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Governo do Amazonas concede área à Petrobras para viabilizar novo poço em Tefé até março de 2027, enquanto estatal prevê US$ 500 milhões para projetos de petróleo e gás na região

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 04/11/2026 às 20:58 Atualizado em 04/11/2026 às 21:00
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Polo Urucu da Petrobras, na região de Coari (AM), em fotografia oficial de arquivo. A concessão de 2026 refere-se ao projeto Arara Azul 1, em Tefé, e não a esta instalação retratada. Crédito: Agência Petrobras.
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Petrobras recebe direito de uso de 26,35 hectares em Arara Azul 1, no Amazonas, para viabilizar novo poço com conclusão prevista até março de 2027. Plano de US$ 500 milhões inclui diversos projetos na região de Urucu.

A Petrobras recebeu do Governo do Amazonas o direito de usar uma área de 26,35 hectares em Tefé para viabilizar um novo poço de petróleo e gás ligado ao projeto Arara Azul 1 (ARZ-1), na região do Polo Urucu. O termo foi assinado na terça-feira, 3 de novembro de 2026, e a companhia trabalha com a previsão de concluir as atividades relacionadas ao poço até março de 2027.

A concessão foi anunciada em meio a um plano de aproximadamente US$ 500 milhões em investimentos regionais, que inclui diferentes projetos da Petrobras no Amazonas. O acordo garante a utilização de um terreno estadual, sem transferir sua propriedade para a empresa, e abre uma nova etapa de preparação para a atividade petrolífera em uma região de difícil acesso, cercada pela Floresta Amazônica.

Concessão assinada em Tefé libera uso de terreno para o projeto Arara Azul 1

Roberto Cidade e representantes da Petrobras em reunião para a assinatura do acordo de concessão do projeto Arara Azul 1 em Tefé no Amazonas
Governador Roberto Cidade e representantes da Petrobras na assinatura do termo de concessão de uso para Arara Azul 1, em Tefé (AM), em 3 de novembro de 2026. Foto: Arthur Castro/Secom-AM.

O documento, conhecido como Concessão de Direito Real de Uso (CDRU), foi assinado pelo governador Roberto Cidade, pela secretária de Estado das Cidades e Territórios, Renata Queiroz, e pela gerente-geral interina da Petrobras, Suzanna Calache, na sede do Governo do Amazonas. O imóvel fica na margem esquerda do rio Tefé, em município situado a cerca de 523 quilômetros de Manaus.

Segundo as informações detalhadas pela Sect, o terreno concedido tem 26,3522 hectares e perímetro de 2.679,390 metros. A área integra a Gleba Santos Dias, registrada no Cartório do 2º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Tefé.

O número se refere ao imóvel objeto da concessão de uso e não à extensão integral dos campos produtores ou das demais áreas petrolíferas de Urucu. O terreno continua pertencendo ao Estado, enquanto a Petrobras obtém o direito de utilizá-lo para as finalidades previstas no instrumento assinado.

Para a Sect, a assinatura representa a 15ª concessão de uso formalizada após os procedimentos administrativos, como vistoria e regularização. A medida estabelece a destinação do imóvel e as condições de utilização que deverão ser observadas pela companhia.

Petrobras trabalha para concluir novo poço até março de 2027

A Petrobras tem uma meta operacional específica para o projeto de Tefé. O gerente de Planejamento e Gestão da companhia, Eliseu Robert Lage Oliveira, informou, na divulgação da Sect, que as equipes trabalham para finalizar os serviços relacionados ao poço até março de 2027.

O cronograma faz parte do planejamento informado pela empresa, sem divulgação, até o momento, de profundidade final da perfuração, volume de reservas ou estimativa individual de produção para esse poço. A etapa fundiária é necessária para a implantação das atividades previstas no terreno e para o avanço dos processos técnicos e regulatórios.

Arara Azul já aparecia entre as áreas contempladas pela estratégia terrestre da estatal. Em abril de 2024, a Petrobras informou contratações de sondas para operações nos campos de Rio Urucu, Sudoeste de Urucu, Leste do Urucu e Arara Azul. O novo acordo com o governo estadual dá continuidade à preparação administrativa de atividades na região.

Plano de US$ 500 milhões abrange perfurações e outros projetos em Urucu

O montante de US$ 500 milhões foi apresentado pelo representante da Petrobras como parte do plano de negócios para a região, distribuído por projetos diferentes, entre eles perfurações. Portanto, o valor não corresponde ao orçamento exclusivo do poço de Arara Azul 1 nem ao preço pago pelo uso da área estadual.

Em junho de 2026, o governo já havia formalizado outras duas concessões de uso de terras em Coari, destinadas à continuidade das operações e a novos projetos petrolíferos. Na ocasião, a Petrobras mencionou um programa de 22 poços ao longo de aproximadamente três a quatro anos no conjunto das operações de Urucu.

