Primeiro registro de intoxicação por metanol em licor em Mauá atinge homem de 47 anos, internado na UTI em hemodiálise após beber licor em dois bares entre 21 e 22 de novembro, enquanto São Paulo soma dez mortes e 49 casos confirmados de bebidas adulteradas e preocupa autoridades de saúde.
A Prefeitura de Mauá, na região metropolitana de São Paulo, confirmou nesta sexta-feira, 5, o primeiro caso de intoxicação por metanol em licor, envolvendo um homem de 47 anos que relatou ter ingerido licor em dois bares da cidade entre os dias 21 e 22 de novembro, antes de apresentar sintomas graves e procurar atendimento médico.
Depois de sentir cefaleia intensa, cansaço, visão turva e confusão mental, o paciente buscou socorro no Hospital Nardini no dia 23, foi internado, intubado e transferido para a UTI, onde permanece em sessões de hemodiálise desde 26 de novembro, em meio a uma crise sanitária de bebidas alcoólicas adulteradas que já causou dez mortes e 49 casos confirmados no Estado de São Paulo e, segundo o Ministério da Saúde, 59 casos confirmados de intoxicação por metanol no país até 29 de outubro, além de outros 44 ainda em investigação.
Caso em Mauá: licor servido em dois bares e exame confirma metanol

De acordo com a Prefeitura de Mauá, o paciente contou às equipes de saúde que consumiu doses de licor em dois estabelecimentos do município nos dias 21 e 22 de novembro.
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Após o surgimento dos sintomas, o homem de 47 anos foi atendido no Hospital Nardini no dia 23, onde o quadro clínico rapidamente chamou a atenção dos médicos para a possibilidade de intoxicação por metanol em licor.
A Vigilância Epidemiológica realizou exame de urina, que confirmou a presença de metanol no organismo do paciente.
Com isso, o caso passou a ser oficialmente classificado como o primeiro episódio de intoxicação por metanol relacionado ao consumo de licor em Mauá, integrando o painel estadual de ocorrências de bebidas alcoólicas adulteradas.
Sintomas graves, intubação e hemodiálise na UTI
O quadro clínico evoluiu de forma crítica em poucos dias. Depois da internação inicial, o paciente passou a apresentar comprometimento importante do estado geral, o que levou a equipe médica a optar pela intubação e transferência para a UTI.
Desde 26 de novembro, ele realiza sessões de hemodiálise, medida usada para ajudar o organismo a eliminar a substância tóxica e reduzir danos aos rins.
Autoridades de saúde destacam que sintomas como dor de cabeça intensa, fadiga extrema, alterações visuais e confusão mental após consumo de bebidas alcoólicas podem indicar intoxicação por metanol em licor ou em outras bebidas adulteradas, exigindo procura imediata por atendimento médico.
Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de reduzir sequelas graves e evitar mortes.
Metanol: substância industrial que pode matar quando ingerida
O metanol é usado na fabricação de tintas, vernizes e outros produtos industriais, não sendo próprio para consumo humano.
Quando ingerido, mesmo em pequenas quantidades, pode causar lesões neurológicas, cegueira e óbito, além de comprometer órgãos como fígado e rins. Em bebidas adulteradas, ele costuma ser adicionado de forma clandestina, substituindo o álcool adequado para consumo.
No contexto atual, a intoxicação por metanol em licor e em outras bebidas ilegais vem sendo tratada como emergência de saúde pública por autoridades estaduais e federais.
O risco é maior porque muitas vezes a aparência e o sabor da bebida não permitem ao consumidor perceber que o produto foi adulterado, o que aumenta a exposição involuntária à substância.
Crise em São Paulo: dez mortes, 49 casos confirmados e investigações em curso
O caso de Mauá ocorre enquanto o Estado de São Paulo enfrenta uma crise sanitária ligada a bebidas adulteradas com metanol.
Segundo boletim epidemiológico estadual mais recente, já são dez mortes e 49 casos confirmados de intoxicação. Outros 516 casos suspeitos foram descartados, enquanto três ainda seguem em investigação.
Há também cinco óbitos sob análise, registrados nos municípios de Guariba, São Vicente, São José dos Campos e Cajamar, que ainda aguardam conclusão de laudos para confirmar ou não a associação com metanol.
Esses números reforçam o alerta para que consumidores desconfiem de bebidas muito baratas, sem rótulo adequado ou vendidas em locais sem procedência clara.
Mortes em Sorocaba, capital e outras cidades paulistas
A morte mais recente confirmada por intoxicação ocorreu em Sorocaba. Felipe Henrique Alves da Silva, de 26 anos, morreu em 16 de agosto, e laudo oficial divulgado no fim de novembro apontou associação entre o consumo de metanol e o uso de cocaína.
O caso de Felipe é um dos símbolos da gravidade da atual onda de intoxicação por substâncias adulteradas no Estado.
Entre os óbitos já confirmados em São Paulo, há registros na capital, envolvendo quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos.
Em São Bernardo do Campo, uma mulher de 30 anos morreu em decorrência de intoxicação. Em Osasco, as autoridades confirmaram três vítimas: dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos. Já em Jundiaí, foi registrada a morte de um homem de 37 anos.
Esses casos, somados ao primeiro registro de intoxicação por metanol em licor em Mauá, evidenciam que o problema se espalha por diferentes faixas etárias e regiões, atingindo desde jovens adultos até pessoas de meia-idade, em contextos diversos de consumo de bebidas adulteradas.
Panorama nacional: 59 casos confirmados e quatro estados além de São Paulo
De acordo com dados do Ministério da Saúde atualizados em 29 de outubro, o Brasil registra 59 casos confirmados de intoxicação por metanol e outros 44 em investigação.
Além de São Paulo, há ocorrências em Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, o que mostra que a circulação de bebidas adulteradas com metanol não está restrita a um único estado.
Diante desse cenário, autoridades federais e estaduais reforçam orientações para que a população dê preferência a bebidas com procedência conhecida, rótulo regularizado e compra em estabelecimentos de confiança.
Em qualquer suspeita de intoxicação por metanol em licor ou outra bebida, a recomendação é buscar atendimento médico imediato e, sempre que possível, levar o produto consumido para facilitar a investigação.
Para você, que acompanha essa crise, como o poder público e os consumidores deveriam agir para reduzir o risco de intoxicação por metanol em licor e de outras bebidas adulteradas no país?

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