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Petróleo no Brasil: país ainda depende de importação do produto, ainda que seja autossuficiente no setor

21 de maio de 2022 às 22:55
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Fonte: Pixabay

Mesmo com grande produção de petróleo por dia, Brasil ainda precisa da importação da commodity de outros países

O Brasil possui grande vantagem no setor de petróleo, ele produz em média, diariamente, 3 milhões de barris de petróleo, um volume mais que suficiente para atender ao consumo doméstico, de 2,5 milhões de barris por dia.

Porém, apesar da vantagem de o Brasil possuir grande quantidade do produto, mesmo assim ele precisa da importação de petróleo e de derivados deste, como o diesel e gasolina. Isso acontece por conta da baixa capacidade de processamento das refinarias instaladas no Brasil. A quantidade refinada permanece estagnada ao redor de 2,3 milhões de barris desde 2015, em meio à queda de investimentos no setor.

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Segundo as previsões da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a produção no Brasil da commodity deve se elevar de 53,8% até 2031, para 5,2 milhões de barris por dia, porém o aumento no volume de petróleo produzido nas refinarias do Brasil será de somente 10,2%, necessitando da importação de petróleo.

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Falta de investimento no IBP

Além disso, falta investimentos no setor de petróleo no Brasil, para cessar a importação da commodity para o Brasil. Previsões do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo) mostram que o Brasil precisa de aproximadamente R$ 120 bilhões de investimentos novos em infraestrutura no setor petrolífero para garantir o abastecimento do Brasil até o ano de 2035, sem contar a importação para o Brasil. Os novos investimentos vão assegurar uma média anual de R$ 9,2 bilhões de subsídios no setor de petróleo. Contudo, a média de investimentos anuais não está crescendo, uma vez que era de R$ 14 bilhões entre os anos de 2002 e 2016 passando para R$ 6 bilhões, nos anos de 2017 a 2021.
No novo planejamento de estratégias da companhia, de 2022 até 2026, a Petrobras quer investir US$ 6,1 bilhões, cerca de R$ 29,9 bilhões pela cotação de 19.05, ou uma média por ano de R$ 6 bilhões até 2026. Tais planejamentos estão sendo motivo para menos investimentos de acordo com especialistas e executivos do setor de petróleo. Segundo eles, a combinação de cinco fatos impede a chegada de mais investimentos nas refinarias do Brasil, fazendo com que o país dependa da importação do produto de outros países.

Fatores que contribuem para a importação de petróleo

Margens de lucro baixas: As margens de lucro nas refinarias são tradicionalmente mais baixas que na extração e na produção do petróleo, dizem especialistas. Isso ocorre porque o processamento dos derivados da commodity é uma função de risco menor do que a exploração de petróleo. Uma unidade de refino é uma operação industrial, visada a partir de uma demanda de mercado que é conhecida. A fabricação do produto é mais incerta e arriscada, por isso a margem de lucro é grande.

Posição da Petrobras: Para uma parte dos especialistas, a colocação ainda predominante da Petrobras nas refinarias do Brasil afasta os investidores interessados em colocar dinheiro no setor petrolífero brasileiro, visando parar a importação de petróleo para o Brasil, visto a estatal tem capacidade de influenciar os valores de mercado e ainda domina grande parte da logística de distribuição e armazenamento dos combustíveis derivados.

Logística: Para concorrer mercado com uma refinaria da Petrobras, não basta a refinaria concorrente construir uma outra unidade industrial, ela também precisa ter acesso ao conjunto de rede de dutos, ferrovias, estradas e terminais de importação e exportação dos derivados do petróleo que pertencem à estatal.

Capacidade de definir preços: A Petrobras, como é controlada pelo governo, pode estabelecer medidas com base em critérios que não sejam econômicos, mesmo quando isso mostre práticas de preços que geram perdas na atividade. Essa opção afeta os demais concorrentes, já que a estatal petroleira domina a maior parte do mercado.

Segurança jurídica: A falta de satisfação ou de regulação na política de valores dos derivados de petróleo, ora alinhada aos preços dos países do exterior, ora sob os valores rentáveis, impede os investimentos privados no setor, segundo especialistas.

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