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Sem encontrar rocha até 100 metros de profundidade, engenheiros reforçaram o fundo do mar com tubos de aço e apoiaram uma ponte inteira sobre bases gigantes de concreto

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 11/07/2026 às 22:30 Atualizado em 11/07/2026 às 22:32
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A Ponte Rio Antírio, na Grécia, atravessa água de até 65 metros e uma região sujeita a terremotos com bases de concreto de 90 metros
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A Ponte Rio Antírio, na Grécia, atravessa água de até 65 metros e uma região sujeita a terremotos com bases de concreto de 90 metros apoiadas sobre cascalho e solo reforçado por tubos de aço, sem ligação direta entre as bases e as peças cravadas no fundo do mar

Sem encontrar rocha até 100 metros de profundidade, engenheiros reforçaram o fundo do mar e apoiaram a Ponte Rio Antírio sobre bases circulares de concreto. Cada uma possui 90 metros de diâmetro e repousa sobre uma área preparada no leito marinho.

A informação técnica foi publicada por Institution of Civil Engineers, instituição britânica dedicada à engenharia civil e infraestrutura. A obra enfrentou uma combinação difícil de água profunda, solo fraco, ventos fortes, terremotos e movimentos tectônicos.

Concluída no verão de 2004, a ponte conecta o Peloponeso à parte continental da Grécia. Sua construção exigiu uma fundação capaz de sustentar as torres sem depender de rocha próxima e, ao mesmo tempo, lidar com movimentos extremos sem concentrar toda a força em um único ponto.

A ponte na Grécia atravessa um estreito com água profunda e terreno fraco

O estreito possui áreas onde a profundidade da água chega a 65 metros. Debaixo dela existe uma mistura de areia, cascalho e argila que não oferecia a resistência esperada para receber diretamente o peso das torres.

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As investigações realizadas no local não encontraram rocha até 100 metros abaixo do fundo do mar. Os estudos geológicos indicaram que a camada de sedimentos pode ultrapassar 500 metros, o que mostra a dimensão do problema enfrentado pela engenharia.

A região ainda registra atividade sísmica e movimentação entre as margens. O projeto precisou considerar deslocamentos tectônicos de até 2 metros, além das forças geradas pelos ventos e por possíveis terremotos.

Estacas profundas não ofereciam a solução mais adequada para o terreno

Uma estaca convencional atravessa as camadas fracas até encontrar um terreno mais resistente. Porém, a ausência de rocha próxima, a profundidade da água e as condições sísmicas tornavam essa alternativa mais difícil naquele estreito.

Os engenheiros avaliaram fundações com estacas, bases enterradas e substituição de parte do terreno. A solução escolhida foi uma fundação rasa, apoiada diretamente sobre uma camada preparada no fundo do mar.

Essas peças aumentaram a capacidade do terreno de resistir às forças provocadas pelo peso da ponte, pela água e pelos movimentos sísmicos
Essas peças aumentaram a capacidade do terreno de resistir às forças provocadas pelo peso da ponte, pela água e pelos movimentos sísmicos

Para que isso fosse possível, os primeiros 20 metros do solo precisaram ganhar resistência. Em vez de ligar as torres a uma camada profunda de rocha, a obra reforçou o terreno existente e distribuiu o peso por uma área muito maior.

Tubos de aço reforçaram a camada superior do fundo do mar

Tubos ocos de aço com 25 a 30 metros de comprimento e 2 metros de diâmetro foram cravados no solo. Eles ficaram separados por distâncias de 7 a 8 metros, formando uma grande área reforçada sob cada torre.

Cada local recebeu aproximadamente 150 a 200 tubos. Essas peças aumentaram a capacidade do terreno de resistir às forças provocadas pelo peso da ponte, pela água e pelos movimentos sísmicos.

A Institution of Civil Engineers, instituição britânica dedicada à engenharia civil e infraestrutura, esclareceu que os tubos não estão conectados às bases de concreto. Eles reforçam o solo, mas não trabalham como estacas tradicionais presas à estrutura.

Ponte Rio Antírio, na Grécia
Ponte Rio Antírio, na Grécia

Essa diferença é fundamental. A base pode realizar pequenos movimentos controlados sobre o terreno em uma situação extrema, evitando que toda a força do abalo seja transmitida diretamente para as torres.

Uma camada de cascalho criou o apoio para as bases gigantes

Após a instalação dos tubos, as equipes depositaram uma camada de cascalho com 3 metros de espessura sobre o fundo do mar. O material foi cuidadosamente nivelado para formar uma superfície regular.

O cascalho recebe o peso das bases e distribui essa carga para o solo reforçado. Ele também cria atrito entre a fundação e o terreno, ajudando a manter as torres em posição durante o funcionamento normal da ponte.

A fundação, portanto, não está simplesmente solta sobre lama. Ela repousa sobre um sistema formado por cascalho nivelado, solo reforçado e centenas de tubos metálicos instalados abaixo da superfície.

Bases circulares de 90 metros viajaram flutuando até o local

As bases de concreto começaram a ser construídas em um dique seco próximo ao estreito. Esse espaço protegido permitiu executar a parte inicial sem a entrada da água do mar.

Mesmo com dimensões gigantescas, cada fundação conseguiu flutuar porque possuía compartimentos internos vazios. A estrutura funcionava como uma grande embarcação de concreto e podia ser rebocada até o ponto onde receberia a continuação da torre.

Bases circulares de 90 metros viajaram flutuando até o local
Bases circulares de 90 metros viajaram flutuando até o local

Quando a base chegou à posição definitiva, os compartimentos foram preenchidos com água de maneira controlada. O peso aumentou gradualmente até que a estrutura de 90 metros afundasse e pousasse sobre a camada de cascalho.

O enchimento separado dos compartimentos ajudou a controlar a inclinação durante a descida. Depois do assentamento, as bases continuaram recebendo peso para antecipar parte da acomodação do solo antes da montagem completa das torres.

A fundação pode se mover sem deixar a ponte desprotegida

Apoiar as bases sobre o leito marinho permite que elas levantem parcialmente ou deslizem de forma limitada durante condições extremas. Esse comportamento reduz a concentração de forças que poderia ocorrer em uma ligação totalmente rígida.

O tabuleiro da Ponte Rio Antírio também possui flexibilidade para acompanhar parte dos movimentos entre as torres. Dispositivos metálicos mantêm a estrutura estável durante os ventos e podem ceder quando as forças sísmicas ultrapassam o limite previsto.

Nesse momento, amortecedores entram em ação para reduzir a velocidade do movimento e dissipar parte da energia do terremoto. O funcionamento lembra o amortecedor de um veículo, mas foi dimensionado para controlar deslocamentos muito maiores.

Isso não significa que a ponte seja indestrutível ou protegida contra qualquer terremoto. A estrutura foi projetada para condições sísmicas específicas, calculadas a partir das características do terreno e dos movimentos possíveis entre as margens.

A engenharia transformou um fundo fraco em apoio para uma grande infraestrutura

A fundação da Ponte Rio Antírio mostra que nem toda grande obra precisa alcançar uma camada de rocha. Nesse caso, a engenharia reforçou o solo disponível, distribuiu o peso sobre bases largas e permitiu movimentos controlados durante situações extremas.

As bases de concreto de 90 metros, transportadas flutuando e afundadas sobre cascalho, sustentam uma ponte concluída em 2004 em uma região marcada por água profunda, ventos fortes, sedimentos fracos e atividade sísmica.

Se uma fundação pode ser mais segura ao permitir pequenos movimentos, até que ponto a flexibilidade pode substituir a rigidez nas grandes obras? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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