar na rua

Por mais divertida que pareça, a moto a jato é uma máquina genuinamente perigosa. O pulsojato é ensurdecedor, com mais de 130 decibéis, nível comparável ao de um avião decolando, a ponto de Robert Maddox ter rompido um tímpano ao ligar um motor e passar a usar protetores auriculares. Além do som, os tubos ficam incandescentes, e o escapamento atinge temperaturas altíssimas.

Esse conjunto de características explica por que veículos assim não podem circular nas ruas. O motor é muito ineficiente, gasta a maior parte do combustível em barulho, tem autonomia inferior a um quilômetro por tanque e libera gases sujos, o que esbarra em regras de ruído e de emissões. Por isso, essas máquinas costumam rodar apenas em leitos de lagos secos, com capacete, e funcionam mais como atração do que como transporte de verdade.

De atração de feira a fenômeno da internet

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A figura por trás da popularização dessas máquinas é Robert Maddox, apelidado de “Crazy Rocketman”. Morador de Phoenix, no Oregon, e adepto dos leitos de lagos secos de Cedarville, na Califórnia, ele constrói veículos a pulsojato desde os anos 1990, de bicicletas e karts a carros e até skates. Maddox já apareceu em programas de televisão de engenharia e mecânica e acumulou centenas de milhares de seguidores com vídeos de suas máquinas.

O fascínio é puro espetáculo, feito de fogo, velocidade e um estrondo que para qualquer plateia. Maddox vende kits a partir de cerca de US$ 1.000, perto de R$ 5,4 mil, e modelos prontos já foram negociados por mais de US$ 25 mil, algo como R$ 135 mil. No fim, a moto a jato é menos um meio de transporte e mais uma peça de engenharia da Segunda Guerra transformada em adrenalina de garagem.

A moto movida a pulsojato mostra como uma tecnologia criada para a guerra pode reaparecer, décadas depois, embaixo de um veículo de garagem. Entre a admiração pela engenharia caseira e o susto com os riscos, fica claro que se trata de uma máquina de exibição, barulhenta e perigosa, e não de um transporte para o dia a dia. O mérito está na criatividade, desde que acompanhada de muito cuidado e da noção exata do perigo envolvido.

E você, acha essas máquinas a jato uma genialidade ou uma loucura perigosa demais? Conte sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões sobre o tema.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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