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Um tanque brasileiro quase virou estrela no Oriente Médio, superou provas duríssimas contra blindados lendários e desapareceu do mercado quando a Engesa mais precisava vencer

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 10/06/2026 às 00:30
Atualizado em 10/06/2026 às 00:33
Assista o vídeoProtótipo do tanque brasileiro EE-T1 Osório exibido em área aberta, destacando o blindado desenvolvido pela Engesa que competiu contra tanques ocidentais em testes militares realizados na Arábia Saudita.
Protótipo do EE-T1 Osório, blindado criado pela Engesa que chamou atenção em testes internacionais e quase garantiu um contrato bilionário com a Arábia Saudita.
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Desenvolvido pela Engesa durante os anos finais da Guerra Fria, o EE-T1 Osório impressionou em testes militares realizados na Arábia Saudita, superou concorrentes ocidentais em diversas avaliações técnicas e chegou a ser apontado como favorito em uma disputa bilionária que acabou vencida pelo tanque americano M1 Abrams.

No início dos anos 1980, em plena reta final da Guerra Fria, a Arábia Saudita buscava modernizar sua frota militar com um novo tanque de batalha principal. Para isso, abriu uma concorrência internacional que atraiu fabricantes de diferentes países.

Nesse cenário, uma empresa brasileira entrou em uma disputa dominada por potências tradicionais do setor. A Engesa, conhecida por veículos blindados, apresentou o EE-T1 Osório, um tanque desenvolvido praticamente do zero para competir no mercado internacional.

O projeto chamou atenção porque colocou o Brasil lado a lado com modelos ocidentais de grande peso, como o M1 Abrams americano, o Challenger 1 britânico e o AMX-40 francês. Além disso, o desempenho do blindado brasileiro em testes sauditas alimentou a expectativa de um contrato bilionário.

EE-T1 Osório colocou a Engesa em uma disputa dominada por potências militares

A Engesa já tinha experiência no desenvolvimento de veículos militares, mas ainda não havia entrado no segmento de tanques de batalha principais. Por isso, o EE-T1 Osório representou uma aposta ousada e também um salto tecnológico para a indústria brasileira de defesa.

O blindado tinha porte semelhante ao de tanques como o Leopard europeu e o M1 Abrams americano. Em sua versão mais poderosa, o veículo ultrapassava 10 metros de comprimento, incluindo o canhão principal.

Além disso, o Osório reunia tecnologias avançadas para a época. A blindagem bimetálica, desenvolvida pela própria Engesa, combinava aço, alumínio, cerâmica e fibras de carbono. Segundo registros técnicos do setor de defesa, essa estrutura buscava ampliar a proteção contra projéteis e cargas moldadas sem elevar de forma excessiva o peso do tanque.

Outro ponto importante estava na suspensão hidropneumática, criada para melhorar a mobilidade em terrenos difíceis. Dessa forma, o veículo ganhava mais capacidade de manobra em ambientes exigentes, especialmente em áreas de areia, terra e inclinações.

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Motor alemão, transmissão automática e canhão de 120 mm reforçavam o desempenho do blindado

Enquanto o M1 Abrams utilizava uma turbina a gás pesada e de alto consumo, a Engesa escolheu um motor a diesel alemão MWM 834. Esse V12 turboalimentado de 21,63 litros entregava 1.040 cv.

Com tanque de combustível de 1.380 litros, o Osório alcançava autonomia estimada de 550 km. Além disso, usava transmissão hidromecânica automática de quatro velocidades da ZF Friedrichshafen AG, com sistema voltado à redução de consumo e de superaquecimento.

Na prática, o blindado chegava a cerca de 77 km/h em estradas pavimentadas e a aproximadamente 50 km/h em terrenos acidentados. Portanto, o projeto combinava potência, autonomia e mobilidade em um pacote competitivo para exportação.

O armamento também dividia as versões do tanque. O EE-T1 P1 usava o canhão britânico L7 de 105 mm. Já o EE-T2, criado especialmente para disputar o mercado externo, trazia o canhão francês GIAT G1 de 120 mm de alma lisa.

