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Técnicos de refrigeração viram peça rara no Brasil: falta de mão de obra qualificada já afeta ar-condicionado, supermercados, hospitais, indústrias e data centers, enquanto salários passam de R$ 4,4 mil em cargos CLT e setor bilionário corre para formar novos profissionais

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/06/2026 às 22:57
Atualizado em 08/06/2026 às 23:06
Assista o vídeoTécnicos de refrigeração ganham espaço com alta demanda em ar-condicionado, supermercados, hospitais, indústrias e data centers.
Técnicos de refrigeração ganham espaço com alta demanda em ar-condicionado, supermercados, hospitais, indústrias e data centers.
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Profissão técnica ganha espaço em um mercado bilionário que atende supermercados, hospitais, indústrias e estruturas digitais, enquanto empresas buscam mão de obra preparada para instalar, manter e diagnosticar sistemas de refrigeração e climatização cada vez mais complexos.

Técnicos de refrigeração e climatização passaram a ocupar uma função mais presente em setores que dependem de ar-condicionado, câmaras frias, supermercados, hospitais, indústrias e data centers para manter operações contínuas, conservar produtos e reduzir riscos de falhas em ambientes críticos.

Antes associada com mais frequência ao conserto de aparelhos domésticos, a atividade hoje atende uma cadeia ampla de serviços técnicos, que inclui armazenamento de alimentos, climatização hospitalar, refrigeração comercial, operação industrial e funcionamento de estruturas digitais.

A expansão do setor de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração, conhecido como AVAC-R, ajuda a explicar a pressão por mão de obra qualificada em diferentes regiões do país.

Segundo balanço divulgado pela ABRAVA, o segmento faturou cerca de R$ 50,15 bilhões em 2025 no Brasil e tem perspectiva de alcançar R$ 55,62 bilhões até o fim de 2026.

Esse crescimento não se restringe à comercialização de equipamentos, já que instalação e manutenção aparecem entre as frentes diretamente ligadas ao funcionamento de sistemas em empresas, edifícios comerciais, hospitais, supermercados e ambientes industriais.

De acordo com o levantamento da associação, instalação e manutenção cresceram 20,7% em 2025, na comparação com 2024, e devem continuar entre os destaques do mercado em 2026, com expectativa de avanço de 19,8% até dezembro.

Mercado de refrigeração amplia procura por profissionais qualificados

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A demanda por técnicos aparece em um momento em que empresas buscam reduzir paradas, evitar perdas e manter sistemas dentro de padrões de eficiência operacional, especialmente em atividades que dependem de temperatura controlada.

No caso de supermercados, falhas em câmaras frias, balcões refrigerados ou equipamentos de congelamento podem comprometer estoques e afetar a operação em poucas horas, de acordo com a lógica de funcionamento da refrigeração comercial.

Hospitais têm outro tipo de exigência, já que centros cirúrgicos, farmácias, laboratórios, salas de exames e áreas com pacientes dependem de temperatura controlada, filtragem adequada e manutenção regular para funcionar com segurança operacional.

Em data centers, a refrigeração integra a infraestrutura que sustenta servidores, sistemas online, armazenamento de dados e serviços digitais, pois os equipamentos geram calor de forma contínua durante a operação.

Também na indústria, a atuação técnica aparece em linhas de produção, ambientes de conservação, máquinas com necessidade de controle térmico e processos em que variações de temperatura podem interferir no desempenho ou na continuidade da atividade.

Salários de técnicos de refrigeração variam conforme região e especialização

A remuneração contribui para colocar a carreira técnica no radar de trabalhadores que procuram uma área com demanda recorrente e possibilidade de atuação em diferentes segmentos da economia.

Dados do Portal Salário para o cargo de técnico mecânico em calefação, ventilação e refrigeração na cidade de São Paulo indicam faixa entre R$ 2.350,00 e teto de R$ 4.400,30.

A mesma base informa média de piso salarial de R$ 3.448,19 em 2026, valor que pode variar conforme região, porte da empresa, experiência, tipo de sistema atendido e complexidade da operação.

Profissionais com atuação em refrigeração comercial, climatização de áreas críticas, diagnóstico avançado e manutenção preventiva podem encontrar vagas mais especializadas, principalmente em empresas que operam sistemas de maior porte.

A modernização dos equipamentos também influencia a rotina de trabalho, porque sistemas atuais incorporam automação, sensores, controles eletrônicos, eficiência energética e fluidos refrigerantes que exigem manuseio adequado.

