Boletim divulgado em 11 de março indica que a estatal tem margem financeira para amortecer pressões internacionais do petróleo no mercado brasileiro de combustíveis
A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo e reacendeu o debate sobre possíveis aumentos nos combustíveis no Brasil. Entretanto, conforme análise divulgada em 11 de março de 2026 pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a Petrobras possui condições de reduzir parte desse impacto no mercado interno. Segundo o boletim do instituto, a estatal registrou produção recorde e aumento de cerca de 200% no lucro líquido ao longo de 2025, o que amplia sua capacidade de absorver oscilações externas.
Assim, conforme destaca o documento técnico, esse desempenho financeiro cria margem para amortecer pressões sobre gasolina e diesel, ao menos de forma momentânea. De acordo com o Ineep, a conjuntura internacional reforça a importância estratégica da Petrobras para o equilíbrio do mercado brasileiro de combustíveis. Dessa forma, o instituto avalia que a empresa ainda pode funcionar como instrumento relevante para reduzir impactos externos sobre o mercado interno.
Movimentos da guerra provocam disparada no preço do petróleo
Enquanto isso, o mercado global passou por forte volatilidade após o agravamento do conflito no Oriente Médio. Esse cenário ganhou intensidade especialmente depois do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de circulação de petróleo e gás do planeta. Consequentemente, o petróleo Brent, referência internacional para precificação dos combustíveis, apresentou uma forte disparada nas últimas semanas.
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Segundo dados citados no boletim do Ineep, em 27 de fevereiro de 2026 o barril era negociado a cerca de US$ 72, enquanto no domingo, 8 de março, a cotação chegou próxima de US$ 120, indicando uma valorização expressiva no mercado internacional. Assim, o preço acumulou alta de aproximadamente 66% após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Posteriormente, na segunda-feira, 9 de março, o Brent voltou a ficar abaixo de US$ 100, embora ainda em patamar elevado. Esse comportamento revela a elevada instabilidade do mercado energético global diante do avanço do conflito. Portanto, o cenário internacional segue marcado por incertezas e oscilações rápidas nos preços.
Mercado brasileiro ainda não repassou integralmente a alta
Apesar dessa turbulência internacional, o impacto sobre os combustíveis no Brasil ainda foi limitado até fevereiro, segundo o Ineep. De acordo com o boletim, os preços domésticos apresentaram movimentos mais moderados nas últimas semanas, o que indica uma transmissão mais gradual das oscilações internacionais para o consumidor brasileiro.
Nesse período, os combustíveis tiveram comportamentos distintos. O diesel e o gás de cozinha registraram aumento em janeiro, refletindo ajustes iniciais nos preços. Entretanto, apresentaram pequenos recuos no mês de fevereiro, o que suavizou parte do impacto.
Enquanto isso, a gasolina teve queda após reajuste realizado nas refinarias da Petrobras. Assim, conforme observa o instituto, a variação internacional do petróleo ainda não foi repassada com a mesma intensidade ao consumidor brasileiro. Esse movimento demonstra uma diferença entre a dinâmica global do petróleo e o comportamento do mercado interno.
Petrobras pode funcionar como barreira contra pressão inflacionária
Diante desse cenário, o Ineep afirma que preservar instrumentos de proteção do mercado interno torna-se fundamental. Nesse contexto, segundo o boletim, a Petrobras desempenha um papel estratégico para mitigar pressões inflacionárias provocadas pelos combustíveis.
Mesmo sem atuação direta no setor de distribuição, a estatal ainda possui capacidade de influenciar o comportamento dos preços no país. De acordo com o documento, é possível manter os preços nas refinarias por determinado período, evitando a transmissão imediata das oscilações internacionais.
Consequentemente, o impacto da guerra sobre o bolso do consumidor brasileiro pode ser reduzido. Assim, a Petrobras continua sendo considerada um instrumento relevante na política energética nacional, especialmente em momentos de instabilidade no mercado global de petróleo.
Medidas internacionais tentam conter a escalada dos preços
Além disso, o boletim também menciona iniciativas adotadas no cenário internacional para reduzir a pressão sobre o petróleo. Nesse sentido, a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas de emergência.
O objetivo da iniciativa é aumentar a oferta global de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços no curto prazo. Com maior disponibilidade no mercado internacional, espera-se que a volatilidade diminua temporariamente.
Ainda assim, conforme ressalta o Ineep, a medida pode aliviar parte da pressão momentânea, porém não elimina completamente os riscos. Caso o conflito no Oriente Médio se prolongue, novas oscilações no mercado de petróleo ainda podem ocorrer.
Governo brasileiro acompanha evolução do cenário
Enquanto isso, o governo federal monitora atentamente os desdobramentos da crise energética internacional. Na terça-feira, 10 de março de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo avalia diferentes cenários antes de qualquer decisão.
Segundo o ministro, a orientação do Palácio do Planalto é evitar medidas precipitadas diante da volatilidade do mercado global. Dessa forma, as autoridades econômicas seguem observando a evolução do conflito e seus possíveis reflexos sobre o preço dos combustíveis no Brasil.
O cenário internacional permanece instável e sujeito a mudanças rápidas. Diante disso, até que ponto a Petrobras conseguirá amortecer as pressões do petróleo e proteger o consumidor brasileiro?
