Empresa usa drones, bolas de sementes e análise de dados para acelerar projetos de restauração ambiental em áreas degradadas, com testes na Amazônia peruana, na Califórnia e planos de expansão para outros países.
A restauração de áreas degradadas vem incorporando drones capazes de lançar centenas de bolas de sementes por minuto em terrenos onde o plantio manual pode exigir mais tempo, equipes maiores ou acesso físico difícil.
A tecnologia é desenvolvida pela Flying Forests, empresa de Reno, no estado americano de Nevada, fundada pelo ex-engenheiro da NASA Lauren Fletcher e por Irina Fedorenko-Aula.
Em publicação de 8 de janeiro de 2026, a NASA Spinoff informou que o sistema pode disparar 300 bolas de sementes por minuto, com precisão de cerca de meia jarda, o equivalente a pouco menos de meio metro.
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A proposta da empresa é usar o plantio aéreo como alternativa complementar em projetos de recuperação de solos empobrecidos, áreas mineradas, regiões atingidas por incêndios e pequenas propriedades rurais.
Segundo Fletcher, quatro drones poderiam plantar até 40 milhões de árvores por ano, caso operassem em escala suficiente.
A estimativa é apresentada como potencial operacional, não como resultado já alcançado em campo.
O uso da tecnologia voltou a aparecer em projetos de restauração em 2026.
Em março, a Sugar Pine Foundation, organização voltada à recuperação florestal na Califórnia, relatou uma ação de plantio com drones da Flying Forests em área afetada pelo incêndio de Loyalton, usando sementes nativas de pinheiro Jeffrey.
De acordo com a entidade, os drones carregam de 500 a 700 bolas de sementes quando estão totalmente abastecidos, com cerca de 15 quilos de peso total.
O caso mais detalhado citado pela NASA ocorreu no início de dezembro de 2024, na Amazônia peruana, perto de Puerto Maldonado, na região de Madre de Dios, próxima à fronteira com a Bolívia.
Após uma semana de chuva intensa, 20 soldados do Exército peruano ajudaram Fletcher a preparar 20 mil bolas de sementes para recuperar uma área degradada pela mineração de ouro.
Quando houve uma pausa na chuva, o plantio aéreo levou cerca de uma hora e meia.
Um único drone equipado com lançador rápido espalhou as 20 mil cápsulas sobre uma área de 25 acres, o equivalente a pouco mais de 10 hectares de solo arenoso e empobrecido.
As bolas continham sementes de Crotalaria, uma leguminosa resistente usada como cobertura inicial para proteger e melhorar o solo antes da introdução de outras espécies nativas.
Tecnologia de reflorestamento une drones e experiência da NASA
A trajetória de Fletcher ajuda a explicar a combinação de ciência ambiental, robótica, sensoriamento remoto e biologia no projeto.
Durante cerca de 20 anos de carreira ligada à NASA, ele trabalhou em programas de ciências da vida no Ames Research Center, no Vale do Silício, na Califórnia.
Segundo a agência espacial americana, sua atuação incluiu projetos relacionados ao estudo de plantas e animais em ambiente espacial.
Fletcher afirma que o desenvolvimento desse tipo de tecnologia parte da compreensão do organismo que se pretende cultivar.
“Você precisa entender a biologia primeiro e, depois, projetar a engenharia para corresponder à biologia que está tentando apoiar”, disse ele à NASA Spinoff.

