Criada em Curitiba, a plataforma administra 51 milhões de anúncios, monitora 600 mil concorrentes e alcançou R$ 12,3 bilhões transacionados por clientes em 2024, após nascer de uma operação endividada e quase falir
A Seconds, plataforma de inteligência para marketplaces criada em Curitiba, movimenta cerca de R$ 900 milhões por mês em vendas online. Sem investidores externos, a empresa chegou a R$ 12,3 bilhões transacionados por clientes em 2024, após nascer em meio a dívidas, cobranças de fornecedores e empréstimos que obrigou o casal fundador a vender bens, incluindo a própria casa, para manter o projeto vivo.
Seconds administra 51 milhões de anúncios em marketplaces
O volume de R$ 12,3 bilhões registrado em 2024 não corresponde à receita da companhia. O número representa as vendas realizadas pelos clientes com apoio da tecnologia desenvolvida pela empresa.
A plataforma é utilizada por lojistas para administrar preços, anúncios, concorrência e rentabilidade em canais digitais.
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Atualmente, o sistema gerencia mais de 51 milhões de anúncios e monitora aproximadamente 600 mil concorrentes em tempo real.
Esses dados colocam a companhia entre as principais plataformas brasileiras dedicadas à gestão e à lucratividade de vendedores que atuam em marketplaces.
A trajetória, porém, foi construída sem fundos de venture capital ou rodadas de investimento. A empresa cresceu com recursos gerados pela própria operação, após seus fundadores enfrentarem problemas financeiros em um negócio anterior.

Tecnologia nasceu de uma dificuldade enfrentada pelo casal
Antes de desenvolver a plataforma, Leonardo Vilar trabalhava como vendedor. Formado em Sistemas de Informação, iniciou a carreira como programador, mas deixou a estabilidade para empreender em projetos ligados à tecnologia e ao comércio eletrônico.
Posteriormente, tornou-se sócio de uma operação de motopeças vendidas pela internet. Embora o negócio estivesse crescendo, os custos de aquisição de clientes, mídia, taxas e despesas operacionais comprometiam uma parcela relevante do faturamento.
A mudança começou quando Vilar decidiu testar as vendas pelo Mercado Livre. Na época, a plataforma ainda enfrentava desconfiança entre parte dos lojistas tradicionais.
Em poucos meses, ele alcançou a categoria Platinum e passou a administrar dezenas de milhares de anúncios simultaneamente. O aumento das vendas, entretanto, também ampliou a complexidade da operação.
Os preços precisavam ser atualizados constantemente, enquanto regras e algoritmos afetavam a visibilidade dos produtos.
Ao mesmo tempo, concorrentes modificavam ofertas em tempo real, dificultando a preservação das margens dos vendedores.
Sem encontrar uma ferramenta capaz de atender às necessidades da operação, Leonardo Vilar começou a desenvolver uma tecnologia própria. Antes que o sistema se transformasse em produto, porém, o negócio entrou em colapso.
A família enfrentou dívidas bancárias, empréstimos e cobranças de fornecedores. Para manter o projeto em funcionamento, vendeu parte do patrimônio, incluindo a própria casa.

Imagem: Reprodução/Instagram
Greyce Minatti assumiu a sobrevivência da operação
Enquanto Leonardo Vilar trabalhava no desenvolvimento tecnológico, Greyce Minatti, sua esposa, assumiu a linha de frente do negócio.
Mesmo sem formação técnica, passou a aprender logística, atendimento, gestão de conflitos e vendas online.
Com o tempo, Greyce tornou-se uma das poucas mulheres em posição de destaque entre os vendedores da plataforma e assumiu papel central na criação da futura Seconds.
Os primeiros clientes foram atendidos de forma quase artesanal. Como o software ainda estava em desenvolvimento, a empresa combinava a tecnologia com consultorias, planilhas, visitas presenciais e suporte operacional.
Esse contato direto permitiu que os fundadores acumulassem conhecimento sobre os problemas enfrentados pelos lojistas. A experiência ajudou a definir o foco da plataforma: melhorar a lucratividade das operações, em vez de priorizar apenas o crescimento das vendas.
A proposta partiu da constatação vivida pelos próprios fundadores de que vender mais não significa, necessariamente, ganhar mais. A tecnologia passou a apoiar decisões sobre preços, posicionamento, concorrência e gestão operacional.
Profissionalização prepara empresa para ampliar a escala
A especialização no Mercado Livre permitiu à companhia acumular conhecimento sobre regras, gestão de anúncios, comportamento do mercado e dinâmica entre vendedores.
Na avaliação da empresa, essa experiência prática criou uma barreira para concorrentes que dominam o desenvolvimento de software, mas não viveram diretamente a rotina das vendas online.
Com clientes ativos, produto validado e geração de caixa, a companhia precisou reduzir sua dependência dos fundadores. Thiago Trincas chegou à empresa em 2022 para estruturar processos, desenvolver lideranças e profissionalizar a operação.
A reorganização permitiu que Leonardo Vilar deixasse gradualmente as atividades operacionais e concentrasse sua atuação na estratégia, no produto e na expansão.
A mudança marcou a passagem de uma etapa voltada à sobrevivência para outra dedicada à escala, mantendo o crescimento sem captação de recursos externos.
Esta matéria foi elaborada com base em informações fornecidas pela Seconds, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

