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Longe dos holofotes, família transforma antiga madeireira em negócio gigante de R$ 3,7 bilhões, abre 25 lojas em dois anos e avança por 22 estados

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 24/06/2026 às 09:27 Atualizado em 24/06/2026 às 09:30
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Com faturamento de R$ 3,7 bilhões e mais de 130 lojas, a distribuidora acelera a expansão, moderniza unidades e oferece crédito, treinamento, plataformas digitais e showrooms para fortalecer marceneiros em todo o país

A Leo Madeiras, maior distribuidora de materiais para marcenaria da América Latina, investiu R$ 50 milhões em expansão e logística e abriu 25 lojas nos últimos dois anos. Com faturamento de R$ 3,7 bilhões, mais de 130 unidades e presença em 22 estados, a empresa busca avançar sobre regiões ainda não atendidas pela marca.

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Leo Madeiras procura espaços com demanda já existente

O plano de expansão da Leo Madeiras está concentrado nos chamados “white spaces”, locais onde existe atividade de marcenaria e procura por materiais, mas a companhia ainda não possui operação física.

A estratégia é conduzida por Andrea Seibel, integrante da terceira geração da família à frente do negócio. Ela assumiu a gestão em 2013, durante um processo planejado de sucessão, profissionalização e transformação da empresa.

A executiva evita divulgar metas fechadas de crescimento. Segundo ela, a prioridade é manter um avanço consistente, considerando que o setor acompanha ciclos econômicos instáveis e mudanças no consumo das famílias.

“Nosso jogo é de longo prazo. A gente está aqui para o século, não para o ano”, afirma Andrea. “Quando o nosso cliente cresce, a gente cresce junto.”

Atualmente, a rede possui mais de 20 mil itens em catálogo e uma equipe formada por 5 mil profissionais. Além da presença brasileira, a empresa mantém quatro unidades no Paraguai.

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O CD de Contagem deve ampliar em 40% a capacidade operacional do negócio | Foto: Reprodução Redes sociais / Leo Madeiras

Pequena madeireira virou uma rede presente em 22 estados

A história da companhia começou em 1943, em uma pequena madeireira instalada na Rua do Gasômetro, tradicional endereço do comércio de materiais de construção em São Paulo.

O negócio, fundado por um comerciante conhecido como senhor Léo, foi posteriormente comprado pelo avô de Andrea, um imigrante polonês que havia ficado viúvo e precisava sustentar os filhos.

“Meu avô comprou a loja quando ficou viúvo e precisava recomeçar. Tirou dali o sustento para criar os filhos. Depois, meu tio Hélio transformou aquela lojinha em rede”, relata a CEO.

Sob a gestão de Hélio Seibel, a empresa ampliou suas operações e tornou-se o núcleo de outros negócios da família, que mais tarde passou a ter participações em companhias como Dexco e Klabin.

Andrea afirma que cresceu acompanhando a rotina da empresa e conhece sua estrutura desde a infância. Ao assumir o comando, iniciou um novo ciclo de expansão, modernização e diversificação das atividades.

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Empresa amplia serviços para apoiar o marceneiro

A Leo deixou de atuar somente como distribuidora de chapas, ferragens e outros insumos. O modelo passou a incluir crédito, programas de fidelidade, treinamentos, plataformas digitais de corte e projeto, além de espaços voltados à apresentação de produtos.

“O nosso papel é ser a casa do marceneiro”, resume Andrea. Segundo ela, a companhia busca oferecer ferramentas para que profissionais independentes consigam disputar clientes com redes de móveis planejados instaladas em shopping centers.

Essa proposta orientou a revitalização da unidade da Rua Paes Leme, em Pinheiros, São Paulo. O espaço de 2.300 metros quadrados tornou-se a primeira flagship da rede.

A loja reúne showroom, painéis digitais, áreas destinadas à capacitação e um mural de grafite voltado para a comunidade. O local atende marceneiros, artesãos, arquitetos, designers e consumidores finais.

De acordo com Andrea, muitos profissionais utilizam as lojas não apenas para comprar materiais, mas também para apresentar novidades, receber clientes, escolher padrões de madeira e fechar projetos.

A operação integra atendimento físico, telefone e comércio eletrônico. O vendedor responsável pelo cliente consegue acompanhar as diferentes formas de compra, sem separar a experiência entre loja e ambiente digital.

Inflação, informalidade e tarifas pressionam o setor

A expansão ocorre em um mercado marcado pela informalidade, por margens apertadas e pela pressão sobre o orçamento doméstico.

Durante a pandemia, a demanda aumentou porque as famílias passaram a investir mais em reformas, móveis e escritórios dentro de casa.

Com a retomada de despesas com viagens, restaurantes e outros serviços, houve uma acomodação do consumo. Andrea avalia que a procura por melhorias residenciais permanece, mas passou a dividir espaço com outras prioridades.

A inflação também afeta a compra de móveis sob medida, normalmente associados a valores mais altos. “O bolso é um só. A mesma família que compra armário precisa pagar supermercado, escola e roupa”, afirma.

Outro desafio é a quantidade de marceneiros que trabalham informalmente e apresentam dificuldade para criar relações duradouras com os clientes. A Leo busca oferecer crédito, capacitação e ferramentas que apoiem a formalização e a competitividade desses profissionais.

A CEO também aponta possíveis efeitos das tarifas do governo Trump sobre produtos florestais e moveleiros.

A medida pode afetar exportadores brasileiros e provocar aumento da oferta de matérias-primas dentro do país, pressionando preços.

“Isso vai afetar nossos fornecedores e pode pressionar preços. É uma questão de oferta e demanda”, diz Andrea. Mesmo diante dos riscos, a companhia mantém os investimentos e a busca por novas regiões de atuação.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre a Leo Madeiras e nas declarações de Andrea Seibel, com dados, números e falas preservados conforme o material consultado.

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