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Samsung, SK, Hyundai e LG prometem investir US$ 550 bilhões na Coreia do Sul após acordo com EUA, ampliando projetos de IA, chips, energia e indústria para fortalecer a economia doméstica

Publicado em 17/11/2025 às 10:16
Atualizado em 17/11/2025 às 10:17
Samsung e Hyundai lideram megainvestimentos na Coreia do Sul em IA e chips após acordo com os EUA, reforçando a economia doméstica e a estratégia industrial do país.
Samsung e Hyundai lideram megainvestimentos na Coreia do Sul em IA e chips após acordo com os EUA, reforçando a economia doméstica e a estratégia industrial do país.
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Após acordo comercial com os EUA, governo de Lee Jae myung articula ofensiva industrial com Samsung, SK, Hyundai e LG para manter empregos, tecnologia e capital dentro da Coreia do Sul em setores como IA, chips, energia e manufatura avançada.

A Coreia do Sul decidiu reagir ao risco de ver capital, tecnologia e empregos migrarem em excesso para o exterior. Em reunião com o presidente Lee Jae myung, quatro dos maiores conglomerados do país Samsung, SK, Hyundai e LG prometeram investir o equivalente a US$ 550 bilhões no território sul coreano nos próximos anos, em uma ofensiva que combina geopolítica, tecnologia de ponta e política industrial.

O pacote vem na esteira de um acordo comercial com os Estados Unidos, pelo qual a Coreia do Sul já havia se comprometido a direcionar cerca de US$ 350 bilhões para indústrias estratégicas em solo americano. Diante das preocupações internas com baixo investimento doméstico e pressão sobre a moeda, o governo decidiu acionar seus campeões nacionais e pedir que reforcem projetos em casa, em áreas como inteligência artificial, semicondutores, energia e biotecnologia.

Quanto cada conglomerado vai investir na Coreia do Sul

Na reunião com o presidente, os grupos detalharam planos específicos para a Coreia do Sul. As afiliadas da Samsung anunciaram que vão investir 450 trilhões de won, algo em torno de US$ 309,5 bilhões, em infraestrutura de IA, pesquisa e desenvolvimento e outras frentes tecnológicas, ao longo dos próximos cinco anos.

O Hyundai Motor Group prometeu 125,2 trilhões de won no mesmo período, em um pacote que tende a envolver mobilidade, eletrificação, cadeia de autopeças e transição tecnológica do setor automotivo.

O Grupo SK, por sua vez, reiterou planos de injetar 128 trilhões de won em IA, chips, energia e biotecnologia até 2028, reforçando seu papel central na indústria de semicondutores e em novos vetores energéticos.

Já o Grupo LG reafirmou investimentos de 100 trilhões de won, focados principalmente em materiais, peças e equipamentos entre 2024 e 2028.

Somados, esses programas criam uma espécie de “segunda camada” do acordo com os EUA: enquanto parcela do capital vai para projetos estratégicos no exterior, uma fatia igualmente robusta é comprometida com o fortalecimento da base produtiva na Coreia do Sul.

Acordo com os EUA e o risco de esvaziamento doméstico

O movimento dos conglomerados não acontece no vácuo. Antes dessa rodada de anúncios, a Coreia do Sul havia aceitado direcionar aproximadamente US$ 350 bilhões para indústrias consideradas estratégicas nos Estados Unidos, como parte de um acordo comercial desenhado em contexto de disputa tecnológica global e reconfiguração de cadeias de suprimentos.

Esse compromisso externo acendeu alertas em Seul sobre dois pontos principais: o risco de queda do investimento doméstico e a pressão adicional sobre a moeda sul coreana.

Se grandes grupos deslocam recursos demais para fora, a capacidade de gerar empregos qualificados, manter centros de P&D e sustentar uma base industrial competitiva dentro da Coreia do Sul pode ser comprometida no médio prazo.

O pacote de US$ 550 bilhões anunciado agora funciona como contrapeso a esse receio.

Papel de Lee Jae myung na coordenação com os chaebols

No centro da articulação está o presidente Lee Jae myung, que se reuniu com líderes empresariais como Jay Y Lee, da Samsung, Euisun Chung, da Hyundai Motor, Koo Kwang mo, do Grupo LG, e Chey Tae won, do Grupo SK.

