A façanha aconteceu em outubro de 2018, em New Hope, na Pensilvânia, executada pela Wolfe House & Building Movers para abrir espaço a um hotel de luxo. Fechado desde 2006 por causa de enchentes, o casarão de pedra foi preservado em vez de demolido e hoje funciona como espaço histórico.
Tirar do lugar um casarão de pedra de quase 240 anos, com 387 toneladas, e movimentar o prédio inteiro por uma rodovia parece impossível, mas foi exatamente o que aconteceu em New Hope, nos Estados Unidos. Em outubro de 2018, o histórico prédio que abrigou o restaurante Chez Odette’s, erguido por volta de 1784, foi levantado de sua fundação e transportado cerca de 300 metros, intacto, até um novo terreno. A operação atravessou um canal e uma rodovia estadual fechada para o trânsito e durou menos de quatro horas.
O trabalho foi executado pela Wolfe House & Building Movers, empresa da Pensilvânia especializada em mudar construções inteiras de lugar. O casarão precisou sair do caminho de um empreendimento, o hotel de luxo Riverhouse at Odette’s, inaugurado no início de 2020, e ganhou nova função como espaço histórico aberto ao público. Fechado desde 2006 por causa de enchentes do rio Delaware, o imóvel foi preservado em vez de demolido, uma escolha cada vez mais comum em casos de preservação histórica.
A mudança do casarão Chez Odette’s

O casarão de pedra ficava à beira do rio Delaware, no número 274 da River Road, em New Hope, na Pensilvânia. Construído por volta de 1784 como uma taverna, o imóvel virou o famoso restaurante Chez Odette’s, que fechou em 2006 após sucessivas enchentes. Quando a área foi destinada a um novo empreendimento, a desenvolvedora Gateway to New Hope LLC decidiu preservar a estrutura, e os próprios responsáveis reconheceram que a demolição seria “uma perda para a comunidade”.
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No dia 24 de outubro de 2018, o casarão deslizou cerca de 300 metros sobre 15 carrinhos hidráulicos controlados a distância, conduzidos pela Wolfe House & Building Movers, atravessando o canal Delaware até um novo terreno. Para isso, a rodovia estadual 32 foi totalmente fechada das 9h às 15h, com desvios de trânsito, uma barreira de segurança de cerca de 60 metros e até interrupção de energia e telefone para alguns vizinhos. Diante de centenas de espectadores, a mudança foi concluída em menos de quatro horas, e o prédio passou a funcionar como espaço histórico sobre o parque estadual do canal Delaware.
Como se levanta e se move um casarão inteiro
Mover um casarão começa muito antes de ele sair do lugar, com escavação ao redor de toda a construção. A equipe abre furos na fundação e encaixa uma estrutura de vigas de aço sob o prédio, calçada com cunhas de madeira e argamassa para criar uma base firme de apoio. Em seguida, um sistema unificado de macacos hidráulicos levanta a construção da fundação antiga, de forma lenta e nivelada para não trincar as paredes.
Com o casarão suspenso, entram os carrinhos motorizados que funcionam como um reboque autopropelido. Esses carrinhos, controlados a distância, conduzem o prédio até o novo local, onde ele é assentado sobre uma fundação nova. A responsável pela mudança, a Wolfe House & Building Movers, de Bernville, atua há cerca de cinco décadas, e suas equipes pertencem a um grupo religioso, os Irmãos Batistas Alemães, muitas vezes confundido com os amish. Foi a mesma empresa que, em 2008, moveu em Manhattan a casa de Alexander Hamilton, erguida cerca de 11 metros no ar.
Por que mover, em vez de demolir
Existem motivos práticos para mover um casarão inteiro em vez de derrubar o prédio. Os mais comuns são a preservação histórica, quando um prédio antigo precisa dar lugar a um novo empreendimento, o afastamento de casas de vias muito movimentadas e a proteção contra enchentes, levantando o imóvel para que a água passe por baixo sem destruir o espaço habitável. No caso do Chez Odette’s, a mudança uniu a preservação histórica ao avanço de um novo projeto imobiliário.
A prática de mover construções é antiga e hoje conta com tecnologia que a tornou quase rotineira. Empresas do setor atuam por todos os Estados Unidos e em outros países, e há registros de mudanças impressionantes, como a do prédio mais pesado já transportado sobre rodas, com cerca de 2.600 toneladas. Faróis inteiros, como o de Cape Hatteras, foram realocados em 1999 para escapar da erosão da costa.
Os limites e os custos por trás da façanha
Apesar do efeito impressionante, mudar um casarão de lugar não é mágica nem solução para todos os casos. O processo é caro, exige meses de planejamento e uma coordenação pesada com polícia, concessionárias de energia, empresas de telefonia, podadores de árvores e órgãos que liberam o fechamento de ruas. A própria mudança do Chez Odette’s interrompeu serviços de energia e telefone de alguns moradores e fechou uma rodovia estadual por horas.
Em muitos casos, reconstruir sai mais barato do que transportar, e há ainda um debate na área de preservação histórica. Para parte dos especialistas, tirar um prédio do seu local de origem faz perder o vínculo com o contexto histórico em que ele foi construído, o que torna a mudança uma medida a ser usada com critério. Ou seja, por trás da façanha existem custos, riscos e escolhas que nem sempre aparecem nas imagens espetaculares.
Quando a casa viaja com tudo dentro
Um detalhe que surpreende é que o casarão costuma viajar com quase tudo dentro. Em mudanças residenciais, os móveis em geral permanecem nos cômodos, porque o deslocamento é tão lento e firme que dispensa esvaziar a casa. Objetos frágeis e valiosos, como um relógio antigo de parede ou peças de vidro em prateleiras, podem ser retirados por precaução, mas isso raramente é necessário.
Para as empresas do ramo, o maior valor está em oferecer uma saída para um problema que parece não ter solução. Muita gente sequer imagina que um prédio possa ser levantado e levado a outro endereço, o que torna cada mudança uma mistura de engenharia, paciência e logística. No fim, o casarão chega ao novo terreno pronto para uma segunda vida, sem perder a memória que carrega.
A viagem do casarão Chez Odette’s mostra que, com planejamento e tecnologia, mover um prédio histórico inteiro deixou de ser exceção. Entre o desejo de preservar o passado e a pressão por novos empreendimentos, levantar e transportar uma construção virou uma alternativa concreta à demolição, ainda que cara e cheia de etapas. Resta saber, em cada caso, se vale mais a pena mover, reconstruir ou simplesmente deixar a história onde ela sempre esteve.
E você, acha que vale a pena gastar tanto para mover um casarão antigo, ou seria melhor reconstruir ou preservar no local original? Comente sua opinião, com respeito às diferentes visões sobre o tema.


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