A erupção de 2026 no Piton de la Fournaise já é a mais longa e intensa do ano, com lava basáltica acima de 1.100°C, plumas ácidas no litoral e um novo delta que estendeu a costa
O vulcão Piton de la Fournaise, na Ilha da Reunião, voltou a mostrar por que é um dos mais ativos do mundo. A erupção iniciada em 13 de fevereiro de 2026 não só manteve o ritmo por semanas como também gerou um rio de lava que desceu pela encosta, atravessou uma rodovia e chegou ao Oceano Índico, criando terra nova em tempo real.
O que chama atenção nesta fase do vulcão é a combinação de duração e volume. Pesquisadores apontam que a erupção parece mais longa e com mais lava do que o habitual, e isso pode estar ligado ao início de um novo ciclo de atividade, já que o ciclo anterior teria terminado em julho de 2023.
Onde fica o vulcão e por que a Ilha da Reunião é tão ativa
A Ilha da Reunião fica a cerca de 700 quilômetros a leste de Madagascar, no Oceano Índico. Ela se formou por um ponto quente no manto oceânico e emergiu há cerca de 2 milhões de anos, mas permanece ativa até hoje por conta das erupções frequentes do Piton de la Fournaise.
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Desde o século XVII, o vulcão já teve mais de 150 erupções documentadas. Essa regularidade explica por que o lugar mistura paisagens impressionantes com uma rotina de monitoramento constante.
Como a erupção de 2026 começou e por que virou um espetáculo

A erupção mais recente começou na caldeira Enclos Fouqué, com a abertura de quatro fissuras que alimentaram fontes de lava contínuas, chegando a alturas de 10 a 50 metros. Ao longo de fevereiro e março, a lava basáltica escorreu pelo vulcão, avançou por áreas florestais e gramadas e seguiu na direção do lado leste da ilha.
Imagens térmicas registradas em 28 de março de 2026 mostram a lava fluindo para leste em direção ao oceano. O contraste é nítido: canais brilhantes de calor contra vegetação e rochas mais frias, revelando a frente do fluxo e pontos quentes onde a lava reaparece na superfície.
O dia em que a lava cruzou a estrada e mudou a logística local
O avanço do vulcão não ficou restrito a áreas remotas. Em 13 de março, a lava abriu caminho pela Route Nationale 2, a RN2, tornando trechos intransitáveis e evidenciando como um evento natural pode redesenhar rotas em poucas horas.
Esse tipo de episódio reforça a natureza dupla do Piton de la Fournaise: ao mesmo tempo que cria paisagens, ele impõe interrupções e risco real para infraestrutura.
Quando a lava entrou no mar e o que é o laze

Em 16 de março, a lava começou a transbordar para o Oceano Índico. Esse encontro entre rocha incandescente e água do mar gerou plumas ácidas de vapor e gases vulcânicos conhecidas como laze, um efeito típico quando a lava entra no oceano.
Cientistas em campo mediram temperaturas da lava entre 1.100 e 1.130°C à medida que ela se aproximava do litoral. Levantamentos térmicos também indicaram que a temperatura da água ultrapassou 36°C até 600 metros do ponto de entrada.
A nova faixa de terra que surgiu no litoral
O avanço do vulcão não só atingiu o mar como começou a construir solo. Em 24 de março, o material que entrava no oceano já havia criado um novo delta de lava que estendeu a linha costeira em 190 metros.
É literalmente a ilha crescendo, com uma borda recém-formada onde antes havia apenas água.
Por que esta erupção pode marcar um novo ciclo do vulcão
Pesquisadores apontam que a erupção atual parece ser mais longa e ter produzido um volume de lava maior do que o habitual, características frequentemente associadas ao início ou ao fim de um ciclo eruptivo. O ciclo mais recente teria começado em 2014, culminado em 2015 e terminado em julho de 2023.
Nesse contexto, a atividade de 2026 pode ser o sinal de um novo período de erupções frequentes no vulcão, o que torna o monitoramento ainda mais importante nos próximos meses.
O que os satélites mostram e por que as imagens são tão valiosas
Além das imagens térmicas, registros de alta resolução mostram detalhes como vegetação queimando no caminho da lava, possíveis túneis de lava se formando, estradas cortadas e a criação de novas terras na costa. Essas séries de imagens ajudam a acompanhar a evolução do fenômeno e a medir a extensão do impacto.
Ver a costa mudando em questão de dias é um lembrete de que, em lugares como a Ilha da Reunião, a geografia não é algo fixo.
Você acha que a formação de terra nova por um vulcão é mais fascinante ou mais assustadora de acompanhar de perto?


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