O trecho de doze quilômetros que liga Urubici a Grão-Pará na Serra Catarinense entra na fase final de pavimentação depois de gerações como caminho de chão, com o asfaltamento encerrando uma das paisagens rodoviárias mais técnicas do país e o lendário viração, neblina que apaga a estrada em segundos.
A SC-370, rodovia estadual que atravessa a Serra do Corvo Branco no centro-sul de Santa Catarina, está perto de receber asfalto em todo o trecho entre Urubici e Grão-Pará. O caminho, há décadas em terra batida e cascalho, leva motoristas a 1.470 metros de altitude entre paredões de rocha arenítica.

A obra de pavimentação avançou ao longo de 2024 e 2025 e entrou na reta final em 2026, segundo veículos regionais como Terra Brasil Notícias, NDmais, Viagens e Caminhos e Carimbo de Viagem.
São doze quilômetros que separam o município serrano de Urubici, ponto de partida turística da Serra Catarinense, da pequena Grão-Pará, no vale do rio Capivaras.
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O trecho ficou conhecido por uma característica única no Brasil. A SC-370 atravessa um corte em rocha de aproximadamente 90 metros de altura, em paredões verticais paralelos, que muitos pesquisadores apontam como o maior corte em rocha arenítica do país.
A rocha tem cerca de 160 milhões de anos. Faz parte da Formação Botucatu, mesma estrutura geológica que abriga o Aquífero Guarani por baixo do solo da região.
Subir pela SC-370 é exercício de paciência e atenção. As curvas de 180 graus aparecem em sequência e a inclinação supera com folga o que motoristas urbanos estão acostumados a encarar.
Em alguns pontos do trajeto, o motorista vê o céu acima dos paredões mas não enxerga a saída da curva à frente. O carro entra e parece sumir.
A viração que apaga a visibilidade a 1.470 metros
O nome popular do fenômeno é viração. Trata-se de uma neblina densa que se forma na altitude máxima do trecho, perto do mirante dos Altos do Corvo Branco, e aparece sem aviso.
Em questão de segundos, a visibilidade cai a zero. Quem está dentro do carro vê o capô sumir. Os locais aprenderam a reduzir e a acender o pisca-alerta no primeiro sinal.
O fenômeno se concentra entre o final do outono e o inverno, especialmente quando uma frente fria avança sobre o planalto. A umidade fica presa nos paredões e condensa rápido.

A região é também uma das mais frias do Brasil. Urubici e municípios vizinhos como Bom Jardim da Serra e São Joaquim registram geada no inverno e raras nevascas confirmadas. Frio que se conecta com a recente onda polar que derrubou Curitiba a 2,5 graus e colocou dezoito estados em alerta, com efeito direto sobre a serra catarinense.
Com o asfalto chegando, a SC-370 entra em um novo ciclo. A poeira da terra batida sai. O tempo de viagem cai. A acessibilidade aumenta para turistas que antes evitavam o trecho.
O outro lado da equação é que a estrada perde parte de seu caráter de aventura. Para motoristas que viajavam para encarar a serra com 4×4, era exatamente o piso solto que dava a graça da rota.
Fico imaginando o que perde uma rodovia quando o asfalto chega depois de décadas. A topografia continua. A relação do motorista com o caminho muda. O risco passa a ser menor e a paisagem passa a ser fundo de retrato.
A Serra do Corvo Branco entra agora na fila de outras obras de rodovia em Santa Catarina que estão em fase final. Mas a viração e os paredões de noventa metros continuam ali, esperando o próximo motorista distraído.
Em outras partes do país, rodovias com perfil parecido enfrentam destino diferente, como a BR-040 em Itaipava, onde a Ponte do Arranha-Céu fechou por seis meses para obras estruturais de emergência.
O que era caminho de chão entre Urubici e Grão-Pará vai virar rota turística asfaltada, e a Serra Catarinense ganha uma faixa pavimentada a mais entre seus pontos mais altos. Mas a viração não pede licença para chegar.
Fontes: Terra Brasil Notícias, NDmais, Viagens e Caminhos, Viagem & Turismo Abril, Climatempo.
Você toparia subir a SC-370 do Corvo Branco depois do asfalto, ou prefere encarar o que sobrou dos paredões com a viração apertando a visibilidade?

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