Gangzi mora sozinho em uma cidade pequena na China e trabalha como entregador. Com 100 renminbi, valor que ele mesmo declara equivaler a um dia de trabalho local, foi a um supermercado econômico e registrou tudo. O carrinho que montou por US$ 16 vai durar três dias.
Gangzi saiu de casa pedalando a bicicleta elétrica. O supermercado fica a 3 km. O calor estava em 35°C e ele foi assim mesmo, com 100 renminbi no bolso. No vídeo publicado no canal Gangzi, no YouTube, em maio de 2026, ele explica que esse valor corresponde ao que as pessoas ganham por dia na região onde vive, na China. A missão era simples: descobrir o que esse único dia de salário consegue colocar na mesa. O resultado é uma lista de compras que vai custar ao brasileiro muito mais do que parece à primeira vista.
Gangzi não está filmando em Xangai nem em Pequim. Está numa cidade que ele mesmo descreve como pequena e comum, num supermercado econômico de bairro, com um carrinho e 100 renminbi. Cada item que entra no carrinho tem o preço anotado e exibido na câmera. Nada é estimado. Nada é inventado.
O que 100 renminbi colocam no carrinho na China

Gangzi comprou quantidade suficiente para três dias por apenas 63 centavos. Na sequência, 30 ovos por US$ 2,40, o que dá 8 centavos por unidade. A carne de porco, a mais comum na culinária local, entrou no carrinho no corte mais barato disponível.
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O restante incluiu tofu a 30 centavos a caixa, leite fresco a US$ 1,40 o litro, uma sacola grande de pão por US$ 1,40 e pimentões verdes a 42 centavos por 500 gramas. A melancia foi cortada na hora por US$ 1,81, com colher grátis. No caixa, o total bateu US$ 16. Sem o coco que consumiu dentro do supermercado, teria ficado em exatamente US$ 14,50 pela previsão dele de três dias de comida. A geladeira, de volta em casa, estava quase cheia.
O coco que ele tomou dentro do supermercado
Uma das cenas mais reveladoras não aconteceu no caixa. Gangzi tirou um coco do carrinho na área de descanso do supermercado, abriu ali mesmo, consumiu parte, colocou a rolha de volta e levou o restante para casa. Na saída, mostrou o código de barras ao caixa e pagou normalmente. Ele explica no vídeo que é um procedimento que pratica com frequência naquele estabelecimento. O supermercado não proíbe. Não há constrangimento, não há segurança olhando torto.
Esse detalhe pequeno diz algo maior sobre a relação entre consumidor e comércio naquele contexto. Gangzi não fez nada escondido. Foi tudo aberto, natural, registrado na câmera sem hesitação. Para ele, é rotina.
O almoço fora: US$ 2,50 por uma refeição completa
Depois das compras, Gangzi foi almoçar em um restaurante local. Pediu um prato regional de carne de porco, uma porção de vegetais verdes e um rolinho de alga marinha. O arroz é servido de graça à vontade e a maioria das pessoas, segundo ele, pede até duas tigelas. O total da refeição foi de US$ 2,50.
Ele mesmo pondera no vídeo que o restaurante era um pouco caro para os padrões locais. Em uma barraquinha de rua, a mesma combinação custaria no máximo US$ 1,50. Essa escala é o que torna o experimento revelador: o que Gangzi classifica como refeição cara, o brasileiro médio reconheceria como barato em qualquer lanchonete de bairro.
A conta que não fecha da mesma forma no Brasil
O experimento de Gangzi não foi desenhado para fazer comparação internacional. Ele foi comprar comida. Mas os preços que registrou na câmera falam por si. Arroz a 28 centavos de dólar por 500 gramas. Trinta ovos por US$ 2,40. Uma sacola de pão por US$ 1,40. Tudo isso comprado com o equivalente a um único dia de trabalho, e ainda sobrou troco.
No Brasil, quem vai ao supermercado com o equivalente a um dia de salário mínimo sai com um carrinho sensivelmente mais vazio. Não porque os brasileiros comam mal ou comprem errado, mas porque a proporção entre o que se ganha por dia e o que os alimentos básicos custam funciona de forma diferente aqui. Essa diferença não é curiosidade cultural. É uma questão de estrutura de preços, de política agrícola e de para onde vai o que o país produz.
Uma compra simples com uma pergunta difícil de responder
Gangzi não foi ao supermercado para fazer análise econômica. Ele foi comprar comida para três dias com o que tinha no bolso. Mas o que filmou sem pretensão é um retrato direto de como o poder de compra alimentar funciona de formas radicalmente diferentes dependendo de onde você vive e do que você ganha.
A pergunta que o vídeo deixa no ar não é sobre qual país é melhor ou pior. É sobre por que o trabalhador brasileiro, que vive num dos maiores produtores de alimentos do mundo, encontra dificuldade crescente para encher o próprio carrinho com o que ganha por dia. Gangzi encerrou o vídeo com uma pergunta simples para quem assistia: “Quanto custa um coco onde você mora?” A resposta, dependendo de onde você lê isso, já diz tudo.
O vídeo é do canal Gangzi, no YouTube (youtube.com/@Chineseruralareas), dedicado a registrar o cotidiano de um entregador que mora sozinho em uma cidade pequena da China.
Você foi às compras recentemente e saiu com a sensação de que o carrinho custou mais do que deveria? Conta nos comentários quanto você gastou e o que levou para casa.


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