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Sem tripulação e capaz de passar 16 semanas inteiras sem emergir, o submarino-drone alemão Greyshark usa hidrogênio, leva 17 sensores e cria mapas submarinos com resolução inferior a 2 centímetros por pixel, enquanto apenas seis unidades controladas por uma única pessoa conseguem vasculhar todo o Estreito de Ormuz em 24 horas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 18/05/2026 às 10:39 Atualizado em 18/05/2026 às 10:43
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Greyshark Foxtrot/Naval NEws
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Greyshark Foxtrot usa célula de combustível de hidrogênio, opera até 16 semanas submerso e vigia cabos, minas e submarinos sem tripulação.

Segundo a Interesting Engineering, o Greyshark Foxtrot iniciou seus primeiros testes em água na semana de 6 de abril de 2026, na costa de Damp, próximo a Kiel, no Báltico alemão, e continuou no Centro de Experimentação de Segurança do Fundo Marinho, o SeaSEC, em Rostock, na semana seguinte. O sistema foi desenvolvido pela Euroatlas, de Bremen, em parceria com a EvoLogics, de Berlim. A família Greyshark tem dois modelos: o Bravo, movido a bateria, para missões de curto prazo, e o Foxtrot, movido a célula de combustível de hidrogênio, com autonomia de até 16 semanas submerso sem emergir, sem recarregar e sem contato com operadores. A 10 nós de velocidade máxima, a autonomia cai para 6 dias; a 4 nós de cruzeiro, o alcance chega a 10.700 milhas náuticas.

O drone submarino tem 17 sensores integrados, incluindo sonar de abertura sintética, ecossondador multifeixe, sensores ópticos, eletromagnéticos e LiDAR. A resolução de imagem do fundo do mar chega a 1,6 polegada por pixel, menos de 2 centímetros, suficiente para identificar um objeto do tamanho de uma garrafa de água no fundo do oceano.

Greyshark Foxtrot foi criado para proteger cabos submarinos e infraestrutura crítica no fundo do mar

O Greyshark Foxtrot surge em um momento de alta tensão sobre a segurança da infraestrutura submarina. Em novembro e dezembro de 2024, quatro cabos de dados e um cabo de energia foram cortados ou danificados no Mar Báltico e no Mar do Norte.

A investigação apontou para navios associados à chamada “frota sombra” russa, formada por petroleiros usados para transportar petróleo russo apesar das sanções ocidentais. Esses navios podem ter usado âncoras para danificar cabos, dutos e estruturas críticas no fundo do mar.

Cabos submarinos carregam 95% de todo o tráfego internacional de internet, enquanto dutos de gás e energia no Báltico abastecem países inteiros. Proteger essa rede com navios tripulados, 24 horas por dia, por centenas de quilômetros, é caro, previsível e difícil de sustentar.

Drone submarino autônomo pode patrulhar por 16 semanas sem emergir

A vantagem operacional do Greyshark Foxtrot está na persistência. Um navio de guerra patrulhando o mesmo trecho de cabo por semanas consome combustível, exige tripulação, revela presença e pode ser acompanhado por adversários.

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O Foxtrot opera submerso por até 16 semanas, sem precisar emergir, sem transmitir posição e sem depender de contato constante com operadores. Isso permite vigilância discreta em rotas de cabos submarinos, gasodutos, oleodutos, portos, estreitos e áreas militares sensíveis.

O CEO da Euroatlas, Eugen Ciemnyjewski, resumiu o contexto ao afirmar que, no passado, havia muito tempo e pouco dinheiro; agora, há muito dinheiro e pouco tempo. A frase reflete a corrida da OTAN por sistemas autônomos capazes de proteger infraestrutura crítica antes que novos ataques aconteçam.

Célula de combustível de hidrogênio dá ao Greyshark autonomia que baterias não conseguem entregar

A autonomia de 16 semanas do Greyshark Foxtrot não seria possível com bateria convencional. Ela vem da célula de combustível de hidrogênio, tecnologia conhecida na indústria automotiva e adaptada para uso submarino.

Uma célula de combustível gera eletricidade pela reação química entre hidrogênio e oxigênio, produzindo água como subproduto. Não há combustão, não há ruído de motor convencional e não há emissão térmica significativa.

Para um veículo submarino, essa combinação é estratégica. Baixa assinatura acústica e baixa assinatura térmica tornam o Foxtrot mais difícil de detectar, especialmente em missões de vigilância, reconhecimento e patrulha de infraestrutura submarina.

Greyshark Bravo e Foxtrot atendem missões curtas e operações submarinas de longo alcance

A Euroatlas desenvolveu dois modelos para perfis diferentes de missão. O Greyshark Bravo usa bateria, mede 6,5 metros, pesa cerca de 3,5 toneladas e é indicado para operações de curta duração, em áreas onde o recolhimento frequente é viável.

