1. Início
  2. Petróleo e Gás
  3. Montadores do consórcio TEM Boaventura puseram de pé em Itaboraí (RJ) um reator de 997 toneladas, o primeiro da unidade que vai tirar diesel S-10 e QAV do petróleo pesado
Faça um comentário 4 min de leitura

Montadores do consórcio TEM Boaventura puseram de pé em Itaboraí (RJ) um reator de 997 toneladas, o primeiro da unidade que vai tirar diesel S-10 e QAV do petróleo pesado

Imagem de perfil do autor Paulo Nogueira
Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 05/11/2026 às 04:55 Atualizado em 05/11/2026 às 05:20
Google News
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

O consórcio TEM Boaventura ergueu e posicionou o primeiro reator da unidade de hidrocraqueamento catalítico do Complexo de Energias Boaventura, o antigo Comperj, em Itaboraí (RJ).

O equipamento pesa cerca de 997 toneladas. Para colocá-lo de pé, as equipes usaram o PT50, apontado como o maior guindaste terrestre em operação na América Latina, com capacidade nominal de 2 mil toneladas.

O consórcio é formado pelas empresas Tenenge, EGTC e Mota-Engil, segundo o Petronotícias.

Para que serve o reator.

A unidade de hidrocraqueamento catalítico, conhecida pela sigla HCC, processa as frações mais pesadas do petróleo e as transforma em produtos de maior valor.

Os principais são o diesel S-10, de baixo teor de enxofre, e o querosene de aviação, o QAV, que abastece os aviões comerciais.

Na prática, é a peça que transforma a parte mais difícil do barril em combustível que o país hoje ainda precisa importar em parte.

Dezenas de trabalhadores de macacão laranja e colete verde observam um reator cilíndrico ser erguido por guindastes vermelhos gigantes
Equipes acompanham o içamento do reator no Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ) (Divulgação/Consórcio TEM Boaventura, via Petronotícias)

Como a peça foi posta de pé.

O reator chegou deitado. Para virá-lo na vertical, o consórcio usou um tailing frame montado sobre SPMTs, os transportadores modulares autopropelidos usados para mover cargas gigantes.

O tailing frame é uma estrutura metálica auxiliar que segura, guia e gira a parte de baixo da peça, a chamada cauda, enquanto o guindaste levanta o topo.

Segundo o consórcio, o sistema dá controle, estabilidade e segurança em todas as etapas da movimentação, uma manobra que exigiu um longo trabalho de planejamento e engenharia.

O guindaste de 2 mil toneladas.

O PT50 tem capacidade nominal de 2.000 toneladas, o dobro do peso do reator. O uso do equipamento, segundo as empresas, mostra o tamanho e a complexidade técnica da operação.

Nas fotos divulgadas, aparecem as lanças vermelhas do guindaste e dezenas de trabalhadores acompanhando a subida da peça no canteiro.

O que diz o consórcio.

“O içamento do primeiro reator representa um marco muito importante para o projeto e é resultado do esforço conjunto de dezenas de profissionais envolvidos nas etapas de planejamento, engenharia e execução”, disse Antenor de Castro.

Castro é o diretor do contrato. “Uma operação dessa magnitude demonstra a competência das nossas equipes e reforça a confiança no sucesso do empreendimento”, completou, segundo a TN Petróleo.

O consórcio afirma que a conclusão da manobra representa um avanço significativo no cronograma da obra.

Reator cilíndrico já na posição vertical ao lado da lança vermelha de um guindaste, com trabalhadores de capacete na base
O reator já de pé, ao lado da lança do guindaste PT50 (Divulgação/Consórcio TEM Boaventura, via Petronotícias)

O projeto por trás da obra.

A unidade faz parte do Projeto Refino Boaventura. Em outubro de 2025, a Petrobras assinou cinco contratos de R$ 9,6 bilhões para construir as unidades do projeto em Itaboraí.

O plano prevê integrar o complexo à Refinaria Duque de Caxias, a Reduc, e aumentar a produção de derivados de maior valor e baixo teor de enxofre.

Entre as metas divulgadas pela estatal estavam 20 mil barris por dia de QAV e 12 mil barris por dia de lubrificantes do Grupo II, como mostrou o Click Petróleo e Gás na época da assinatura.

Duas unidades inéditas.

O projeto inclui duas unidades novas: a de hidrocraqueamento catalítico, que recebeu agora o primeiro reator, e uma de desparafinação por isomerização com hidrogênio, a HIDW, ligada aos lubrificantes.

Na assinatura dos contratos, as duas foram apresentadas como unidades inéditas no complexo.

Do Comperj ao Boaventura.

O complexo nasceu como Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, ficou anos com obras paradas e passou por mudanças de projeto e de nome até virar Complexo de Energias Boaventura.

Vagas no mesmo canteiro.

Nesta semana, outro consórcio que atua no complexo, o HC², formado pela Heftos e pela Colares Linhares, abriu uma seleção para 27 cargos, de ajudante a engenheiro.

A lista inclui soldadores, montadores de andaime, encanadores industriais, eletricistas e instrumentistas.

O que vem depois.

O reator içado agora é o primeiro da unidade de HCC. O consórcio não informou quantos reatores ainda faltam subir nem a data prevista para a partida da unidade.

A Petrobras também não divulgou um novo cronograma para o início da produção de diesel e QAV em Itaboraí.

Você acredita que o antigo Comperj vai finalmente produzir diesel e querosene de aviação depois de tantos anos parado? Conta pra gente nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x