Baker Hughes inclui o Brasil em rede mundial com IA para aumentar a recuperação de petróleo e gás em campos maduros. Em projeto com Petrobras, empresa afirma ter realizado abandono submarino de poços em menos de 20 dias.
O Brasil foi incluído em uma nova rede mundial de centros de tecnologia criada pela Baker Hughes para aumentar a recuperação de petróleo e gás de campos que já passaram pelo auge da produção. Anunciada em 3 de novembro de 2026, durante a feira ADIPEC, em Abu Dhabi, a iniciativa vai conectar especialistas em reservatórios, operações de poços e inteligência artificial para prolongar a vida útil de ativos petrolíferos.
A companhia apresentou um resultado brasileiro para mostrar o alcance dessas tecnologias: no primeiro ano de um projeto com a Petrobras, conseguiu realizar operações de abandono de poços submarinos em menos de 20 dias, um dos menores prazos já registrados pela estatal, segundo a fornecedora. O serviço faz parte de um contrato anterior; a novidade é a inclusão do país na rede internacional Mature Assets Solutions (MAS).
Brasil entra em rede da Baker Hughes com centros de tecnologia em seis mercados
A rede anunciada pela Baker Hughes reúne centros de colaboração com clientes no Brasil, Estados Unidos, Noruega, Angola, Oriente Médio e Malásia. Cada unidade terá acesso à experiência acumulada pelas equipes da companhia em diferentes bacias petrolíferas.
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A proposta é reunir especialistas em geologia, reservatórios subterrâneos, equipamentos instalados nos poços, instalações de superfície e soluções digitais. Os operadores poderão discutir problemas específicos de seus campos e desenvolver estratégias para recuperar vazão, reduzir paradas e manter a produção economicamente viável.
O anúncio foi apresentado na ADIPEC, em Abu Dhabi. A Baker Hughes informou os mercados participantes, mas ainda não detalhou o endereço do centro brasileiro, orçamento individual de implantação ou quantidade de empregos associada à nova estrutura.
Segundo Amerino Gatti, vice-presidente executivo de Serviços e Equipamentos para Campos Petrolíferos da companhia, a rede foi concebida para combinar conhecimento técnico regional com soluções desenvolvidas em outros países. Uma técnica aplicada com sucesso a um reservatório poderá ser adaptada a operações semelhantes em outra região.
Petrobras já teve abandono de poços submarinos concluído em menos de 20 dias

O caso brasileiro citado no lançamento envolve um projeto plurianual de intervenção e abandono de poços contratado pela Petrobras. Em junho de 2024, a Baker Hughes anunciou um acordo para executar serviços em campos do pré-sal e do pós-sal, com atividades previstas para começar no primeiro semestre de 2025.
O pacote reúne operações de workover, intervenções em poços para manutenção ou recuperação de condições operacionais, e atividades de plug and abandonment (P&A), destinadas ao fechamento seguro dos poços ao fim de sua utilização.
No contrato anunciado em 2024, estão previstos serviços de perfilagem por cabo, coiled tubing, tubos flexíveis contínuos usados em intervenções, cimentação, instalação e recuperação de equipamentos e avaliações geológicas.
Durante o primeiro ano do projeto, a Baker Hughes informou ter executado operações de abandono submarino em menos de 20 dias, um desempenho que classificou entre os mais rápidos da história da Petrobras. O comunicado não especifica quantos poços alcançaram esse tempo nem apresenta um prazo médio para a campanha completa.
O fechamento definitivo exige criar barreiras que isolem fluidos e protejam o ambiente. A eficiência pode reduzir dias de mobilização de embarcações e equipamentos, mas abandonar um poço é diferente de recuperar sua produção.
Navios Blue Marlin e Blue Orca ajudam a recuperar produção offshore no Brasil

A relação entre as duas empresas inclui operações voltadas diretamente a melhorar a produtividade. Em setembro de 2025, a Baker Hughes anunciou a extensão do contrato dos navios de estimulação Blue Marlin e Blue Orca, utilizados pela Petrobras em projetos offshore nas áreas do pré-sal e pós-sal.
Essas embarcações transportam equipamentos de bombeamento, laboratórios e produtos químicos para executar tratamentos de estimulação. Os serviços podem ajudar a restaurar a passagem de petróleo ou gás das formações geológicas até o poço, reduzindo períodos de parada das unidades produtoras.
