COP30 impulsiona debate sobre inovação climática no Brasil com lançamento de relatório inédito que expõe barreiras de financiamento, entraves regulatórios e oportunidades para o crescimento das climatechs.
Durante a COP30, um novo panorama sobre inovação climática no país veio à tona. O Fórum Brasileiro de Climatechs apresentou, em parceria com a Agrotools e a ComBio, um relatório inédito que detalha os principais gargalos enfrentados pelas empresas de tecnologia voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
O estudo, denominado “Unlocking Brazil’s Climate Tech Potential”, foi lançado em 17 de novembro na Casa ComBio, localizada na Ilha do Combú, em Belém (PA), em um encontro que reuniu empreendedores, investidores e lideranças da transição verde.
Um mapeamento sem precedentes sobre o ecossistema climatech
O documento foi produzido em coautoria com a Climate Ventures e integra a iniciativa global CATAL1.5°T, da GIZ. A análise mostra, de forma contundente, que o Brasil ainda enfrenta obstáculos expressivos para escalar soluções climáticas, apesar de possuir enorme potencial ambiental e científico.
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Entre os pontos centrais, o relatório aponta que o acesso a financiamento continua limitado, que ainda há falta de infraestrutura adequada e que os gargalos regulatórios seguem freando a expansão das climatechs. Esses fatores, somados, impedem que o país consolide um protagonismo global na inovação climática — algo que, segundo especialistas, seria natural diante da biodiversidade e da matriz energética limpa que já o distinguem.
Além disso, apenas 0,8% dos US$ 92 bilhões destinados às climatechs em 2024 chegaram à América Latina. Mesmo assim, o Brasil se destaca: quase 14% das startups nacionais estão ligadas à transição verde.
Setores estratégicos crescem, mas dependem de coordenação e políticas amplas
O estudo identificou áreas de expansão acelerada, como:
- agricultura sustentável
- florestas e uso da terra
- gestão de resíduos
- energia limpa
- indústria de baixo carbono
- saneamento
Contudo, embora esses mercados estejam se desenvolvendo, o relatório adverte que a falta de alinhamento entre políticas públicas, investimentos e validação tecnológica ainda impede uma evolução mais robusta.
Por isso, mecanismos de integração e cooperação institucional são apontados como peças-chave para o amadurecimento do setor.
Soluções propostas: do financiamento híbrido aos sandboxes regulatórios
Para superar os gargalos mapeados, o documento recomenda ações concretas. Entre elas estão:
- criação de instrumentos financeiros híbridos
- ampliação de sandboxes regulatórios
- compras públicas verdes
- expansão de modelos de blended finance
Tais medidas poderiam reduzir riscos, atrair capital privado e acelerar a adoção das soluções desenvolvidas pelas climatechs brasileiras.
O relatório também ressalta o papel estratégico de hubs de inovação, academia, filantropia e meios de comunicação, que podem fortalecer a difusão de conhecimento e dar sustentação à agenda climática no país.
COP30 evidencia a Amazônia como centro da inovação e da nova economia verde
O lançamento do relatório ocorreu em um ambiente simbólico. A Casa ComBio, na Ilha do Combú, foi escolhida para destacar a Amazônia como ponto de convergência entre tecnologia, biodiversidade e desenvolvimento sustentável.
O encontro contou com demonstrações tecnológicas da Agrotools, sessões de networking e uma programação cultural que uniu culinária amazônica e ambientação musical, reforçando a imersão no território.
Segundo o Fórum Brasileiro de Climatechs, essas empresas representam uma engrenagem vital da economia verde, capazes de impulsionar competitividade, reindustrialização sustentável e geração de empregos qualificados.
