Conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel afeta cadeia global de fertilizantes e pode impactar preços de alimentos no Brasil nas próximas safras
A guerra no Oriente Médio envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já provoca impactos econômicos que vão além do petróleo. Atualmente, o conflito completa 12 dias nesta quarta-feira, 11, e especialistas começam a observar efeitos indiretos em cadeias produtivas estratégicas. Entre os setores mais sensíveis está o agrícola, que depende fortemente do mercado internacional de fertilizantes.
Nesse contexto, o preço de diversos alimentos vendidos nos supermercados brasileiros pode subir, dependendo da evolução da guerra. Fertilizantes são essenciais para a produção agrícola e qualquer instabilidade na oferta global tende a pressionar os custos no campo. Como consequência, esse movimento pode repercutir no valor final pago pelos consumidores.

Impacto do conflito sobre fertilizantes
O conflito prejudicou a produção e a exportação de fertilizantes no Oriente Médio, reduzindo a disponibilidade desses insumos no mercado internacional. Quando a oferta diminui, os preços costumam subir e pressionar o custo da produção agrícola em diversos países. Assim, agricultores passam a enfrentar um cenário de maior incerteza na compra de insumos.
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Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz aumenta o custo logístico do transporte desses produtos, o que amplia ainda mais a pressão sobre os fertilizantes. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 30% dos fertilizantes comercializados no mundo têm origem no Oriente Médio. Esse número evidencia a relevância estratégica da região para o abastecimento global.
Dependência brasileira amplia impacto
Embora o Brasil seja uma das maiores potências agropecuárias do mundo, o país ainda depende fortemente da importação de fertilizantes. Levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) indica que aproximadamente 85,7% dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira vêm do exterior. Essa dependência torna o setor agrícola nacional mais sensível a oscilações no mercado internacional.
Diante desse cenário, qualquer aumento no preço internacional desses insumos tem potencial para impactar diretamente os custos de produção agrícola no país. Análise publicada pelo jornal O Globo aponta que o encarecimento dos fertilizantes pode provocar aumento nos preços de culturas importantes como milho e soja. Esses grãos desempenham papel fundamental no sistema alimentar e na cadeia pecuária.
Milho e soja podem ser os primeiros afetados
Milho e soja exigem uso intensivo de fertilizantes e, por isso, costumam ser os primeiros a refletir alterações nos custos agrícolas. Caso os insumos fiquem mais caros, parte desse aumento pode chegar ao preço final desses grãos. Essa mudança tende a impactar toda a cadeia de produção de alimentos.
Além disso, milho e soja são a base da ração animal utilizada na pecuária, o que amplia o alcance do impacto econômico. Se os preços desses grãos subirem, produtos como carnes e ovos também podem registrar aumento. Dessa forma, o efeito pode alcançar diretamente o consumidor.
O advogado Marcos Pelozato, especialista em reestruturação empresarial com atuação no agronegócio, afirmou ao jornal O Globo que outros alimentos podem sentir os efeitos até antes dos grãos.
Hortaliças e hortifruti podem sentir efeitos antes
Segundo Marcos Pelozato, hortaliças, legumes e parte do hortifruti podem registrar aumento de preço rapidamente. Isso acontece porque esses produtos possuem ciclos produtivos mais curtos, o que faz com que mudanças nos custos agrícolas apareçam mais cedo nas prateleiras. Assim, o consumidor pode perceber os efeitos da crise com maior rapidez.
Dessa forma, frutas, verduras e legumes vendidos em supermercados podem refletir os impactos da instabilidade internacional antes mesmo das grandes commodities agrícolas. Tudo dependerá da evolução do conflito e da pressão sobre os insumos utilizados no campo.
Impacto pode aparecer na próxima safra
Apesar das preocupações, alguns especialistas avaliam que o impacto não deve ocorrer imediatamente. Alberto Pfeifer, pesquisador do Insper Agro Global, explica que muitos produtores ainda possuem estoques de fertilizantes suficientes para a safra atual. Esse fator ajuda a amortecer os efeitos no curto prazo.
Por isso, o impacto do conflito tende a aparecer principalmente na próxima safra de verão, cujo plantio começa em agosto, conforme o calendário agrícola brasileiro. Nesse cenário, a dimensão real das consequências dependerá da duração e da intensidade da guerra no Oriente Médio.
Diante desse cenário internacional, surge uma questão importante para consumidores e produtores: até que ponto a guerra no Oriente Médio poderá influenciar o preço dos alimentos nos supermercados brasileiros?

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