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Petrobras pode voltar a brilhar na Venezuela, agora que o país está mais aberto a iniciativas estrangeiras; o presidente Lula pode estar articulando com Trump o retorno da Petrobras à exploração de petróleo no país vizinho

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 20/02/2026 às 09:00 Atualizado em 20/02/2026 às 09:02
Lula deve negociar com Trump a volta da Petrobras à exploração de petróleo na Venezuela, usando dívida de US$ 1,8 bilhão como possível moeda de troca.
Lula deve negociar com Trump a volta da Petrobras à exploração de petróleo na Venezuela, usando dívida de US$ 1,8 bilhão como possível moeda de troca.
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Lula deve negociar com Trump a volta da Petrobras à exploração de petróleo na Venezuela, usando dívida de US$ 1,8 bilhão como possível moeda de troca.

Uma dívida de US$ 1,8 bilhão pode se transformar em participação direta em campos de petróleo na Venezuela. Essa é uma das alternativas que o governo brasileiro estuda para viabilizar o retorno da Petrobras ao setor petrolífero do país vizinho.

O tema deve entrar na pauta do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para março. 

A intenção é discutir condições políticas para que a estatal brasileira volte a operar em território venezuelano após a mudança de governo em Caracas.

Ao mesmo tempo, cresce dentro da Petrobras a avaliação de que o novo marco regulatório do petróleo venezuelano está mais aberto ao capital estrangeiro. Ainda assim, o cenário político levanta dúvidas.

Nova lei do petróleo anima investidores, mas risco permanece

A Assembleia venezuelana aprovou recentemente uma nova lei do petróleo, já sob o governo de Delcy Rodríguez. Dentro da Petrobras, o entendimento é de que as regras atuais são mais favoráveis ao investimento estrangeiro.

Mesmo assim, há cautela. Uma fonte da estatal lembra que ainda é cedo para considerar a instabilidade política totalmente superada. Segurança jurídica continua sendo um ponto sensível.

Além disso, o mandato de Trump tem prazo limitado. São mais três anos pela frente. Na indústria do petróleo, esse tempo é curto. Projetos costumam levar décadas. Portanto, não há garantias sobre o futuro político da Venezuela.

O ponto central da negociação envolve financiamentos liberados pelo BNDES na década passada. Esses contratos, firmados com o governo venezuelano, não foram quitados. O valor chega a US$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 9,5 bilhões.

Como as chances de pagamento no curto prazo são consideradas remotas, o Planalto avalia alternativas. Uma delas é transformar a dívida em ativos ligados ao petróleo.

Essa estratégia permitiria à Petrobras voltar ao mercado venezuelano sem necessidade de novo desembolso imediato.

Três frentes de interesse no setor de petróleo

Há pelo menos três áreas que despertam interesse da estatal brasileira.

Primeiro, o Lago Maracaibo. A região produz um petróleo mais leve. No entanto, são campos explorados desde a década de 1920 e atualmente em declínio.

Segundo, a Bacia do Orinoco. Ali o óleo é mais pesado e tem menor valor no mercado internacional. Por outro lado, a Petrobras possui experiência técnica e capacidade logística para refinar esse tipo de petróleo.

Terceiro, as refinarias venezuelanas. Muitas estão deterioradas. Ainda assim, a empresa enxerga potencial de recuperação.

Além disso, também é cogitada a exploração de gás offshore. Trata-se de uma área ainda sem produção nos mares venezuelanos.

Contexto político amplia debate sobre combustíveis fósseis

A possível volta da Petrobras ocorre em um momento em que a estatal já bate recordes de produção e exportação de petróleo. Paralelamente, busca avançar em novas fronteiras exploratórias, como a Foz do Amazonas.

Em discurso no ano passado, em Houston, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, chegou a afirmar: “Drill, baby, drill!”. A frase ecoou no setor e reforçou o apetite por expansão.

Agora, com a Venezuela novamente no radar, a articulação política passa a ser decisiva. Lula pretende abordar o tema diretamente com Trump, buscando aval para a operação.

Diante desse cenário, surge a pergunta que divide opiniões: transformar uma dívida bilionária em novos projetos de petróleo na Venezuela é uma estratégia inteligente ou um risco alto demais para o Brasil? O que você acha?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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