Além da habilidade manual, o serviço exige leitura de medições, interpretação de falhas, avaliação de pressão e temperatura, identificação de vazamentos, conhecimento de componentes e registro adequado das intervenções realizadas.

Técnicos de refrigeração ganham espaço com alta demanda em ar-condicionado, supermercados, hospitais, indústrias e data centers.
Técnicos de refrigeração ganham espaço com alta demanda em ar-condicionado, supermercados, hospitais, indústrias e data centers.

PMOC reforça manutenção em prédios e empresas

A Lei Federal 13.589, de 04 de janeiro de 2018, tornou obrigatório o Plano de Manutenção, Operação e Controle, conhecido como PMOC, para edifícios de uso público e coletivo com ambientes climatizados artificialmente.

Segundo a ABRAVA, o plano reúne dados da edificação, do sistema de climatização, do responsável técnico e das rotinas de manutenção, operação e controle previstas para esses ambientes.

Com a exigência do PMOC, a manutenção passa a integrar a gestão regular de prédios comerciais, escolas, hotéis, shoppings, escritórios, hospitais e espaços de grande circulação.

Quando falta profissional qualificado, empresas podem enfrentar mais paradas, maior consumo de energia, perda de eficiência e dificuldade para comprovar rotinas de inspeção e manutenção.

A manutenção inadequada também pode reduzir a vida útil dos equipamentos e elevar custos operacionais, sobretudo em locais onde os sistemas funcionam por longos períodos ou atendem áreas de uso coletivo.

Nesse contexto, cresce a necessidade de técnicos preparados para seguir procedimentos, documentar intervenções, avaliar condições de funcionamento e cumprir práticas de segurança em ambientes climatizados.

Em edifícios de uso público e coletivo, a qualidade do ar e a estabilidade do sistema entram na rotina de gestão predial, com impacto direto sobre operação, manutenção e controle técnico dos equipamentos.

Instalação correta reduz risco de falhas e desperdício de energia

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A expansão do ar-condicionado no país também ampliou a procura por instalação adequada, já que o desempenho do equipamento depende das condições do ambiente e da forma como o sistema é aplicado.

Um equipamento mal dimensionado, instalado sem critério técnico ou mantido de forma irregular pode consumir mais energia, apresentar defeitos recorrentes e entregar desempenho abaixo do esperado.

Por esse motivo, o técnico precisa avaliar carga térmica, ventilação, drenagem, rede elétrica, acesso para manutenção e condições de operação antes e depois da instalação do sistema.

Na refrigeração comercial, o impacto costuma ser direto sobre a operação de supermercados, açougues, padarias, farmácias, restaurantes, centros de distribuição e indústrias alimentícias.

Esses estabelecimentos dependem de temperatura controlada para preservar produtos e reduzir perdas, o que torna a manutenção preventiva uma etapa importante da rotina operacional.

Quando pequenas falhas não são identificadas no início, elas podem evoluir para interrupções maiores, principalmente em operações que trabalham com alimentos, medicamentos ou equipamentos sensíveis.

Formação técnica ganha peso com equipamentos mais complexos

A falta de profissionais preparados expõe um desafio de formação em uma área que exige conhecimento prático, domínio de procedimentos, eletrônica básica, segurança, automação e boas práticas de manutenção.

No dia a dia, o técnico lida com compressores, condensadoras, evaporadoras, controles, válvulas, sensores, pressões e sistemas de proteção que exigem diagnóstico correto e execução segura.

Também faz parte da rotina comunicar problemas com clareza, orientar clientes ou equipes internas e registrar o serviço de forma compatível com as exigências da empresa ou do contrato.

A ABRAVA tem destacado iniciativas voltadas a qualificação, gestão e competitividade de instaladores em um mercado que cresce ao mesmo tempo em que exige maior especialização dos profissionais de campo.

Com equipamentos mais tecnológicos, atualização contínua passa a fazer parte da atividade, especialmente em sistemas que envolvem automação, eficiência energética, controle eletrônico e manutenção documentada.

A combinação entre aumento do calor em grandes cidades, busca por conforto térmico, expansão de supermercados e hospitais e digitalização da economia amplia a presença da refrigeração em atividades essenciais.

Na prática, o trabalho do técnico costuma ser percebido pelo usuário quando a sala esquenta, o alimento perde a conservação, o equipamento falha ou uma operação precisa ser interrompida.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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