Ninhos artificiais criados por Yanin Proud Tangkaravakoon, da Tailândia, usam garrafas plásticas reaproveitadas para ajudar calaus ameaçados. Aos 17 anos, ela venceu etapa regional do The Earth Prize 2026, instalou 20 estruturas no sul tailandês, envolveu 60 estudantes e viu 14 filhotes voarem em 2025 com apoio comunitário e pesquisa.
Os ninhos artificiais criados pela tailandesa Yanin “Proud” Tangkaravakoon, de 17 anos, nasceram de uma inquietação ambiental que começou ainda na infância. Depois de ver calaus em um passeio escolar ao Parque Nacional de Khao Yai, ela descobriu que muitas espécies dessas aves estavam em declínio e decidiu transformar preocupação em projeto.
A iniciativa, chamada Homes for Hornbills, usa materiais reaproveitados, como garrafas plásticas, para construir ninhos destinados a calaus. Em 15 de maio de 2026, em anúncio feito em Genebra, na Suíça, Proud foi nomeada vencedora de Oceania e Sudeste Asiático do The Earth Prize 2026, competição ambiental voltada a jovens de 13 a 19 anos.
Passeio escolar despertou uma preocupação que virou projeto ambiental

A primeira conexão de Proud com os calaus aconteceu quando ela estava no quarto ano escolar, durante uma visita ao Parque Nacional de Khao Yai, na Tailândia. O comportamento das aves chamou sua atenção, mas o encantamento logo se misturou a uma preocupação maior.
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Segundo o The Earth Prize, ela descobriu depois que 51 das 62 espécies de calaus no mundo estavam com populações em queda. A partir desse dado, a estudante passou a enxergar o problema como algo que ia além das aves: tratava-se também da saúde das florestas.
Calaus têm papel importante na regeneração das florestas
Os calaus são aves conhecidas por ajudar na dispersão de sementes. Ao se alimentarem de frutos e se deslocarem por áreas de mata, eles contribuem para espalhar sementes e manter ciclos naturais de regeneração.
Por isso, a queda dessas populações preocupa ambientalistas. Quando uma espécie dispersora diminui, o impacto pode alcançar árvores, florestas e comunidades que dependem desses ecossistemas. A solução de Proud tenta responder justamente a essa ligação entre biodiversidade e equilíbrio ambiental.
Ninhos artificiais usam plástico reaproveitado como matéria-prima

A ideia central do projeto Homes for Hornbills é criar ninhos artificiais duráveis, adaptados ao comportamento dos calaus. Para isso, Proud passou a trabalhar com materiais reaproveitados, incluindo garrafas plásticas transformadas em estruturas de nidificação.
A proposta une dois problemas ambientais em uma mesma solução: a perda de habitat das aves e o excesso de resíduos plásticos. O que antes poderia virar descarte passa a ter função ecológica, ajudando filhotes a se desenvolverem em áreas onde ninhos naturais estão mais escassos.
Projeto foi desenvolvido com apoio de pesquisa e comunidades
Proud trabalhou com a Thailand Hornbill Research Foundation, a THRF, para desenhar e aperfeiçoar a solução. O projeto foi estruturado em três frentes: criação de ninhos artificiais, programa de conservação em escolas e, no futuro, oportunidades alternativas de renda para comunidades locais.
Essa última frente é importante porque o The Earth Prize cita caça ilegal e desmatamento entre as ameaças aos calaus. Ao envolver moradores e estudantes, a iniciativa tenta transformar proteção ambiental em participação comunitária, não apenas em uma ação isolada de laboratório.
Estruturas já foram instaladas no sul da Tailândia
Até a divulgação do prêmio, 20 ninhos haviam sido instalados no sul da Tailândia. O projeto também registrou 14 filhotes de calaus que conseguiram voar em 2025, um dado relevante para medir o impacto inicial da solução.
Em 2026, segundo as informações divulgadas pela premiação, 14 ninhos já estavam ocupados. Esses números não significam solução definitiva para a queda global das espécies, mas mostram que os ninhos artificiais começaram a ser usados pelas aves em campo.
Sessenta estudantes locais participaram da iniciativa