Greyshark Foxtrot usa célula de combustível de hidrogênio, opera até 16 semanas submerso e vigia cabos, minas e submarinos sem tripulação
Greyshark Foxtrot/Euronews

O Greyshark Foxtrot é maior, mede entre 7 e 8 metros, pesa aproximadamente 4,5 toneladas e usa célula de combustível de hidrogênio. Essa configuração permite operações de semanas ou meses em regiões onde recuperar o veículo regularmente seria impraticável.

Segundo Verineia Codrean, chefe de estratégia da Euroatlas, o Foxtrot pode operar em locais como o Ártico, onde simplesmente não há opção de recolher o AUV com frequência. É nesse tipo de ambiente remoto que autonomia deixa de ser conforto e vira condição operacional.

Seis Greyshark Foxtrot poderiam mapear o Estreito de Ormuz em até 24 horas

Um dos exemplos mais concretos citados pela empresa envolve o Estreito de Ormuz, passagem de 33 km de largura por onde transita cerca de 20% do petróleo exportado no mundo. Em meados de abril de 2026, o Irã teria plantado minas na região durante uma fase de tensão.

O problema, segundo Codrean, é que nem mesmo as autoridades iranianas saberiam exatamente onde as minas estavam. Limpar uma área assim com mergulhadores, navios tripulados ou equipamentos convencionais seria lento, caro e extremamente perigoso.

A Euroatlas afirma que seis unidades Greyshark Foxtrot, operadas por uma única pessoa em terra, poderiam mapear a totalidade do Estreito de Ormuz em até 24 horas. Nenhum ativo tripulado faria a mesma varredura no mesmo prazo sem expor seres humanos a risco direto.

Sonar de abertura sintética e 17 sensores permitem identificar objetos no fundo do oceano

O Greyshark Foxtrot foi projetado para enxergar o fundo do mar com alta precisão. Seus 17 sensores incluem sonar de abertura sintética, ecossondador multifeixe, sensores ópticos, eletromagnéticos e LiDAR.

A resolução de imagem chega a 1,6 polegada por pixel, menos de 2 centímetros. Isso permite detectar e classificar objetos pequenos no fundo do oceano, como minas, equipamentos abandonados, danos em cabos ou itens suspeitos próximos a infraestrutura crítica.

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Em missões de contramedidas de minas, essa precisão é decisiva. O sistema não apenas percorre grandes áreas, mas produz imagens detalhadas o suficiente para distinguir ameaça real de ruído, rocha ou destroço comum.

Autonomia Nível 5 permite ao drone submarino mudar de missão sem ordem humana

O Greyshark opera em Nível 5 de autonomia, a categoria mais alta da indústria, o que significa que pode atuar sem intervenção humana sob qualquer condição operacional prevista. Ele não é apenas um drone que segue uma rota programada.

A inteligência artificial embarcada permite reconhecimento automático de alvos, desvio de obstáculos e adaptação dinâmica da missão com base nos dados dos sensores. Um Foxtrot pode iniciar patrulhando cabos e, ao detectar um objeto suspeito, reclassificar a missão para busca de minas ou atividade antissubmarino.

Esse comportamento muda a lógica da vigilância submarina. O veículo deixa de ser apenas uma câmera submersa e passa a funcionar como uma plataforma autônoma de decisão tática, capaz de investigar, marcar posição e gerar relatório sem esperar comando direto.

Comunicação acústica da EvoLogics cria uma rede submarina entre drones

A inteligência artificial do Greyshark foi desenvolvida com apoio da EvoLogics, empresa de Berlim especializada em comunicação acústica subaquática. A tecnologia usa modulação inspirada na comunicação dos golfinhos para transmitir dados em ambientes submersos ruidosos.

Os veículos podem trocar informações por modems acústicos e formar uma rede mesh submarina, semelhante a uma rede WiFi subaquática. Nessa configuração, vários Greyshark atuam como repetidores uns dos outros, ampliando cobertura e redundância.

Quando a missão exige sigilo absoluto, o Foxtrot pode operar em silêncio completo, sem emitir sinais. Nesse caso, guarda os dados e só transmite quando estiver em área segura ou quando a missão permitir comunicação sem comprometer a posição.

Greyshark Foxtrot mostra o futuro da guerra naval autônoma e da vigilância persistente

O Greyshark Foxtrot responde a uma necessidade que marinhas tradicionais ainda não resolveram bem: consciência marítima persistente. Manter presença contínua no fundo do mar, com navios e tripulações, é caro, limitado e difícil de escalar.

Niko Schmidt, vice-chefe de sistemas autônomos da Euroatlas, afirmou que essa consciência marítima persistente é impossível de alcançar apenas com ativos tripulados. O Foxtrot tenta preencher essa lacuna com autonomia de 16 semanas, operação em enxame e sensores de alta resolução.

O resultado é uma nova categoria de presença militar submarina. Cabos, dutos, minas, submarinos e estreitos estratégicos podem passar a ser monitorados por veículos silenciosos, autônomos e persistentes, capazes de operar por meses onde nenhum navio tripulado conseguiria permanecer com o mesmo custo e discrição.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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