O recado político foi claro: é preciso ampliar os investimentos domésticos e ancorar a próxima fase de crescimento dentro da Coreia do Sul.

Lee não se limitou a pedir colaboração. Ele também sinalizou que o governo está disposto a oferecer novas formas de apoio, como a compra de títulos subordinados emitidos pelas empresas ou a assunção de posições de primeira perda em determinados projetos.

Em termos simples, o Estado se dispõe a absorver parte do risco financeiro inicial, liberando espaço para que os conglomerados apostem mais pesado em projetos de longo prazo no território sul coreano.

IA, chips, energia e biotecnologia no centro da estratégia

Os setores priorizados pelos planos de investimento revelam o projeto de futuro da Coreia do Sul. Na lista estão inteligência artificial, semicondutores, energia e biotecnologia, além de materiais e equipamentos avançados.

A Samsung e o Grupo SK, com histórico forte em chips e tecnologia, miram expansão de capacidade e infraestrutura de IA, essenciais para continuar competitivos em um cenário em que dados, processamento e modelos avançados de linguagem ganham peso na economia global.

Hyundai e LG, por sua vez, conectam a agenda industrial a mobilidade elétrica, baterias, componentes de alta tecnologia e cadeia de suprimentos associada à transição energética.

A aposta é que, com essa massa de capital ancorada em solo doméstico, a Coreia do Sul consiga não apenas manter sua posição em semicondutores e manufatura, mas também ganhar tração em novos nichos de IA, energia limpa e saúde avançada.

Economia doméstica, moeda e empregos de alta qualificação

Os anúncios são também uma resposta ao desafio de preservar a resiliência da economia doméstica. Em um ambiente global de competição acirrada por investimentos e fábricas de alta tecnologia, a Coreia do Sul precisa evitar que a combinação de incentivos externos e custos internos leve à migração silenciosa de projetos para outros países.

Ao estimular que Samsung, SK, Hyundai e LG reforcem suas bases na Coreia do Sul, o governo busca:

  • Manter empregos de alta qualificação associados a P&D, engenharia e operação industrial
  • Reduzir a vulnerabilidade da moeda, ao garantir fluxo relevante de investimentos internos
  • Fortalecer encadeamentos produtivos locais, de fornecedores de materiais e peças a serviços especializados

Esse tipo de agenda não se resolve em um único anúncio, mas cria um sinal de que há coordenação entre Estado e grandes grupos para blindar o país de choques externos e reorganizações globais de cadeias produtivas.

Governo como amortecedor de risco em projetos estratégicos

Um ponto relevante do discurso de Lee Jae myung foi a proposta de o governo da Coreia do Sul usar instrumentos financeiros para viabilizar projetos em que o risco é mais alto ou o retorno é mais longo.

Ao citar a possibilidade de comprar títulos subordinados ou assumir posições de primeira perda, o presidente sinaliza que o Estado pode entrar na base de capital de determinados investimentos, absorvendo parte do risco inicial.

Na prática, isso permite que conglomerados invistam em iniciativas mais experimentais ou em infraestrutura crítica de IA, chips e energia, sabendo que não arcam sozinhos com o pior cenário de perda.

A lógica é parecida com modelos de política industrial de outros países, em que o setor público atua como parceiro em projetos considerados estratégicos para a soberania tecnológica e industrial.

Coreia do Sul como laboratório de política industrial do século 21

A forma como a Coreia do Sul está redesenhando sua política industrial ajuda a entender tendências mais amplas do século 21. O país combina:

  • Pressão geopolítica, com necessidade de se alinhar a parceiros como os EUA
  • Dependência de cadeias globais de fornecimento em semicondutores e energia
  • Presença de grandes conglomerados nacionais com alta capacidade de investimento

Ao amarrar compromissos bilionários de Samsung, SK, Hyundai e LG à agenda doméstica, o governo tenta transformar a Coreia do Sul em um laboratório de como manter competitividade externa sem esvaziar a base interna.

É um equilíbrio delicado: demais alinhamento para fora pode fragilizar o país por dentro; foco excessivo para dentro pode reduzir a relevância no jogo global.

No fim, a pergunta que fica para o debate público é direta: você acha que a Coreia do Sul está acertando ao pedir mais investimento doméstico dos seus gigantes em IA, chips, energia e indústria, ou o foco deveria ser ainda maior na expansão internacional e nos acordos com países como os Estados Unidos?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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