Essa lógica aparece no desenho das bolas de sementes.
Elas não são apenas sementes lançadas do alto.
Cada cápsula reúne uma base semelhante à argila, nutrientes e componentes para reduzir a predação por animais, como alho ou pimenta-caiena, conforme o ambiente.
O conceito de envolver sementes em pequenas bolas de barro é antigo, mas o modelo da Flying Forests combina essa técnica com drones, mapas digitais e análise de dados.
Antes dos voos, a empresa cruza imagens de satélite, registros feitos por drones, levantamentos de solo e informações sobre relevo e disponibilidade de água.
A inteligência artificial é usada para identificar padrões em grandes volumes de dados e ajudar na elaboração de mapas de plantio.
A escolha das espécies, o tamanho das cápsulas e a densidade de lançamento dependem das condições ecológicas e do objetivo de cada área.
Plantio aéreo busca alcançar áreas de difícil acesso
O reflorestamento tradicional costuma depender de viveiros, transporte de mudas, equipes de campo e acesso físico ao terreno.
Esse modelo continua sendo usado em diferentes projetos, especialmente quando a sobrevivência das plantas exige acompanhamento próximo.
Em áreas remotas, queimadas, alagadas, contaminadas ou degradadas por mineração, porém, o trabalho pode exigir maior custo logístico.
A Flying Forests tenta atuar nesse segmento com um sistema de plantio aéreo.
O drone permite alcançar trechos de acesso difícil, espalhar sementes rapidamente e reduzir parte das etapas iniciais de implantação.
Fletcher afirma que há sistemas concorrentes com precisão maior, mas diz que sua prioridade é ampliar a distribuição e reduzir custos por meio da velocidade de lançamento.
“Meu sistema busca maior distribuição e menor custo ao aumentar a taxa de plantio”, disse ele.
O modelo de negócios também foi apresentado pela empresa como um diferencial em relação a projetos centralizados de grande escala.
A Flying Forests afirma trabalhar com uma lógica de franquia, treinando organizações locais que já atuam com restauração ambiental.
A proposta inclui capacitar operadores de drones, técnicos, analistas de sensoriamento remoto, fabricantes de bolas de sementes e gestores nas próprias regiões atendidas.
A restauração florestal, no entanto, não depende apenas do equipamento.
Especialistas da área costumam apontar que a escolha de sementes adequadas, o conhecimento ecológico local, a manutenção e o monitoramento influenciam diretamente os resultados de projetos de recuperação.
Por isso, a empresa afirma buscar parcerias com equipes que conhecem o território, as espécies e a relação com governos locais.

Flying Forests testa expansão em projetos de reflorestamento
Nos primeiros cinco anos, a Flying Forests realizou demonstrações no Panamá, no Peru e no Quênia, com cerca de 200 mil árvores plantadas, segundo a NASA Spinoff.
A empresa também informou que projetos maiores estão em andamento no Peru, no Brasil, na Indonésia e nas Bahamas, além de conversas com outros parceiros.
Fletcher disse esperar operações comerciais completas em pelo menos dois países até o fim de 2026.
A afirmação indica uma meta empresarial, e não uma confirmação de que todos os projetos já estejam operando em larga escala.
O financiamento pode vir de créditos de carbono, governos, fundações, proprietários rurais e outras fontes, de acordo com o modelo descrito pela companhia à NASA.
O plantio de árvores é frequentemente associado à captura de carbono, mas Fletcher apresenta a tecnologia dentro de um conceito mais amplo, o de recuperação de serviços ecossistêmicos.
A expressão se refere a funções ambientais como regulação de chuvas, proteção do solo, ciclagem de nutrientes, suporte à agricultura e preservação de rios e áreas costeiras.
Na operação da Amazônia peruana, o objetivo inicial não era formar uma floresta completa a partir de um único voo.
A primeira etapa consistiu em reconstruir uma base ecológica mínima em solo degradado pela mineração.
Nesse contexto, a Crotalaria foi usada como espécie pioneira para cobrir o terreno e melhorar as condições antes da introdução de plantas nativas mais exigentes.
A comparação com um “helicóptero de sementes” ajuda a descrever o funcionamento visual da tecnologia, mas o resultado depende de fatores posteriores ao lançamento.
Entre eles estão chuva no período adequado, escolha correta das espécies, qualidade das cápsulas, proteção contra predadores, acompanhamento técnico e participação de organizações que atuam perto das áreas restauradas.
A expansão desse tipo de plantio aéreo ainda depende de comprovação em diferentes biomas, custos competitivos e acompanhamento da sobrevivência das plantas ao longo do tempo.

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