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Postos de combustíveis em Santa Catarina dizem que guerra no Irã está pressionando o preço da gasolina enquanto Procon exige notas fiscais e inicia fiscalização permanente para descobrir por que a redução ainda não chegou ao consumidor

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 07/03/2026 às 13:05
Postos de combustíveis em Santa Catarina citam gasolina, Procon e distribuidoras para explicar por que a queda ainda não chegou.
Postos de combustíveis em Santa Catarina citam gasolina, Procon e distribuidoras para explicar por que a queda ainda não chegou.
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Os postos de combustíveis alegam que a tensão no Oriente Médio, o custo do etanol e a ausência de repasse das distribuidoras explicam a gasolina mais cara em Santa Catarina, mas o Procon exige notas fiscais, monta uma equipe fixa e quer descobrir onde o preço deixou de cair agora

Os postos de combustíveis de Santa Catarina passaram a operar sob pressão direta do Procon depois que o órgão deu prazo até o fim de sexta-feira, 6 de março, para o envio de notas fiscais de compra e venda. A medida foi tomada após reunião realizada na quinta-feira, 5, quando representantes do setor justificaram o preço da gasolina com base no impacto da guerra no Irã e no cenário internacional do petróleo.

A partir desse encontro, a apuração deixou de ser pontual e ganhou caráter permanente. O foco agora não está apenas no valor final exibido nas bombas, mas em toda a cadeia de formação do preço, da distribuidora ao varejo, passando por custos adicionais que os empresários dizem ter absorvido sem conseguir repassar a redução anunciada ao consumidor.

Por que a fiscalização virou permanente em Santa Catarina

O movimento do Procon/SC indica que o governo estadual passou a tratar o tema como uma questão contínua de defesa do consumidor, e não como uma oscilação passageira do mercado.

A diretora do órgão, a delegada Michele Alves, decidiu criar uma equipe específica para acompanhar os preços dos combustíveis em todo o estado.

Isso significa que a cobrança por documentos e justificativas não deve parar neste primeiro ciclo de análise.

Na prática, os postos de combustíveis terão de mostrar de forma mais clara como compram, por quanto compram e em que ponto o preço final se distancia da queda esperada pelo consumidor.

Quando o órgão exige notas fiscais, ele tenta tirar a discussão do campo genérico e levá-la para a prova documental, exatamente onde será possível observar se o problema está no varejo, na distribuição ou na combinação de vários fatores ao mesmo tempo.

Esse novo desenho também mostra que o Procon não aceitou receber apenas uma explicação verbal sobre guerra, petróleo ou mercado externo.

O órgão quer confrontar o discurso com a movimentação real de compra e venda, especialmente em um momento em que a Petrobras informou que não pretende reajustar os preços.

Por isso, a fiscalização permanente funciona como recado duplo. De um lado, pressiona os postos de combustíveis a detalhar sua estrutura de custos.

De outro, prepara o terreno para ampliar a cobrança sobre distribuidoras e demais atores da cadeia, que agora também entram no centro da apuração.

O que os postos dizem sobre guerra, distribuidoras e etanol

Na reunião com o Procon, representantes do setor afirmaram que o preço da gasolina pode subir em razão do cenário internacional, citando diretamente a guerra no Irã como fator de pressão sobre o mercado de petróleo.

A explicação apresentada pelos empresários é que o ambiente externo afeta expectativas, custos e repasses dentro da cadeia nacional de combustíveis.

Mas essa não foi a única justificativa. Os postos de combustíveis disseram ainda que a redução de cerca de 5% anunciada no mercado não chegou às distribuidoras de forma efetiva para ser repassada ao varejo.

Com isso, segundo os sindicatos, a queda que o consumidor esperava simplesmente não teria alcançado a etapa final da venda.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Florianópolis e Região, Vicente Santanna, acrescentou outro componente à conta.

Segundo ele, os custos dos donos de postos também cresceram no começo do ano, com reajustes de aluguéis e de insumos que entram na composição do preço da gasolina.

Ou seja, a justificativa apresentada não depende de um único fator, mas de um acúmulo de pressões ao mesmo tempo.

Há ainda o peso do etanol. De acordo com a explicação levada ao encontro, 30% do combustível é composto por etanol, e esse componente subiu no início de março em razão da entressafra da cana-de-açúcar.

Essa informação é relevante porque desloca parte da discussão para dentro da própria composição do produto vendido nas bombas, e não apenas para a guerra ou para a política de preços da Petrobras.

