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Saiba como é a rotina dos brasileiros que trabalham na Modec em reportagem especial

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 19/11/2017 às 13:08
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A 240 km de distância da costa, brasileiros que trabalham no FPSO Cidade de Itaguaí revelam tudo o que acontece abordo desta unidade offshore

[supsystic-social-sharing id=’1′]Em uma unidade offshore que extrai cerca de 150 mil barris de petróleo  e mais de 8 milhões m³ diariamente com profundidades que superam 7 km facilmente no pré-sal brasileiro na Bacia de Santos, são estatísticas que fazem parte da vida dos mais de 100 profissionais a bordo no  FPSO Cidade de Itaguaí, o que nos leva a seguinte pergunta: O que tem para fazer quando termina o turno em um lugar tão remoto e confinado?

Acontece que esta unidade foi um navio transportava petróleo e acabou sendo adaptada para seu um FPSO(Unidade flutuante de armazenamento e transferência). Ele tem incríveis 300 metros de comprimento, o que permite a instalação de restaurantes, casario, fumódromo, salas de TV, academia e salas de jogos e outros espaços que não precisam de EPI’s.

Para minimizar a falta de contato com a família e de ambiente externos, hoje em dia a maioria dessas plataformas conta com Wifi liberado e telefone, com um limite diário de 15 minutos. Luiz Grady que é Engenheiro Químico da Petrobras, usa talbet para matar a saudade da família em terra, depois da ele jogo video game com seus companheiros abordo e conversa sobre outras coisas, sobre tudo futebol.

“O clima é bem caseiro e tem que ser, né? A gente cria muita amizade a bordo, porque passa a metade da nossa vida aqui”, diz ele, que já trabalha embarcado há oito anos e também aproveita a internet para, vez ou outra, saber o rendimento de seus investimentos.

Churrasco e festas

Para quem é brasileiro, é comum fazermos churrasco, principalmente aos domingos para socializar, não é verdade? Na plataforma também há esse tipo de atividade, mas só que a cerveja tem que ser sem álcool. Além disso, também há rodízios de pizzas e cultos evangélicos neste dia, os pastores são montadores de andaimes. A cada 15 dias há comemoração dos aniversariantes no mês com tudo o que tem direito.

Bruna Pacheco, é funcionária da MODEC e sua função é de operadora de produção, que alias é uma das poucas mulheres a bordo. Ela diz que seu trabalho é pesado, mas ela gosta do que faz:  “Eu sou de Macaé e sempre vi meu pai trabalhar offshore. Já no ensino médio, eu sempre tive essa referência, sempre quis trabalhar nessa área”, diz ela, que acredita que o trabalho em alto mar não é para qualquer um. “Tem um pouco de aventura e é hostil se você for pensar nos riscos. Tem também a distância da família, o confinamento”.

Ela relata que gosta muito de fazer academia, assistir filmes, fazer e ler sobre atividades religiosas “A academia, para mim, é uma necessidade, porque sempre gostei de extravasar me exercitando. Apesar de estar me esforçando fisicamente, eu relaxo na academia”.

Lucas Azevedo, Técnico de Segurança da Modec, diz que embarca a 3 anos e ganhou muito peso devido a disponibilidade de comida 24 horas por dia. “Aqui a gente come muito. Se não for para a academia, está morto”, brinca. Para ele, a grande dificuldade é a passagem de datas comemorativas, como o Natal e o Ano Novo. “A ceia aqui é muito boa, com camarão, lagosta. Nunca comi tão bem. Mesmo assim, é a pior parte. Sinto muita falta da minha mãe e dos meus irmãos, principalmente no meu aniversário”.

Convivência com gringos no FPSO

Lucas que é morador do município de Nova Friburgo-RJ, diz que a falta do inglês o impedia de conseguir um trabalho offshore, mas ele superou esta dificuldade da seguinte forma: “Em 2014, eu decidi que me dedicaria a isso, peguei todas as minhas reservas e fui para o Canadá. Passei oito meses estudando inglês e, logo quando voltei, consegui o emprego”, conta. Seu chefe direto na plataforma é um sul-africano, com quem Lucas só conversa em inglês, muitas vezes traduzindo as orientações para outros funcionários.

85% dos funcionários a bordo são brasileiros, o restante é composto de estrangeiros. Um verdadeira mistura de pessoas e culturas de diferentes que têm como base a lingua inglese como intercâmbio. Há pessoas da Polônia, Ucrânia, Cingapura, Itália, Índia e Filipinas. “A troca de culturas aqui é muito grande. Para trabalhar aqui, tem que aprender a respeitar coisas que não são do nosso costume”. Diz Lucas.

Osvaldo Kawakami, que é o gerente de Produção da Petrobras a bordo do FPSO Cidade de Itaguaí, diz que nos anos 80 nem sonhava com estas comodidades que  eles tem hoje em dia e as horas de descanso eram preenchidas jogando baralho ou pescando. “Se eu fosse comparar, antes era um hotel de uma estrela, e hoje é de cinco”, diz ele. “Não tinha restrição à pesca, e o que a gente fazia era pescar, jogar baralho, dama, xadrez. Hoje, eles jogam videogame. A rotina dos trabalhadores mudou muito. Costumávamos jogar muito carteado, totó, sinuca. A angústia toda era saber como estava o mundo, como estava a família”, diz ele, que também se recorda da sensação de uma noite silenciosa em alto-mar. “A sensação de calma e tranquilidade é absurda. Eu sempre digo que em nenhum lugar do mundo vi um pôr do sol ou um nascer do sol como o de uma plataforma”.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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