Segundo o comunicado do contrato, o Blue Marlin opera no Brasil desde 2008 e o Blue Orca, desde 2023. As embarcações também executam atividades de controle de areia e apoio à construção de poços, com parte relevante dos produtos químicos adquirida no mercado brasileiro.
O Blue Marlin possui bombas capazes de trabalhar a pressões de até 15 mil psi e sistema de posicionamento dinâmico DP-2, que mantém a embarcação sobre a área de operação. A configuração permite executar diferentes tratamentos durante uma viagem, sem retornar ao porto entre todas as etapas.
O CPG já mostrou a presença industrial da multinacional no Rio de Janeiro em reportagem sobre contratos de manutenção e serviços offshore. Essas operações anteriores ajudam a dimensionar a base que a companhia já possui no país.
Inteligência artificial vai ajudar a escolher intervenções em poços antigos
Nos campos maduros, a produção diminui ao longo do tempo porque a pressão do reservatório cai, a água passa a ocupar maior espaço nos fluidos extraídos ou equipamentos perdem eficiência. O desafio é identificar quais intervenções ainda oferecem retorno financeiro suficiente para justificar o custo.
A rede MAS pretende combinar medições de pressão e vazão, registros de poços, conhecimento geológico e modelos digitais para apoiar essa decisão. A inteligência artificial entrará como ferramenta de análise e integração de dados, junto ao trabalho de engenheiros e técnicos.
Entre as alternativas oferecidas pela Baker Hughes estão diagnósticos de integridade, limpeza de poços, tratamentos químicos, recuperação de zonas ainda produtivas, controle de água e areia e melhoria de equipamentos de elevação artificial. A escolha depende das características de cada reservatório e da infraestrutura instalada.
ANP prorrogou 34 contratos e prevê R$ 136 bilhões em investimentos nos campos
O mercado brasileiro apresenta oportunidades concretas para tecnologias que recuperam produção. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que 34 contratos de campos de produção foram prorrogados em 2025, após análises técnicas, econômicas e dos planos de desenvolvimento dos operadores.
Segundo a agência, os campos abrangidos por essas prorrogações têm previsão de R$ 136 bilhões em investimentos nos cinco anos seguintes, considerando programas de trabalho e orçamento declarados pelas operadoras. O montante não é um investimento da Baker Hughes nem foi anunciado como parte da rede MAS.
Para a regulamentação brasileira de incentivo à produção incremental, campos maduros são aqueles que produzem há pelo menos 25 anos ou já extraíram ao menos 70% dos volumes recuperáveis previstos com base nas reservas provadas. A definição ajuda a identificar projetos em que o desafio é aproveitar melhor a infraestrutura existente.
Paquistão tem 120 poços no programa e Kuwait testa recuperação em outros 11
A Baker Hughes apresentou exemplos internacionais de sua estratégia. No Paquistão, a companhia iniciou projeto plurianual com a Oil & Gas Development Company para otimizar produção e recuperação em mais de 120 poços de campos maduros.
No Kuwait, trabalha com a Kuwait Oil Company em um projeto-piloto de injeção de polímeros envolvendo 11 poços. A técnica busca melhorar o deslocamento do petróleo dentro do reservatório e aumentar a quantidade recuperada quando os métodos convencionais já não apresentam o mesmo desempenho.
A multinacional citou projeções setoriais segundo as quais campos maduros poderiam responder por cerca de 80% da produção mundial de petróleo e gás até 2030. É uma estimativa baseada em dados públicos e proprietários mencionados pela empresa, não um percentual já observado na produção global de 2026.
Rede terá o Brasil como mercado estratégico, com projetos locais ainda a detalhar
O lançamento abre uma frente comercial e tecnológica para a Baker Hughes no mercado brasileiro. A empresa já mantém contratos de intervenções, equipamentos e estimulação com a Petrobras; a nova rede pretende conectar o conhecimento acumulado no país aos centros que atuam em outras regiões.
As próximas informações relevantes serão a localização da estrutura brasileira, os projetos atendidos pela rede e os ganhos de recuperação ou redução de custos documentados em operações nacionais. O anúncio de 3 de novembro apresentou o modelo global, sem divulgar contrato adicional, meta nacional de produção ou valor específico de investimento para o Brasil.
