A turbina eólica em Brandemburgo sobe com sistema telescópico, busca ventos mais fortes acima de 300 metros e promete elevar a geração anual com produção mais estável
A turbina eólica mais alta do mundo está sendo erguida em Schipkau, uma pequena cidade de Brandemburgo, na Alemanha, em uma área marcada por décadas de mineração de carvão. O projeto simboliza uma virada concreta para a energia limpa, com um canteiro dominado por guindaste gigante, vigas de aço e um mastro treliçado que cresce em direção ao céu.
Se tudo sair como planejado, a turbina eólica deve ficar conectada à rede elétrica no fim de 2026. A estrutura aposta em um conceito simples e ambicioso: capturar ventos mais fortes e constantes em altitudes acima de 300 metros para produzir mais energia com maior previsibilidade.
Por que uma turbina eólica de 360 metros muda o jogo
Quando concluída, a turbina eólica terá 360 metros de altura, equivalente a um prédio de 100 andares. Ela deve se tornar a segunda estrutura mais alta da Alemanha, atrás apenas da torre de televisão de Berlim, com 368 metros.
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A vantagem de subir tanto é direta. O vento tende a soprar com mais força e constância em grandes altitudes, o que pode permitir a produção de mais energia eólica, inclusive em regiões onde o vento ao nível do solo é fraco.
O sistema telescópico que permite construir tão alto
Uma pergunta aparece automaticamente: como levantar uma turbina eólica tão estreita e autoportante a essa altura se guindastes convencionais não dão conta da tarefa?
A solução descrita na base é um dispositivo telescópico patenteado. Primeiro, a turbina chega a cerca de 150 metros. Depois, o sistema telescópico eleva a estrutura até 300 metros e segue operando para alcançar a altura máxima do projeto.
Os desafios na obra e a meta de ligar ainda em 2026
A construção da turbina eólica enfrentou obstáculos. No fim de 2025, foram identificados problemas em peças de aço, o que levou à paralisação do avanço. A obra foi retomada, com a empresa destacando que segurança e qualidade são prioridades absolutas em um projeto descrito como único no mundo.
Com o ritmo recuperado, o cronograma trabalha com a conexão da turbina eólica à rede elétrica no fim de 2026, colocando o empreendimento no centro das apostas por geração renovável em escala e em altitudes inéditas.
Quanta energia a turbina eólica deve gerar e quanto custa produzir
A empresa responsável afirma esperar uma produção anual de 30 a 33 gigawatts-hora. O custo de produção projetado é de menos de cinco centavos de dólar por quilowatt-hora.
O ganho em relação a turbinas convencionais da região é apontado como expressivo, com aumento estimado de 220%.
A produção anual, segundo a base, poderia abastecer cerca de 7.500 residências com quatro pessoas, um recorte que ajuda a dimensionar a escala do projeto.
A medição de vento que sustentou a aposta nos 300 metros
A lógica da turbina eólica de grande altitude não foi colocada no papel sem teste. A pedido da beventum GmbH, subsidiária da Agência Federal para Inovações de Alto Desempenho, a empresa instalou um mastro de medição de vento na cidade vizinha de Klettwitz.
Os resultados indicaram que o vento sopra de forma mais forte e constante a 300 metros do que na altura típica de turbinas convencionais. É essa diferença que sustenta a tese de que torres mais altas podem ampliar a geração em áreas com vento terrestre mais fraco.
Por que a turbina eólica interessa a países europeus com menos vento
Grandes regiões da Europa, do leste da Polônia à Península Ibérica, enfrentam dificuldade para aproveitar a energia eólica por conta de ventos terrestres fracos. A ideia das torres de grande altitude é abrir uma alternativa: gerar com mais estabilidade onde turbinas convencionais rendem pouco.
A visão estratégica apresentada na base é clara: a Europa precisa de uma posição forte na construção de turbinas eólicas para proteger sua própria produção de energia, reduzindo vulnerabilidades externas e ampliando a autonomia do sistema.
O cenário de carvão vira polo híbrido com vento e solar
Schipkau fica na Lusácia, região historicamente associada ao carvão, mas que agora incentiva projetos de energia limpa com espaço, infraestrutura e apoio político. A proposta de longo prazo vai além de uma única estrutura.
O local deve virar uma usina híbrida, com dois níveis de energia eólica e um parque solar no solo. A base afirma que essa utilização tripla pode quintuplicar a produção de energia em comparação com o uso exclusivo da energia solar, além de favorecer geração ao longo de todo o ano.
O gargalo da rede elétrica e o desperdício de energia limpa
O avanço da energia renovável esbarra em um problema crescente: redes elétricas obsoletas não acompanham a expansão.
Na Alemanha, isso cria uma ironia cara: quando entra mais eletricidade no nordeste do país, região com muitos ventos, do que a transmissão consegue levar ao sul, onde o consumo é alto, as turbinas precisam reduzir produção ou desligar.
A base cita uma análise do jornal Tagesspiegel apontando que cerca de 9,3 terawatts-hora de energia eólica foram perdidos em 2023, com custos de gestão do congestionamento chegando a quase 3 mil milhões de euros, repassados aos consumidores por taxas de rede.
A aposta é que a turbina eólica de grande altitude pode aliviar esse dilema no longo prazo ao permitir uma expansão mais descentralizada, já que ventos mais uniformes em altitude podem viabilizar geração econômica em mais lugares.
A Europa acelera a energia eólica e a Alemanha puxa o ritmo
No fim de 2025, havia cerca de 304 gigawatts de energia eólica instalados em terra e no mar na Europa. A Alemanha liderava com 77,7 gigawatts, seguida pelo Reino Unido com 31,6 gigawatts e pela Espanha com 31,2 gigawatts.
Em capacidade recém-instalada, a Alemanha adicionou 5.735 megawatts em 2025, mais do que qualquer outro país europeu naquele ano.
E o movimento continua: o governo apresentou o Programa de Proteção Climática 2026 com 67 medidas para economizar mais 25 milhões de toneladas de CO₂ até 2030, além de prever mais leilões e 12 gigawatts de energia eólica em licitação para conexão à rede elétrica até 2030.
Você acha que uma turbina eólica tão alta vai virar padrão na Europa ou vai seguir como exceção por custo e complexidade?

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