A leveza das motos dispensa marcha a ré, mas modelos de grande porte incluem o recurso para facilitar manobras complexas
Quem já pilotou uma moto provavelmente nunca precisou dar marcha a ré. Na maioria dos modelos, essa função simplesmente não existe. E há boas razões para isso.
As motos são veículos leves e fáceis de manobrar. A força das pernas do condutor costuma ser suficiente para movê-las para trás. Assim, a ausência de uma engrenagem de ré não traz dificuldades no uso diário.
Especialista da Honda explica a questão
O engenheiro Bismark do Vale, do setor de Pesquisas da Honda, abordou o tema em entrevista à coluna AutoPapo, do Uol. Segundo ele, incluir o sistema de ré exigiria um conjunto adicional de engrenagens, o que tornaria o projeto mais complexo e desnecessário na maioria dos casos.
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Bismark resumiu: “Para ter o sistema de ré precisaríamos de um outro sistema de engrenagens e, pelo fato de a moto ser leve, a manobra (marcha a ré) é mais eficiente usando os pés”.
Aumento de preço inviabilizaria a adoção
Outro fator importante é o custo. Boa parte das motos tem preços acessíveis, principalmente por atenderem trabalhadores que dependem delas diariamente. Incluir a marcha a ré exigiria investimentos em desenvolvimento e produção, que inevitavelmente encareceriam os modelos.
O engenheiro explicou que os câmbios de motos são sequenciais. Ou seja, as marchas são engatadas de forma linear: primeira, segunda, terceira e assim por diante.
Para criar uma marcha a ré nesse sistema, seriam necessárias engrenagens extras e espaço adicional no conjunto mecânico. O resultado seria um aumento no peso e no custo.
Modelos que oferecem a função marcha a ré
Apesar das dificuldades, algumas motocicletas foram fabricadas com marcha a ré. Esses casos, porém, são exceção e envolvem modelos específicos, geralmente de maior porte.
A Honda Gold Wing é um exemplo conhecido. Muito usada para viagens longas, conta com sistema de ré elétrico, que não interfere diretamente no câmbio convencional.
Outro modelo semelhante é a BMW K 1600 GTL. Também projetada para o turismo, ela possui a função reversa, facilitando manobras em locais apertados, considerando o peso da moto.
A Yamaha Star Venture, já fora de linha desde 2013, também tinha essa funcionalidade. Assim como as outras, era voltada ao conforto em viagens longas, com motos de grande porte.
O caso especial do triciclo Can-Am Spyder
Entre as poucas exceções está o Can-Am Spyder. Esse triciclo, com duas rodas à frente e uma atrás, se beneficia mais da marcha a ré. Por ser mais difícil de empurrar manualmente, o sistema reverso ajuda em manobras específicas.
Mesmo com esses exemplos, a esmagadora maioria das motos segue sem a marcha a ré. A leveza e a praticidade desses veículos continuam tornando o recurso desnecessário para o dia a dia.
Com informações de Canal Tech.