Onde o preço pode estar travando e por que abril virou mês decisivo

A principal dúvida aberta pela reunião é objetiva: se a Petrobras não pretende reajustar os preços e se houve menção a uma redução de cerca de 5%, em que ponto essa queda deixou de caminhar até o consumidor final?

É justamente essa pergunta que o Procon agora tenta responder ao convocar uma nova rodada de conversas com distribuidoras e sindicatos dos postos de combustíveis.

O órgão informou que vai reunir todas as distribuidoras e sindicatos do estado para discutir a formação dos preços e entender exatamente onde está ocorrendo a diferença no valor do combustível.

Essa etapa é central porque desloca o debate do varejo isolado para a cadeia completa, incluindo quem abastece os postos e define parte decisiva do custo que chega à bomba.

A proposta de Michele Alves também inclui a participação de refinarias em um encontro previsto para abril. A intenção é encontrar uma solução para a alta dos combustíveis e tentar barrar novos reajustes.

Isso mostra que o Procon enxerga o problema como algo mais amplo do que uma simples escolha comercial de cada revendedor.

Se essa reunião avançar com documentos, preços médios e cronologia de repasses, abril pode se tornar o ponto de inflexão da crise.

Até lá, os postos de combustíveis seguirão no centro da atenção pública, porque são eles que exibem o preço visível ao consumidor, mesmo quando afirmam não controlar sozinhos a trajetória desse valor.

O que muda para o consumidor enquanto a apuração avança

Para o motorista catarinense, o efeito imediato é o da desconfiança. O consumidor ouve que existe redução, vê que a Petrobras não pretende reajustar, mas continua encontrando gasolina cara no abastecimento diário.

É justamente esse desencontro entre anúncio e realidade que levou o Procon a transformar a apuração em vigilância permanente.

A orientação prática do órgão é de atenção contínua. Michele Alves indicou que o Procon entende o argumento dos empresários, mas também reconhece o peso do bolso do consumidor e seguirá fiscalizando os postos de combustíveis em todo o estado.

Isso significa que o motorista deixou de ser apenas espectador da alta e passou a ser parte de uma disputa formal sobre transparência de preços.

No curto prazo, o consumidor deve acompanhar variações por cidade, por bandeira e por período, porque a fiscalização poderá revelar diferenças importantes entre regiões e práticas comerciais.

O fato de o órgão ter exigido notas fiscais já mostra que não bastará justificar reajustes com explicações genéricas, sobretudo em um contexto de forte cobrança pública.

Ao mesmo tempo, a investigação tende a aumentar a pressão para que qualquer queda futura seja repassada com mais rapidez. Se o problema estiver nas distribuidoras, a cobrança mudará de alvo.

Se estiver no varejo, a fiscalização terá base documental para avançar. Em ambos os casos, a formação do preço da gasolina em Santa Catarina entrou em uma fase de escrutínio mais duro e mais público.

O que começou como reação a uma gasolina mais cara já se transformou em uma disputa mais ampla sobre repasse, custo, guerra, etanol, distribuição e transparência.

Os postos de combustíveis dizem que a pressão vem de fora e de cima da cadeia.

O Procon quer provar, com notas fiscais e fiscalização permanente, se essa explicação fecha de fato ou se a redução parou em algum ponto antes de chegar ao motorista.

Agora, a pergunta central deixou de ser apenas por que a gasolina está cara e passou a ser quem, exatamente, está segurando a queda que o consumidor esperava ver. Na sua avaliação, o problema está mais nas distribuidoras, nos postos ou em toda a cadeia ao mesmo tempo?

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Wilians
Wilians
09/03/2026 17:01

Santa catarina especialmente palhoça é a pura máfia. O mesmo etanol em sao paulo na Faria Lima paguei 3,49. Gasolina 4.20 .e em sao paulo tem a opção de vários valores .aqui em palhoça e em santa catarina a máfia é um valor só kkk

Antônio
Antônio
08/03/2026 23:12

Kkk esse povo que idolatra a família bolsonaro e assim, gosta de aproveitar para explorar o povo brasileiro, daí vem a vontade de colocar o Flávio, kkk agora poderiam aumentar os preços e não sofreriam interferência kkk

Marcos
Marcos
08/03/2026 22:52

Em Blumenau houve redução apenas na segunda vez que houve reajuste para baixo e foi de apenas 6 centavos, estava $7,59 e baixou para $7,53 onde abasteço, na maioria dos postos não houve redução alguma. Aqui deve haver um cartel…

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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