Estudo da Universidade RMIT revela que resíduo de café convertido em biochar reforça o concreto, reduz uso de areia natural e oferece alternativa sustentável para a construção civil global
Presente no cotidiano brasileiro, a borra de café ganhou nova aplicação após pesquisadores da Universidade RMIT demonstrarem que o resíduo pode elevar em até 30% a resistência do cimento, na Austrália, ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais da construção civil.
Resíduo cotidiano com potencial estrutural
A pesquisa relaciona o descarte massivo de resíduos orgânicos ao desafio de tornar a construção civil menos dependente de recursos naturais finitos.
Segundo os pesquisadores, o mundo produz cerca de 10 bilhões de quilos de resíduos de café por ano, majoritariamente destinados a aterros sanitários.
-
Rede subterrânea de fungos tem 110 quatrilhões de quilômetros de extensão e revela uma infraestrutura invisível maior do que se imaginava
-
Mansão sustentável no Colorado feita com mais de 1.500 pneus reciclados, barro, latas e garrafas tem 414 m², energia solar, sensores de chuva, estábulo com 23 baias e está à venda por US$ 1,3 milhão
-
Uma floresta tropical quase três vezes maior que Paris foi devastada para abastecer uma cadeia de embalagens rotuladas como “carbono neutro”, enquanto uma investigação internacional rastreou a madeira desde áreas desmatadas em Bornéu até fábricas de celulose e produção de caixas usadas por grandes marcas do setor de saúde
-
Mato Grosso acaba de assinar um plano que pode mudar silenciosamente a origem da madeira usada pela indústria e transformar florestas plantadas em peça-chave do abastecimento sustentável até 2040
Nesses locais, a decomposição da borra libera gases como metano e dióxido de carbono, intensificando processos associados às mudanças climáticas globais.
O estudo propõe reaproveitar esse material abundante, transformando um passivo ambiental em insumo com valor técnico e estrutural.
Processo transforma borra em biochar
Para viabilizar o reaproveitamento, a equipe desenvolveu um processo de pirólise, no qual a borra é aquecida acima de 350 °C.
O aquecimento ocorre sem presença de oxigênio, impedindo combustão e resultando em um material estável e rico em carbono.
Esse produto, chamado biochar, possui estrutura porosa, característica essencial para interação com outros componentes do cimento.
Após processado, o biochar é incorporado às misturas, substituindo parte da areia natural utilizada tradicionalmente.
Impacto direto no desempenho do concreto
Os testes iniciais indicaram que o concreto com biochar apresentou ganho de resistência de até 30% em comparação ao material convencional.
Além do desempenho mecânico, a substituição parcial da areia reduz a pressão sobre um recurso considerado cada vez mais escasso.
A areia é um dos principais insumos da construção civil, com extração associada a impactos ambientais relevantes.
Com isso, o uso da borra de café contribui simultaneamente para eficiência estrutural e construção mais sustentável.
Avaliação técnica e próximos passos
De acordo com a engenheira Shannon Kilmartin-Lynch, o reaproveitamento do resíduo abre novas possibilidades para o setor da construção.
“Nossa pesquisa ainda está em desenvolvimento, mas os resultados mostram uma forma inovadora de reduzir resíduos orgânicos em aterros”, afirmou a engenheira.
Apesar dos resultados iniciais, os cientistas destacam que a tecnologia ainda se encontra em fase experimental.
As próximas etapas incluem avaliar durabilidade, resistência à umidade, variações térmicas, desgaste e absorção de água.
Paralelamente, a equipe analisa outros resíduos orgânicos com potencial semelhante, ampliando alternativas sustentáveis para materiais de construção no futuro.
Com informações de Diário do Comércio.

-
2 pessoas reagiram a isso.