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Escócia cria tijolo feito com mais de 95% de entulho reciclado, elimina a queima em forno e tenta reinventar uma peça usada em obras há quase mil anos

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/06/2026 às 18:45
Atualizado em 14/06/2026 às 18:47
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Escócia cria tijolo feito com mais de 95% de entulho reciclado
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Tijolo reciclado da Escócia usa entulho de construção, evita a queima em forno e mostra como resíduos de obra podem voltar para novas paredes, fachadas e projetos comerciais, em vez de seguirem apenas para descarte.

Após receber certificação para uso na construção no Reino Unido em 2025, o tijolo escocês K Briq colocou o entulho reciclado no centro de uma discussão prática sobre obras, descarte e energia. A peça desenvolvida pela Kenoteq usa mais de 95% de resíduos reciclados e não passa pela queima tradicional em forno.

As informações foram divulgadas por Kenoteq, empresa escocesa de materiais de construção. A tecnologia nasceu de pesquisas ligadas à Heriot Watt University e avançou para uma fase em que certificações passam a permitir uso mais seguro em projetos reais.

A ideia chama atenção porque o tijolo parece simples, mas está ligado a três problemas grandes: descarte de entulho, consumo de energia e retirada de matéria prima da natureza. Em vez de tratar a sobra da obra como lixo, a tecnologia tenta transformar esse material em uma nova peça para construir.

O entulho que sobra de obras volta para a construção em forma de tijolo reciclado

O tijolo reciclado criado na Escócia usa principalmente resíduos de construção e demolição. Isso inclui sobras de obras, reformas e demolições que normalmente precisam de coleta, separação e descarte correto.

Na prática, o K Briq transforma parte desse material em uma nova peça de construção. O que antes poderia ocupar espaço em áreas de descarte passa a ter uma segunda utilidade dentro do próprio setor que gerou o resíduo.

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Essa lógica é chamada de construção circular. O nome pode parecer técnico, mas a ideia é simples: usar novamente o material, reduzir desperdício e manter recursos em circulação por mais tempo.

Para cidades brasileiras, o exemplo é fácil de entender. Caçambas, restos de obra e descarte de reformas fazem parte da paisagem urbana. O caso escocês mostra que o entulho pode deixar de ser apenas problema e virar matéria prima.

O forno tradicional é uma das partes mais pesadas da fabricação de tijolos comuns

Tijolos cerâmicos tradicionais passam por queima em forno. Essa etapa usa muito calor para endurecer a peça e deixá la pronta para a obra.

O K Briq elimina essa fase. Sem a queima em forno, a produção evita uma etapa conhecida pelo alto consumo de energia. Essa diferença é uma das razões para o produto ser apresentado como uma alternativa de baixo carbono.

Carbono, nesse caso, tem relação com gases liberados durante a fabricação de materiais. Quanto menor esse impacto, menor tende a ser a pressão ambiental ligada à produção.

A mudança importa porque o tijolo é pequeno, mas aparece em grande quantidade nas construções. Quando uma peça tão repetida passa por uma produção menos pesada, o impacto pode crescer em escala comercial.

A Kenoteq tenta tirar a inovação do laboratório e levar o tijolo reciclado para obras reais

O K Briq nasceu a partir de pesquisas ligadas à Heriot Watt University, no Reino Unido. Depois, a tecnologia passou a ser desenvolvida pela Kenoteq, que trabalha com materiais de construção de baixo impacto.

Kenoteq, empresa escocesa de materiais de construção, apresenta o tijolo como uma alternativa feita com resíduos e pensada para reduzir desperdício no setor. Esse ponto é importante porque muitas ideias sustentáveis ficam restritas a testes pequenos.

No caso do K Briq, o objetivo é chegar a projetos comerciais. Isso significa entrar em obras com regras, exigências técnicas e necessidade de fornecimento regular.

Para uma construtora, não basta o material parecer interessante. Ele precisa ter desempenho, padrão, segurança e disponibilidade. Por isso, certificações e testes são parte essencial do caminho.

Certificação é importante porque obra não pode depender apenas de promessa ambiental

Na construção civil, certificação é uma forma de mostrar que um produto passou por avaliação técnica. Para o leitor leigo, isso funciona como uma camada de confiança antes de o material ser usado em obras.

Um tijolo reciclado precisa mostrar que não é apenas uma boa ideia. Ele precisa atender exigências de uso, resistência e aplicação, como qualquer produto que entra em uma parede ou fachada.

Esse cuidado evita uma interpretação errada. O K Briq não deve ser visto como uma peça artesanal feita de sobras sem controle. A proposta envolve pesquisa, processo industrial e tentativa de aceitação no mercado da construção.

Por isso, o debate não é apenas ambiental. Ele também envolve segurança, escala e confiança de arquitetos, engenheiros, construtoras e clientes.

A construção circular muda a forma de enxergar lixo de obra

O entulho de construção costuma ser visto como algo a retirar do canteiro. A proposta do tijolo reciclado inverte essa lógica e mostra que parte desse material pode voltar como produto.

Essa mudança reduz a dependência de matéria prima nova. Também ajuda a diminuir a pressão sobre áreas de descarte, desde que exista separação correta, tecnologia adequada e mercado para absorver o produto.

O caso escocês não significa que todos os tijolos tradicionais serão substituídos de uma vez. A construção civil muda devagar, principalmente quando envolve materiais usados há gerações.

Ainda assim, o K Briq mostra um caminho claro. Uma peça comum pode ganhar uma nova origem, com mais de 95% de material reciclado e sem passar pela queima tradicional em forno.

O que falta para tijolos reciclados ganharem mais espaço nas obras

Materiais circulares precisam vencer barreiras práticas. A primeira é a confiança. A segunda é a escala. A terceira é a aceitação de quem compra, projeta e constrói.

Também existe o desafio do custo e da oferta. Um produto pode ser ambientalmente melhor, mas precisa chegar ao mercado em quantidade suficiente para atender obras reais.

Outro ponto é a cultura da construção. O tijolo comum é conhecido, fácil de encontrar e já faz parte da rotina dos canteiros. Uma alternativa reciclada precisa provar que entrega resultado sem complicar a obra.

Mesmo assim, a experiência da Escócia mostra que a inovação pode começar em uma peça simples. O tijolo não precisa mudar de formato para mudar sua origem e seu impacto.

A criação do tijolo feito com mais de 95% de entulho reciclado mostra que a construção pode reaproveitar parte do próprio desperdício. Sem a queima em forno, o K Briq também coloca a energia da fabricação no centro da discussão.

O caso não resolve sozinho o problema do entulho nas cidades, mas aponta uma pergunta importante para o futuro das obras: materiais descartados ainda são lixo ou podem voltar como parte de novas construções?

Você acha que tijolos reciclados poderiam ganhar espaço nas obras brasileiras ou a construção civil ainda vai demorar para confiar em materiais feitos a partir de entulho?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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