Nova rodada de frentes frias, avanço de ar polar e influência de fenômenos atmosféricos globais devem manter o tempo instável em diversas regiões do país até o fim de junho, com temperaturas abaixo da média e volumes de chuva incomuns para a época.
A segunda quinzena de junho promete manter o padrão climático que já chamou atenção dos meteorologistas na primeira metade do mês. De acordo com informações divulgadas pela Meteored com base em projeções do modelo europeu ECMWF, uma combinação de frentes frias, massas de ar polar e fenômenos atmosféricos de grande escala continuará influenciando o clima brasileiro até o final de junho de 2026.
O cenário é marcado por chuvas acima da média em áreas do Brasil Central e temperaturas abaixo do normal em boa parte do Centro-Sul. A tendência reforça um comportamento considerado atípico para esta época do ano, especialmente em estados que normalmente registram condições mais secas durante o período.
Segundo a análise publicada pela Meteored em junho de 2026, os próximos dias deverão ser marcados por sucessivas incursões de ar frio, além da persistência de sistemas frontais capazes de provocar novos episódios de chuva significativa.
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Chuvas seguem acima da média em áreas do Brasil Central
A primeira metade de junho já apresentou um comportamento fora do padrão climatológico. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e o norte do Paraná registraram volumes de precipitação superiores ao esperado para o período.
Agora, a previsão indica que esse cenário continuará durante a segunda quinzena.
Entre os dias 15 e 22 de junho, os acumulados de chuva devem permanecer ligeiramente acima da média em áreas das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste. Em alguns pontos do estado de São Paulo e também no oeste da Amazônia, os desvios positivos podem variar entre 10 mm e 30 mm.
Já na última semana do mês, entre 22 e 29 de junho, a tendência é de intensificação das precipitações. Os maiores volumes devem se concentrar entre Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e interior paulista, onde os desvios podem atingir entre 30 mm e 60 mm acima da média climatológica.
Esse comportamento reforça a atuação contínua de sistemas frontais que vêm conseguindo avançar pelo interior do continente, transportando umidade e favorecendo a formação de áreas de instabilidade.
Massa de ar polar pode provocar queda expressiva das temperaturas
Além das chuvas, o frio continuará sendo destaque em diversas regiões brasileiras.
As projeções do ECMWF indicam temperaturas até 3°C abaixo da média climatológica entre os dias 15 e 22 de junho em áreas da Região Sul, oeste de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Entretanto, o cenário mais relevante está previsto para os últimos dias do mês.
Uma nova e intensa massa de ar polar deve avançar pelo continente sul-americano, alcançando inclusive áreas do sul da Região Norte em mais um episódio de friagem. Esse fenômeno ocorre quando o ar frio oriundo das altas latitudes consegue penetrar profundamente pelo interior da América do Sul.
As previsões indicam temperaturas entre 3°C e 6°C abaixo da média em partes das regiões Sul e Centro-Oeste. Já na metade sul do Sudeste e em áreas de Goiás, os termômetros podem registrar valores até 3°C inferiores ao normal para junho.
Enquanto isso, a faixa norte do país deverá permanecer sob influência de temperaturas acima da média, evidenciando o contraste climático entre diferentes regiões brasileiras.
Fenômenos globais ajudam a explicar o comportamento do clima
Os especialistas apontam que a manutenção desse padrão atmosférico não ocorre por acaso.
Entre os fatores monitorados está a Oscilação Antártica (AAO), fenômeno que influencia diretamente a trajetória de ciclones extratropicais e frentes frias no Hemisfério Sul.
Segundo os modelos climáticos, a AAO deve atingir valores positivos durante parte da segunda quinzena de junho antes de migrar para neutralidade ou fase negativa. Essa transição costuma favorecer o deslocamento de sistemas frontais para latitudes mais baixas da América do Sul, ampliando a frequência das incursões de ar frio sobre o Brasil.
Outro elemento importante é a Oscilação Madden-Julian (MJO), considerada o principal modo de variabilidade atmosférica intrassazonal nos trópicos.
A previsão indica que a MJO estará ativa sobre o Pacífico Oeste no final do mês, favorecendo áreas de convecção e aumentando o potencial para formação de instabilidades em partes das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste.
Além disso, os meteorologistas seguem acompanhando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial associado ao El Niño. O fenômeno continua exercendo influência sobre a circulação atmosférica global e pode contribuir para manter o padrão de chuvas acima da média em várias áreas do território nacional.
O que esperar até o fim de junho?
O conjunto de indicadores atmosféricos aponta para a continuidade do padrão observado desde o início do mês.
Na prática, isso significa que diversas regiões do Brasil deverão enfrentar novas rodadas de chuva, além da chegada de massas de ar frio capazes de derrubar significativamente as temperaturas.
Para moradores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a recomendação é acompanhar as atualizações meteorológicas nos próximos dias, já que o avanço da massa de ar polar poderá provocar mudanças rápidas nas condições do tempo.
Com a combinação entre frentes frias frequentes, influência da Oscilação Antártica, atuação da Oscilação Madden-Julian e os efeitos do aquecimento do Pacífico, junho caminha para encerrar com características climáticas bastante diferentes daquelas normalmente observadas nesta época do ano.

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