O canadense Ryan Donais, de Toronto, constrói casas móveis acopladas a bicicletas para tirar moradores em situação de rua do frio. Criou uma organização sem fins lucrativos chamada Tiny Tiny Homes, Cada unidade tem cama, água corrente, eletricidade, aquecimento e itens de segurança, custa cerca de R$ 65 mil e pode circular pelas ciclovias da cidade.
Inconformado em ver pessoas dormindo nas ruas inverno após inverno, o canadense Ryan Donais, morador de Toronto, decidiu agir com as próprias mãos. Ele passou a construir pequenas casas móveis acopladas a bicicletas para oferecer abrigo a moradores em situação de rua e protegê-los do frio.
Cada uma das casas móveis funciona como um pequeno lar sobre rodas: tem cama, água corrente, eletricidade e aquecimento, além de detector de fumaça, detector de monóxido de carbono e extintor de incêndio. Ryan Donais começou a erguer os abrigos em 2024 e já construiu três unidades, financiadas em parte por uma vaquinha virtual.
Por que Ryan Donais começou a construir casas móveis

A motivação nasceu de um incômodo pessoal. Ryan Donais conta que não suportava a ideia de estar bem enquanto via tanta gente exposta nas ruas, ano após ano, sem que nada mudasse. Com mais de 15 anos de experiência na construção civil, ele resolveu transformar essa inquietação em ação concreta e desenhar um abrigo que tirasse essas pessoas do relento.
-
R$ 5 mil espalhados pela rua, uma carteira perdida e uma decisão honesta: o caso em Goiás que emocionou até quem Só leu a história
-
ET no Paraná? Após vídeos intrigantes, sons misteriosos na mata e teorias que dominaram as redes sociais, FAB revela o que seus radares registraram e aumenta o mistério sobre suposto OVNI visto em Campo Largo
-
Na Coreia do Norte, moradores levam garrafas, plástico, tecido, papel e metal para lojas de reciclagem e trocam lixo por produtos enquanto sanções, fronteiras fechadas e queda de mais de 80% no comércio com a China pressionam o país a substituir importações
-
Radar de velocidade instalado em vilarejo escondido nas Dolomitas vira protagonista de uma arrecadação milionária e coloca pequenas cidades italianas no centro de uma polêmica nacional
A causa também tem um lado íntimo. Em entrevistas, ele já relatou que um irmão enfrenta o vício e vive em um acampamento de rua, o que tornou o problema ainda mais próximo.
Para ele, “tendas são para acampar, não para morar”, e ninguém deveria passar o inverno ao relento em Toronto. Pagou o primeiro modelo do próprio bolso e, depois, recorreu a uma vaquinha on-line, que arrecadou dezenas de milhares de dólares para comprar material.
Como são as casas móveis acopladas a bicicletas

O diferencial do projeto está na mobilidade. As casas móveis são acopladas a bicicletas, o que permite que uma única pessoa as desloque quando necessário.
Cada unidade é isolada termicamente, à prova de tempo e de água, e usa painéis de fibra de vidro e cantoneiras de alumínio no lugar do compensado de madeira. Por dentro, há cama, pia com água corrente, eletricidade movida a energia solar e aquecimento, além de itens de segurança como detectores de fumaça e de monóxido de carbono e extintor de incêndio.
O custo de cada abrigo gira em torno de US$ 10 mil, cerca de R$ 65 mil, e o primeiro protótipo levou aproximadamente 80 horas para ficar pronto.
Um detalhe importante: Ryan Donais projetou as unidades seguindo os regulamentos de e-bike de Ontário, província onde fica Toronto, para que as casas móveis possam circular legalmente pelas ciclovias caso precisem ser movidas. Assim, o morador não fica preso a um único ponto da cidade.
A inspiração em Khaleel Seivwright e o medo da remoção
A ideia não surgiu do nada. Ryan Donais se inspirou no carpinteiro Khaleel Seivwright, que durante a pandemia de Covid-19 construiu mais de cem abrigos de madeira para moradores em situação de rua em Toronto, até que a prefeitura os removeu alegando risco de incêndio.
Donais chegou a conversar com Seivwright e identificou pontos que poderiam ser melhorados, tornando os abrigos mais seguros e confortáveis.
Foi justamente para evitar o mesmo destino que ele apostou na mobilidade e nos equipamentos de segurança. Como as casas móveis são acopladas a bicicletas e podem ser deslocadas, a expectativa é reduzir o atrito com as autoridades.
Procurada, a cidade afirmou estar ciente das unidades e analisando a situação, mas, até agora, segundo Donais, não houve problemas.
Um alívio temporário, não a solução definitiva
É importante deixar claro o limite da iniciativa. As casas móveis não foram pensadas para ser moradia permanente, mas para oferecer proteção imediata a quem está na rua.
“Moradia é a resposta”, costuma dizer Ryan Donais, que registrou a organização sem fins lucrativos Tiny Tiny Homes para conseguir construir mais unidades e ampliar o alcance do projeto.
Na prática, o impacto já aparece. Terra Sawler, que vive em uma das unidades há mais de um mês, conta que, depois de queimar duas barracas tentando se aquecer, encontrou um lugar mais seguro e voltou a dormir bem, algo raro para quem passa as noites na rua.
Ainda assim, vale o equilíbrio: trata-se de uma resposta individual e emergencial diante de uma crise habitacional ampla, que envolve políticas públicas, e não de uma solução estrutural para os moradores em situação de rua.
Casas móveis sobre bicicletas, com cama, aquecimento e água corrente, mostram como uma boa ideia pode oferecer dignidade a quem mais precisa, mesmo que de forma temporária.
Conte nos comentários se você acha que iniciativas como a de Ryan Donais deveriam ser apoiadas pelas cidades ou se o caminho é cobrar moradia definitiva do poder público.


Seja o primeiro a reagir!