O projeto também envolveu 60 estudantes locais, reforçando a dimensão educativa da proposta. A presença de jovens nas ações ajuda a espalhar conhecimento sobre calaus, desmatamento, caça ilegal e conservação de florestas.
Esse ponto dá ao projeto um alcance que vai além da construção dos ninhos. Ao levar o tema para escolas e comunidades, Proud amplia a chance de que a proteção dos calaus seja compreendida como responsabilidade coletiva.
Parceria apoiou uso de materiais plásticos reaproveitados
A iniciativa teve parceria com a TOA Venture Holding, a TOAVH, para apoiar o uso de materiais plásticos reaproveitados na produção dos ninhos. O projeto também inclui desenvolvimento de material em laboratório, com uso de resina de poliéster insaturado reaproveitada.
Essa etapa mostra que os ninhos artificiais não são apenas caixas improvisadas. A proposta envolve teste, refinamento e adaptação dos materiais para que as estruturas sejam duráveis e compatíveis com o comportamento das aves.
Documentário e universidade ajudaram a dar visibilidade ao projeto
Além do trabalho em campo, Proud produziu o documentário Homes for Hornbills, que ficou entre os dez melhores em premiação e passou a ser exibido na plataforma VIPA, da Thai PBS. A estudante também apresentou resultados de sua pesquisa à Faculdade de Silvicultura da Universidade Kasetsart.
A visibilidade ajudou a transformar um projeto local em referência internacional de inovação jovem. Quando uma solução ambiental consegue reunir pesquisa, comunidade, comunicação e resultado em campo, ela ganha mais força para ser replicada em outros territórios.
The Earth Prize reconheceu a solução entre jovens inovadores
O The Earth Prize é uma competição ambiental internacional voltada a estudantes de 13 a 19 anos. Em 2026, Proud foi escolhida como vencedora da região de Oceania e Sudeste Asiático por sua solução para proteger calaus e florestas.
Cada equipe vencedora regional recebe US$ 12,5 mil para desenvolver e implementar sua ideia. No caso de Proud, o recurso deve ajudar a expandir a instalação de ninhos, ampliar parcerias com comunidades e fortalecer ações contra caça ilegal e desmatamento.
Prêmio busca transformar ansiedade climática em ação concreta
A organização informa que o The Earth Prize já alcançou mais de 21 mil estudantes em 169 países e territórios desde sua criação. A premiação é conduzida pela The Earth Foundation, organização sem fins lucrativos sediada em Genebra, fundada após as mobilizações estudantis pelo clima de 2019.
O fundador Peter McGarry afirmou que os vencedores de 2026 representam equipes de sete regiões globais e mostram que idade não impede mudanças significativas. A história de Proud se encaixa nessa lógica: uma estudante identificou um problema ambiental e criou uma solução aplicada no território.
Próximo passo é ampliar habitats e criar alternativas de renda
Com o apoio do prêmio, Proud pretende expandir o modelo para habitats importantes dos calaus. A ideia é aumentar a implantação de ninhos e trabalhar com comunidades locais em soluções de longo prazo.
Entre as possibilidades citadas estão atividades como construção e monitoramento dos ninhos, que podem oferecer alternativas de renda e reduzir pressões ligadas à caça ilegal e ao desmatamento. A proteção dos filhotes, nesse caso, depende também de criar motivos para que as comunidades vejam valor em manter as aves vivas e as florestas em pé.
Solução mostra como uma ideia escolar pode alcançar impacto internacional
A trajetória de Proud começou em um passeio escolar, passou por pesquisa, envolveu estudantes e comunidades e chegou a uma premiação internacional. O projeto dos ninhos artificiais mostra como uma descoberta feita ainda na infância pode amadurecer até virar ação ambiental concreta.
A história também reforça que inovação nem sempre nasce de grandes laboratórios. Às vezes, ela surge quando alguém observa um problema local, escuta pesquisadores, testa materiais reaproveitados e envolve quem vive perto da floresta.
O projeto de Yanin “Proud” Tangkaravakoon faz pensar sobre o papel dos jovens na proteção ambiental. Você acredita que soluções criadas por estudantes podem ter impacto real na conservação da natureza? Deixe sua opinião nos comentários.

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