A dimensão dos investimentos também apareceu em um anúncio oficial de maio, quando a Petrobras destinou cerca de R$ 2,5 bilhões à retomada das perfurações e à instalação de aproximadamente 40 quilômetros de linhas para conectar novos poços ao sistema de produção. As estimativas fazem parte de comunicações sobre a mesma expansão regional e não devem ser somadas como investimentos independentes.

O CPG já havia noticiado esse programa de investimentos em maio. A novidade desta semana é a concessão para um imóvel específico em Tefé, acompanhada de uma previsão para os trabalhos do poço vinculado a Arara Azul 1.

Polo Urucu produz 105 mil barris equivalentes por dia no meio da Amazônia

Vista aérea da infraestrutura da Petrobras no Polo Urucu, com tanques industriais, estruturas de processamento e floresta ao redor em Coari Amazonas
Infraestrutura de produção e processamento de petróleo e gás natural no Polo Urucu, em Coari (AM). Fotografia de arquivo de 2024, distinta da área do novo termo em Tefé. Crédito: Agência Petrobras.

O projeto está integrado à região do Polo Urucu, na Bacia do Solimões, maior província petrolífera em terra firme do Brasil. As instalações principais ficam em Coari, com atividades e áreas de concessão que também alcançam Tefé. A Petrobras atua na região desde a década de 1980, extraindo petróleo e gás natural em locais onde a logística depende de rios e infraestrutura especializada.

Segundo os dados apresentados pela companhia em maio de 2026, a produção média do polo alcança 105 mil barris de óleo equivalente por dia, medida que reúne petróleo e gás natural em uma unidade energética comparável. A estatal espera obter incremento médio de cerca de 4.400 barris por dia com as novas perfurações e conexões previstas para Urucu, considerando o programa regional de expansão.

A participação do gás no abastecimento é expressiva. De acordo com a Petrobras, o combustível produzido em Urucu viabiliza cerca de 65% da geração de eletricidade consumida em Manaus e outros cinco municípios do Amazonas. A operação também fornece gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, com volume médio equivalente a 80 mil botijões por dia, distribuído para estados do Norte e parte do Nordeste.

Produzir nessa região requer uma cadeia logística diferente da encontrada em campos próximos a grandes rodovias e centros industriais. Equipamentos, pessoal especializado e combustíveis precisam atravessar longas distâncias, enquanto a movimentação de cargas depende das condições dos rios e da infraestrutura existente.

Petrobras aponta 16 mil empregos ligados às operações no Amazonas

Durante a divulgação do novo termo, o gerente Eliseu Robert Lage Oliveira informou que a atuação da Petrobras está associada a cerca de 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos no Amazonas. Os aproximadamente 16 mil postos abrangem as operações da companhia no estado; não são vagas novas abertas exclusivamente pela concessão de Arara Azul 1.

Os números financeiros também mostram o peso econômico da companhia. Em 2025, a soma de tributos e participações governamentais destinados ao Amazonas chegou a R$ 1,5 bilhão, de acordo com dados apresentados pela Petrobras e pelo Governo do Estado. A estatal figurou como a maior contribuinte do ICMS estadual naquele ano.

Para Tefé e cidades próximas, a expectativa oficial é que os projetos movimentem serviços de transporte, fornecimento de materiais, hospedagem e alimentação. A quantidade de contratações adicionais para o poço de Arara Azul 1 ainda não foi detalhada publicamente.

Direito de uso da terra antecede licenças e controles ambientais

Uma CDRU resolve a relação jurídica de uso do imóvel público. A execução de serviços petrolíferos continua sujeita às autorizações técnicas, ambientais e regulatórias aplicáveis ao projeto. Em junho, ao tratar de outras concessões de Urucu, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que as novas iniciativas passariam pelo processo de licenciamento ambiental.

A Petrobras mantém programas de recuperação de áreas utilizadas em Urucu. Em comunicação sobre a área, a empresa registrou o plantio acumulado de mais de 1,4 milhão de mudas de espécies nativas em ações de recomposição de vegetação. As atividades ligadas ao novo poço deverão observar as exigências específicas de seu licenciamento e monitoramento.

Prazo de março de 2027 será próximo marco da concessão em Tefé

Com a assinatura de 3 de novembro, o Estado formalizou o direito de uso do terreno de Arara Azul 1 e a Petrobras apresentou o horizonte de conclusão do poço. A próxima etapa será acompanhar a execução dos trabalhos previstos, as exigências regulatórias e os resultados técnicos que a companhia vier a divulgar.

A concessão viabiliza parte da preparação de um novo projeto em uma província que já abastece parcela significativa da Região Norte. O cronograma informado aponta para março de 2027, enquanto volume de produção, reservas e resultado econômico do poço dependerão de dados futuros. Como o Brasil deveria conciliar novos projetos de petróleo e gás com a preservação da Amazônia? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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