Tijolo reciclado da Escócia usa entulho de construção, evita a queima em forno e mostra como resíduos de obra podem voltar para novas paredes, fachadas e projetos comerciais, em vez de seguirem apenas para descarte.
Após receber certificação para uso na construção no Reino Unido em 2025, o tijolo escocês K Briq colocou o entulho reciclado no centro de uma discussão prática sobre obras, descarte e energia. A peça desenvolvida pela Kenoteq usa mais de 95% de resíduos reciclados e não passa pela queima tradicional em forno.
As informações foram divulgadas por Kenoteq, empresa escocesa de materiais de construção. A tecnologia nasceu de pesquisas ligadas à Heriot Watt University e avançou para uma fase em que certificações passam a permitir uso mais seguro em projetos reais.
A ideia chama atenção porque o tijolo parece simples, mas está ligado a três problemas grandes: descarte de entulho, consumo de energia e retirada de matéria prima da natureza. Em vez de tratar a sobra da obra como lixo, a tecnologia tenta transformar esse material em uma nova peça para construir.
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O entulho que sobra de obras volta para a construção em forma de tijolo reciclado
O tijolo reciclado criado na Escócia usa principalmente resíduos de construção e demolição. Isso inclui sobras de obras, reformas e demolições que normalmente precisam de coleta, separação e descarte correto.
Na prática, o K Briq transforma parte desse material em uma nova peça de construção. O que antes poderia ocupar espaço em áreas de descarte passa a ter uma segunda utilidade dentro do próprio setor que gerou o resíduo.
Essa lógica é chamada de construção circular. O nome pode parecer técnico, mas a ideia é simples: usar novamente o material, reduzir desperdício e manter recursos em circulação por mais tempo.
Para cidades brasileiras, o exemplo é fácil de entender. Caçambas, restos de obra e descarte de reformas fazem parte da paisagem urbana. O caso escocês mostra que o entulho pode deixar de ser apenas problema e virar matéria prima.
O forno tradicional é uma das partes mais pesadas da fabricação de tijolos comuns
Tijolos cerâmicos tradicionais passam por queima em forno. Essa etapa usa muito calor para endurecer a peça e deixá la pronta para a obra.
O K Briq elimina essa fase. Sem a queima em forno, a produção evita uma etapa conhecida pelo alto consumo de energia. Essa diferença é uma das razões para o produto ser apresentado como uma alternativa de baixo carbono.
Carbono, nesse caso, tem relação com gases liberados durante a fabricação de materiais. Quanto menor esse impacto, menor tende a ser a pressão ambiental ligada à produção.
A mudança importa porque o tijolo é pequeno, mas aparece em grande quantidade nas construções. Quando uma peça tão repetida passa por uma produção menos pesada, o impacto pode crescer em escala comercial.
A Kenoteq tenta tirar a inovação do laboratório e levar o tijolo reciclado para obras reais
O K Briq nasceu a partir de pesquisas ligadas à Heriot Watt University, no Reino Unido. Depois, a tecnologia passou a ser desenvolvida pela Kenoteq, que trabalha com materiais de construção de baixo impacto.
Kenoteq, empresa escocesa de materiais de construção, apresenta o tijolo como uma alternativa feita com resíduos e pensada para reduzir desperdício no setor. Esse ponto é importante porque muitas ideias sustentáveis ficam restritas a testes pequenos.
No caso do K Briq, o objetivo é chegar a projetos comerciais. Isso significa entrar em obras com regras, exigências técnicas e necessidade de fornecimento regular.
Para uma construtora, não basta o material parecer interessante. Ele precisa ter desempenho, padrão, segurança e disponibilidade. Por isso, certificações e testes são parte essencial do caminho.
Certificação é importante porque obra não pode depender apenas de promessa ambiental
Na construção civil, certificação é uma forma de mostrar que um produto passou por avaliação técnica. Para o leitor leigo, isso funciona como uma camada de confiança antes de o material ser usado em obras.
Um tijolo reciclado precisa mostrar que não é apenas uma boa ideia. Ele precisa atender exigências de uso, resistência e aplicação, como qualquer produto que entra em uma parede ou fachada.
Esse cuidado evita uma interpretação errada. O K Briq não deve ser visto como uma peça artesanal feita de sobras sem controle. A proposta envolve pesquisa, processo industrial e tentativa de aceitação no mercado da construção.
Por isso, o debate não é apenas ambiental. Ele também envolve segurança, escala e confiança de arquitetos, engenheiros, construtoras e clientes.
A construção circular muda a forma de enxergar lixo de obra
O entulho de construção costuma ser visto como algo a retirar do canteiro. A proposta do tijolo reciclado inverte essa lógica e mostra que parte desse material pode voltar como produto.
Essa mudança reduz a dependência de matéria prima nova. Também ajuda a diminuir a pressão sobre áreas de descarte, desde que exista separação correta, tecnologia adequada e mercado para absorver o produto.
O caso escocês não significa que todos os tijolos tradicionais serão substituídos de uma vez. A construção civil muda devagar, principalmente quando envolve materiais usados há gerações.
Ainda assim, o K Briq mostra um caminho claro. Uma peça comum pode ganhar uma nova origem, com mais de 95% de material reciclado e sem passar pela queima tradicional em forno.
O que falta para tijolos reciclados ganharem mais espaço nas obras
Materiais circulares precisam vencer barreiras práticas. A primeira é a confiança. A segunda é a escala. A terceira é a aceitação de quem compra, projeta e constrói.
Também existe o desafio do custo e da oferta. Um produto pode ser ambientalmente melhor, mas precisa chegar ao mercado em quantidade suficiente para atender obras reais.
Outro ponto é a cultura da construção. O tijolo comum é conhecido, fácil de encontrar e já faz parte da rotina dos canteiros. Uma alternativa reciclada precisa provar que entrega resultado sem complicar a obra.
Mesmo assim, a experiência da Escócia mostra que a inovação pode começar em uma peça simples. O tijolo não precisa mudar de formato para mudar sua origem e seu impacto.
A criação do tijolo feito com mais de 95% de entulho reciclado mostra que a construção pode reaproveitar parte do próprio desperdício. Sem a queima em forno, o K Briq também coloca a energia da fabricação no centro da discussão.
O caso não resolve sozinho o problema do entulho nas cidades, mas aponta uma pergunta importante para o futuro das obras: materiais descartados ainda são lixo ou podem voltar como parte de novas construções?
Você acha que tijolos reciclados poderiam ganhar espaço nas obras brasileiras ou a construção civil ainda vai demorar para confiar em materiais feitos a partir de entulho?


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