Datacenters avançam pelo Brasil, impulsionados por energia limpa e pela demanda digital, mas levantam críticas sobre consumo de água, impacto ambiental e uso da infraestrutura pública.
Os datacenters se tornaram uma das engrenagens mais importantes do mundo moderno. Eles sustentam inteligência artificial, streaming, bancos digitais, pesquisas médicas e praticamente toda a vida online.
No entanto, ao mesmo tempo, esses gigantes digitais passaram a ser vistos por parte da sociedade como estruturas que consomem recursos em ritmo acelerado.
Por isso, o Brasil entrou em uma encruzilhada. O país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta. Além disso, conta com vasto potencial de energia solar e eólica. Ainda assim, enfrenta desafios hídricos e disputas por território.
-
Fósseis de milhões de anos revelam que capivaras gigantes já dominaram o Chile, país onde o maior roedor do planeta simplesmente não existe mais hoje
-
Antiga área de mineração de carvão no centro dos Estados Unidos recebe quase 17 mil painéis solares que geram 9,8 megawatts, atendem mais de 650 assinantes e incluem cerca de 200 famílias de baixa renda sem instalar nada nos telhados
-
Escondido sob uma pequena entrada no subsolo da Namíbia, o maior lago subterrâneo do mundo tem o tamanho de 2 campos de futebol, 264 metros de profundidade e até animais raros que sobrevivem sem luz solar
-
A indústria depende do petróleo para fabricar plástico, mas uma jovem de 16 anos utilizou cascas de banana e conseguiu criar um bioplástico após dois anos de tentativas
Nesse cenário, os datacenters aparecem tanto como promessa de futuro quanto como risco de sobrecarga.
“Parasitas digitais” ou infraestrutura essencial?
A provocação feita pelo neurocientista Miguel Nicolelis gerou repercussão nacional ao chamar os datacenters de “parasitas digitais”.
Segundo ele, essas estruturas drenariam grandes volumes de energia e água sem devolver benefícios proporcionais à sociedade.
No entanto, outros especialistas discordam dessa visão. Para eles, os datacenters são tão estratégicos quanto portos, rodovias e redes elétricas.

Afinal, sem essas estruturas, não existe inteligência artificial, ciência de dados, telemedicina ou automação industrial.
Assim, a polêmica não gira em torno de existir ou não datacenters, mas sim de como, onde e com quais regras eles devem operar.
Pressão sobre energia e água aumenta alerta
Mesmo sendo essenciais, os datacenters exigem enormes quantidades de energia para manter servidores funcionando 24 horas por dia. Além disso, também consomem água para resfriamento dos equipamentos.
Em países com redes envelhecidas, esse consumo pode provocar apagões, encarecer tarifas e pressionar reservatórios. Por isso, o receio cresce de que, sem planejamento, o Brasil possa repetir erros vistos na Europa e nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que impedir a instalação dessas estruturas não impede a digitalização. Pelo contrário, o país apenas passaria a importar serviços digitais produzidos em outras regiões.
Nordeste entra no radar global
O Nordeste brasileiro surge como peça-chave nessa equação. A região concentra grande parte da geração de energia eólica e solar do país. Em muitos momentos, inclusive, há sobra de energia que não consegue ser escoada para o restante do sistema.
Nesse contexto, os datacenters aparecem como consumidores ideais dessa eletricidade limpa que hoje é desperdiçada.
Além disso, cidades como Fortaleza já funcionam como hubs de cabos submarinos que conectam o Brasil à Europa e aos Estados Unidos, o que reduz atrasos na transmissão de dados.
Essa combinação de energia renovável e conectividade internacional torna o Nordeste um dos pontos mais estratégicos da América Latina para a instalação de grandes datacenters.
Outro ponto central é a soberania. Sem infraestrutura própria de datacenters, o Brasil depende de servidores no exterior para armazenar dados de empresas, governos e cidadãos.
Isso aumenta custos e reduz o controle sobre informações estratégicas.
Além disso, ao exportar apenas energia barata e importar serviços digitais caros, o país perde valor econômico. Por isso, atrair datacenters pode significar também atrair empregos, centros de pesquisa e inovação.
Como afirmou o ministro das Finanças saudita em outro contexto: “Continuamos realmente a redefinir as prioridades e a reformular nossas políticas, certificando-nos de que melhoramos à medida que avançamos para garantir que o setor privado possa liderar a economia”. A frase ilustra o tipo de estratégia que muitos países buscam adotar no setor digital.
Você acha que o custo-benefício dos datacenters ainda vale a pena no contexto do Brasil ou só vão apenas aumentar a pressão sobre energia e água?


Seja o primeiro a reagir!