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Planta rara da Caatinga e inédita no mundo, a Isabelcristinia aromatica teve sua composição química analisada pela primeira vez e surpreendeu os pesquisadores da Univasf

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 14/05/2026 às 16:09
Atualizado em 14/05/2026 às 16:13
Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos.
Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos. Fonte: Univasf.
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Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos.

A descoberta de uma nova planta exclusiva da Caatinga brasileira levou pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) a investigar, pela primeira vez, a composição química da espécie Isabelcristinia aromatica.

O estudo, publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society (JBCS), identificou cerca de 38 moléculas presentes nas folhas da planta, incluindo compostos associados a atividades biológicas relevantes.

A espécie foi encontrada em áreas rochosas localizadas na divisa entre Pernambuco e Paraíba e chama a atenção por características consideradas incomuns dentro de sua família botânica.

A pesquisa envolveu especialistas de diferentes instituições brasileiras e internacionais. A descoberta da espécie foi feita pelo professor José Alves Siqueira, docente do Colegiado de Ciências Biológicas da Univasf e diretor do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga (CRAD).

Já a investigação química foi coordenada pelo professor Jackson Gudes de Almeida, responsável pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas de Plantas Medicinais (Neplame).

Planta da Caatinga é única no mundo

A Isabelcristinia aromatica é a única representante conhecida de seu gênero em todo o planeta. Além disso, a espécie existe exclusivamente na Caatinga, bioma brasileiro reconhecido pela biodiversidade adaptada às condições de clima seco.

Os pesquisadores localizaram a planta em áreas rochosas entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Segundo os estudiosos, o arbusto se destacou pelo aroma intenso e pela capacidade de resistência em um ambiente de condições severas.

Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos.
Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos. Fonte: Univasf.

Outro fator que despertou interesse científico foi a família botânica da espécie, chamada Linderniaceae. Em geral, plantas desse grupo são encontradas em ambientes aquáticos. No entanto, a nova espécie apresentou comportamento diferente das demais, desenvolvendo-se em regiões secas da Caatinga.

A descrição oficial da espécie foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Origem do nome da nova espécie

O nome Isabelcristinia aromatica foi criado como homenagem à professora Isabel Cristina Machado, docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A escolha foi feita por um pesquisador da UFPB.

Coincidentemente, Isabel Cristina também foi orientadora de doutorado de José Alves Siqueira, responsável pela descoberta da planta.

Atualmente, o CRAD é o único local onde a espécie está sendo cultivada.

Pesquisa investigou substâncias presentes na planta

O trabalho científico analisou os compostos químicos encontrados nas folhas da espécie. Para isso, os pesquisadores prepararam extratos vegetais e utilizaram técnicas laboratoriais específicas para identificar as substâncias presentes.

Entre os procedimentos empregados no estudo estão:

  • Cromatografia líquida de alta eficiência;
  • Espectrometria de massas;
  • Comparação de dados químicos por meio da plataforma internacional GNPS;
  • Análise de extratos metanólicos das folhas.

A plataforma GNPS reúne informações compartilhadas por cientistas de diferentes partes do mundo e auxilia na identificação de moléculas presentes em produtos naturais.

Com o uso dessas ferramentas, os pesquisadores conseguiram detectar aproximadamente 38 moléculas na espécie. A análise concentrou-se principalmente em metabólitos de média e alta polaridade.

Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos.
Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos. Fonte: Univasf.

Compostos encontrados podem ampliar estudos científicos

O estudo apontou que a planta da Caatinga possui grande quantidade de iridoides, compostos conhecidos por apresentarem diferentes atividades biológicas. Também foram identificados flavonoides na composição da espécie.

Segundo os pesquisadores, a descoberta abre espaço para novas etapas da investigação científica, incluindo testes voltados à atividade citotóxica do extrato vegetal.

De acordo com Jackson Gudes de Almeida, o trabalho representa um avanço por envolver uma espécie até então desconhecida pela ciência.

“A inovação desse trabalho se dá por se tratar de uma planta nova, nunca antes descrita, e por ser o primeiro estudo químico a descrever a ocorrência de iridoides e flavonoides, compostos com atividades biológicas bastante interessantes”, afirmou o pesquisador.

Os cientistas explicam que os iridoides possuem ação reconhecida contra algumas linhagens de células tumorais, o que aumenta o interesse em aprofundar os estudos sobre a planta.

Parcerias foram essenciais para realização das análises

Parte das análises químicas foi realizada com apoio da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto.

No período em que a pesquisa foi conduzida, a Univasf ainda não dispunha da infraestrutura necessária para a realização de análises por LC-MS, técnica usada para identificar os compostos químicos.

O professor Norberto Pepolini Lopes, da USP, participou da colaboração científica que permitiu a utilização da infraestrutura da instituição paulista.

Além disso, o estudo contou com apoio internacional. O professor Fausto Carnevali Neto, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, colaborou na interpretação dos dados obtidos durante a pesquisa.

Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos.
Planta exclusiva da Caatinga teve composição química analisada por pesquisadores da Univasf e revelou dezenas de compostos inéditos. Fonte: Univasf.

Descoberta reforça importância da preservação da Caatinga

Segundo José Alves Siqueira, o estudo evidencia que a união entre diferentes campos do conhecimento contribui para aprofundar a compreensão das espécies nativas do Brasil.

O pesquisador ressaltou atributos da planta recentemente identificada, como sua resistência, capacidade de adaptação e valor estético. A pesquisa também reforça a relevância da preservação da Caatinga, único bioma totalmente brasileiro.

A descoberta de uma nova espécie, aliada à identificação de compostos químicos ainda pouco explorados, destaca o grande potencial científico presente na vegetação do semiárido nordestino.

Enquanto os estudos continuam, novas análises devem buscar o isolamento dos compostos encontrados e a avaliação mais aprofundada de suas propriedades biológicas.

Fonte: UNIVASF

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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