A Petrobras iniciou a perfuração do segundo poço do bloco Norte de Brava, no pré-sal da Bacia de Campos, em 603 metros de lâmina d’água. A área teve hidrocarbonetos identificados em 2025 e segue sob avaliação.
A Petrobras iniciou em 31 de outubro de 2026 a perfuração de um segundo poço no bloco Norte de Brava, localizado no pré-sal da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. A nova operação ocorre em 603 metros de lâmina d’água e foi identificada em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgados nesta quarta-feira, 4 de novembro.
O trabalho acontece em uma área na qual a estatal já havia identificado hidrocarbonetos em março de 2025, a cerca de 105 quilômetros da costa fluminense. Agora, a companhia avança com o poço 9-BRSA-1406D-RJS, registrado na categoria especial. A nova perfuração representa uma etapa de investigação e trabalho técnico no bloco, enquanto o potencial comercial da área ainda depende da avaliação dos reservatórios.
Petrobras volta a perfurar Norte de Brava com novo poço em 603 metros de água
A movimentação começou no último sábado de outubro e coloca o bloco Norte de Brava novamente na campanha de perfurações da Petrobras. Segundo os dados da ANP divulgados pela Agência iNFRA, trata-se do segundo poço aberto pela companhia na área desde o início das atividades exploratórias.
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O número de identificação, 9-BRSA-1406D-RJS, é importante porque permite distinguir a operação atual da anterior. A perfuração pioneira havia recebido a designação 1-BRSA-1394-RJS, em um ponto com lâmina d’água de 575 metros. Ambos ficam no mesmo bloco, mas possuem classificações e finalidades diferentes.
Os 603 metros correspondem à profundidade da água entre a superfície do mar e o fundo oceânico no local do novo poço. Essa medida não descreve a profundidade total que a broca alcançará no subsolo. Para atingir as formações do pré-sal, a perfuração ainda precisa atravessar camadas de rocha abaixo do leito marinho.
Novo poço é classificado como especial e terá finalidade técnica específica
O novo registro recebeu o código inicial 9, usado pela ANP para identificar um poço especial. Essa denominação é aplicada quando a perfuração tem objetivos que não se encaixam nas categorias convencionais de poços produtores, exploratórios pioneiros ou outras classificações usuais.
O glossário oficial da ANP apresenta exemplos: poço-piloto para perfuração horizontal, captação ou descarte de água, observação de condições do reservatório e controle de uma erupção descontrolada, chamada de blowout. São possibilidades previstas na definição da categoria, não uma descrição individual já confirmada para Norte de Brava.
A fonte consultada sobre o começo da operação não especificou qual dessas finalidades motivou a abertura do 9-BRSA-1406D-RJS. O registro demonstra que há trabalho em andamento e permite identificar o tipo administrativo do poço; informações adicionais serão necessárias para conhecer o objetivo operacional detalhado e os resultados obtidos.
Primeiro poço encontrou hidrocarbonetos a 105 quilômetros do litoral do Rio

O antecedente da nova perfuração surgiu em 24 de março de 2025, quando a Petrobras anunciou a presença de hidrocarbonetos no poço 1-BRSA-1394-RJS, localizado em águas de 575 metros de profundidade e a 105 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro.
Na ocasião, a companhia explicou que os indícios foram identificados por perfis elétricos, sinais de gás e amostras de fluidos. Esses métodos ajudam a indicar se as formações rochosas contêm petróleo ou gás e a selecionar os próximos testes necessários para estudar o reservatório.
O comunicado oficial da Petrobras informou que seriam realizadas análises de laboratório para caracterizar os fluidos e avaliar as condições geológicas. A identificação de hidrocarbonetos foi um resultado exploratório, enquanto a viabilidade econômica de um eventual projeto de produção requer informações técnicas adicionais.
O CPG noticiou a descoberta do primeiro poço em 2025. A novidade de novembro de 2026 é o início de outra perfuração no mesmo bloco, com um objetivo técnico identificado como especial pela agência reguladora.
Petrobras controla 100% do bloco adquirido em leilão de partilha de produção
Norte de Brava foi adquirido pela Petrobras em dezembro de 2022, no primeiro ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção organizado pela ANP. O contrato está no regime de partilha, adotado para determinadas áreas estratégicas do pré-sal, com participação da União nos resultados segundo as regras contratuais.
A Petrobras é a operadora e detentora de 100% da participação no bloco. A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) exerce a função de gestora do contrato de partilha, acompanhando as obrigações e os interesses da União. A participação integral da estatal na operação não elimina as regras de compartilhamento do petróleo previstas no modelo contratual.
A área pertence à porção offshore da Bacia de Campos, região com décadas de atividade petrolífera e infraestrutura instalada em diferentes campos. Os blocos exploratórios, porém, passam por estudos próprios antes que se decida construir instalações de produção e ligar poços comerciais a plataformas.
O acompanhamento divulgado pela Agência iNFRA indica que a fase de exploração de Norte de Brava tem término previsto para 31 de maio de 2030. O prazo delimita a etapa contratual para estudos e trabalhos exploratórios, sem equivaler a uma data anunciada para início de produção.
Campanha no pré-sal faz parte de plano de investimentos bilionário até 2030

A Petrobras incluiu a avaliação de Norte de Brava entre as frentes de trabalho de seu Plano de Negócios 2026–2030. No documento, a empresa prevê avaliar o potencial exploratório também dos blocos Citrino, C-M-477 e Jaspe, além de realizar perfurações e testes em outros projetos do Sudeste.
Para o quinquênio, o plano aprovado pela Petrobras reserva US$ 7,1 bilhões para atividades exploratórias em seu conjunto de áreas, incluindo bacias do Sul e Sudeste, Margem Equatorial e projetos internacionais. Esse orçamento cobre a carteira exploratória, e a companhia não informou nessa divulgação uma parcela específica destinada ao novo poço Norte de Brava.
A estratégia inclui buscar novas reservas e conhecer melhor reservatórios próximos a regiões com operações consolidadas. Na Bacia de Campos, além de blocos ainda em avaliação, a Petrobras mantém projetos de revitalização de campos produtores antigos, como Marlim e Voador, que utilizam plataformas e sistemas submarinos já em atividade.
Essas duas frentes respondem a desafios distintos. Em campos produtores, o foco é recuperar recursos existentes e prolongar a vida operacional. Em blocos exploratórios como Norte de Brava, o trabalho começa pela identificação dos fluidos, das rochas e das condições que determinarão os próximos investimentos.
Resultados do novo poço vão orientar próximos passos de Norte de Brava
A partir do início da perfuração, as próximas etapas dependem do objetivo técnico do poço especial e dos resultados das operações de campo. A avaliação geológica e operacional poderá orientar novas atividades exploratórias, testes e decisões sobre o projeto, sempre conforme as autorizações e procedimentos aplicáveis.
Por enquanto, as informações públicas confirmam o início da segunda perfuração, a classificação especial e a lâmina d’água de 603 metros. Não foram divulgados volume de reservas, vazão de produção nem um cronograma comercial para a nova estrutura. O dado mais importante para os próximos meses será o resultado técnico efetivo desse trabalho no bloco que revelou hidrocarbonetos em 2025.
A ampliação da campanha em Norte de Brava pode ajudar a esclarecer o potencial do pré-sal da Bacia de Campos. Quais áreas brasileiras deveriam receber prioridade nos próximos investimentos exploratórios? Compartilhe sua opinião nos comentários.
