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Civic e Corolla usados estão encalhados há meses em estoque. “As pessoas estão preferindo carros chineses”, afirma dono de loja de carros

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/06/2026 às 10:06
Atualizado em 22/06/2026 às 10:09
Civic e Corolla usados estão encalhados há meses em estoque. "As pessoas estão preferindo carros chineses", afirma dono de loja de carros
civic e corolla encalhados em lojas de usados
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Lojista diz que Civic e Corolla usados estão demorando mais para vender, enquanto carros chineses com mais tecnologia ganham espaço no Brasil.

Durante anos, Honda Civic e Toyota Corolla foram tratados como alguns dos usados mais líquidos do mercado brasileiro, com fama de vender rápido e segurar valor de revenda. Em vídeos publicados pelo perfil Rondelson Car no Instagram, porém, um lojista afirma que essa lógica começou a mudar e que exemplares de Corolla e Civic estão ficando mais tempo no estoque do que ficariam alguns anos atrás.

A fala não permite concluir, sozinha, que houve uma virada nacional definitiva no mercado de usados, mas ela surge em um momento em que marcas chinesas ampliaram sua presença no Brasil e passaram a disputar atenção com um pacote forte de tecnologia, conectividade e eletrificação. No relatório de mais vendidos da Fenabrave para junho de 2026, por exemplo, BYD Dolphin Mini, BYD Song e BYD Dolphin aparecem entre os modelos mais emplacados do país.

Lojista diz que Corolla e Civic estão ficando “agarrados” no estoque

Nos vídeos localizados na busca, o perfil Rondelson Car afirma que viveu para ver uma situação que antes parecia improvável: Corolla e Civic demorando mais para vender.

Em uma das publicações, o lojista diz que esses carros estão “agarrando” no estoque, termo comum no setor para veículos que permanecem anunciados por mais tempo do que o esperado.

A repercussão do comentário chama atenção justamente porque os dois sedãs construíram reputação de liquidez ao longo de décadas. O ponto central do relato não é que Corolla e Civic tenham perdido relevância, mas que o giro desses modelos, na percepção da loja, já não seria tão automático quanto no passado.

Carros chineses ampliaram presença e elevaram o peso da tecnologia na decisão de compra

Parte desse novo cenário coincide com a expansão das chinesas entre os carros novos. No relatório da Fenabrave de junho de 2026, o BYD Dolphin Mini aparece com 4.082 unidades, o BYD Song com 4.036 e o BYD Dolphin com 3.289, números que ajudam a mostrar como essas marcas já deixaram de ocupar um espaço periférico no mercado brasileiro.

Além do avanço em volume, essas fabricantes têm reforçado o apelo tecnológico dos produtos. No lançamento brasileiro do BYD King, a própria marca destacou tela flutuante de 12,8 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay, conexão com internet, comandos de voz e atualizações over the air, conjunto que ajuda a explicar por que parte do público passou a comparar carros tradicionais com alternativas mais novas e mais equipadas.

Mudança na comparação do consumidor ajuda a explicar a fala do lojista

O que aparece no relato do lojista é menos uma desqualificação dos sedãs japoneses e mais uma mudança na régua de comparação do comprador.

Quando modelos mais recentes entram na disputa oferecendo multimídia maior, mais conectividade, recursos de assistência e eletrificação, o consumidor deixa de olhar apenas para tradição de marca e revenda e passa a ponderar também tecnologia embarcada e pacote de equipamentos.

Na prática, isso torna o ambiente mais competitivo para nomes historicamente fortes no usado. Corolla e Civic continuam carregando reputação de confiabilidade e valor de mercado, mas já não disputam a atenção do comprador em um cenário tão restrito quanto antes.

Relato de uma revenda não define o mercado inteiro, mas mostra que a disputa mudou

É importante separar percepção comercial de tendência nacional consolidada. O que existe com segurança nas fontes consultadas é a fala de um lojista dizendo que Civic e Corolla usados estão girando mais devagar em sua operação e, ao mesmo tempo, um contexto oficial em que modelos chineses ganham espaço entre os carros mais vendidos e chegam com forte discurso de tecnologia.

Mesmo sem prova de que todo o mercado brasileiro de usados tenha mudado no mesmo ritmo, o episódio já revela uma transformação importante.

O comprador passou a ter mais opções, mais recursos tecnológicos na mesa e mais marcas para comparar, o que aumenta a concorrência até sobre veículos que por muitos anos pareceram praticamente imbatíveis na hora da revenda.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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