Esse canhão tinha comprimento L/52, superior ao padrão ocidental Rheinmetall Rh-120 L/44 citado em registros técnicos. Assim, o modelo brasileiro buscava competir diretamente com os principais tanques disponíveis para exportação naquele período.

Testes no deserto saudita colocaram o Osório entre os finalistas da concorrência

Durante a avaliação saudita, o EE-T1 Osório enfrentou provas duras em condições reais de uso militar. O blindado foi analisado ao lado do M1A1 Abrams, do AMX-40 e do Challenger 1.

Os tanques percorreram 2.350 km, sendo 1.750 km em areia e terra. Além disso, precisaram cruzar trincheiras de três metros, subir declives de até 65%, operar em inclinações laterais de 30%, rebocar outro tanque por 10 km e resistir a longos períodos com o motor ligado sob calor extremo.

Também houve testes de tiro contra alvos fixos e móveis. Segundo o então diretor técnico da Engesa, o Osório teve desempenho superior em várias etapas. Em uma das avaliações citadas, o blindado brasileiro teria acertado oito de 12 disparos, enquanto o M1 Abrams teria acertado cinco.

Com isso, o Osório chegou à fase final da disputa ao lado do Abrams. O resultado reforçou a percepção de que o tanque brasileiro havia alcançado um nível técnico capaz de rivalizar com gigantes ocidentais.

Tanque brasileiro EE-T1 Osório em área desértica, destacando o protótipo desenvolvido pela Engesa para competir contra blindados ocidentais na concorrência militar promovida pela Arábia Saudita.
Protótipo do EE-T1 Osório durante avaliações em ambiente desértico, fase em que o blindado brasileiro chamou atenção pelo desempenho e pela mobilidade em testes internacionais.

Contrato bilionário não saiu, e escolha saudita mudou o destino da Engesa

Em 1988, a Arábia Saudita teria sinalizado interesse em comprar 318 unidades do tanque brasileiro, em um acordo estimado em aproximadamente US$ 7,2 bilhões. No entanto, a transação nunca foi concluída.

Em 1990, os sauditas assinaram contrato com a General Dynamics para adquirir 315 unidades do M1A2 Abrams, uma versão aprimorada do tanque americano. Essa decisão mudou completamente o futuro do projeto brasileiro.

Além disso, a Guerra do Golfo fortaleceu a aliança militar entre Estados Unidos e Arábia Saudita. Com isso, o ambiente político e estratégico passou a favorecer ainda mais a compra do blindado americano.

Sem o contrato saudita, a Engesa perdeu a principal aposta para recuperar o investimento feito no Osório. As estimativas variam conforme a fonte, mas apontam gastos entre US$ 50 milhões e US$ 150 milhões no desenvolvimento e na produção dos protótipos.

A empresa já enfrentava dificuldades financeiras durante o projeto. Depois da frustração comercial, suspendeu pagamentos em 1990 e declarou falência em 1993.

Legado do EE-T1 Osório permanece em museus e na memória da indústria de defesa

Mesmo sem chegar à produção em série, o EE-T1 Osório se tornou um dos projetos mais lembrados da indústria militar brasileira. O tanque simboliza um período em que o país tentou disputar espaço em um mercado dominado por grandes potências.

Parte dos protótipos acabou sucateada, enquanto outras unidades foram preservadas como peças históricas. Um modelo EE-T2 com canhão francês de 120 mm está no Centro de Instrução de Blindados.

Já a versão equipada com canhão britânico pode ser vista no Museu Militar Conde de Linhares, no Rio de Janeiro. As informações constam em registros do setor de defesa, materiais técnicos associados à Engesa, dados do U.S. Army Worldwide Equipment Guide e publicações especializadas em veículos blindados.

Assim, o Osório permanece como um exemplo raro de ambição tecnológica brasileira. Além disso, sua trajetória mostra como desempenho técnico, contexto geopolítico e decisões comerciais podem definir o sucesso ou o fim de um projeto militar.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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