Nova tecnologia de resfriamento térmico criada por pesquisadores aumenta a eficiência dos semicondutores e impulsiona chips avançados para IA e supercomputação.
O calor é um dos principais obstáculos para a evolução dos processadores modernos. Quanto mais poderosos os chips se tornam, maior é a dificuldade de manter temperaturas seguras sem aumentar o consumo de energia. Agora, pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) apresentaram uma tecnologia que pode mudar esse cenário.
A inovação utiliza microcanais mais finos que um fio de cabelo humano incorporados diretamente ao silício. Nos testes, a nova solução de refrigeração de chips conseguiu manter a temperatura abaixo de 100°C mesmo sob cargas térmicas superiores a 2.000 watts por centímetro quadrado (W/cm²). Além disso, alcançou um coeficiente de desempenho (COP) de aproximadamente 106.000, cerca de 10 vezes superior ao recorde anterior registrado em 2020.
Segundo publicação do Science Direct no dia 15 de junho de 2026, o avanço pode beneficiar áreas como inteligência artificial, data centers, supercomputadores e sistemas de computação de alto desempenho, reduzindo um dos maiores gargalos enfrentados atualmente pela indústria dos semicondutores.
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Como os pesquisadores reinventaram a circulação de água dentro dos chips
O projeto liderado por Young Lee e sua equipe aposta em uma estratégia diferente dos sistemas convencionais. Em vez de fazer o líquido refrigerante percorrer longas distâncias dentro do processador, a nova arquitetura distribui a água por diversos pontos de entrada e saída espalhados pelo chip.
Na prática, isso reduz significativamente a resistência ao fluxo do líquido. Como resultado, menos energia é necessária para movimentar a água e remover o calor gerado pelos componentes eletrônicos.
A ideia lembra uma rede logística moderna. Em vez de depender de um único centro de distribuição, vários pontos trabalham simultaneamente para reduzir distâncias e aumentar a eficiência.
Refrigeração de chips usa apenas água e dispensa materiais caros
Um dos diferenciais mais importantes da tecnologia está na simplicidade do sistema.
Nos últimos anos, diversas pesquisas tentaram melhorar a refrigeração de chips utilizando materiais avançados, superfícies modificadas em nanoescala e métodos complexos de troca térmica. Muitas dessas alternativas apresentam custos elevados e desafios para aplicação comercial.
A solução criada pelos pesquisadores segue um caminho diferente. O sistema utiliza apenas água em temperatura ambiente circulando por microcanais cuidadosamente projetados.
Isso pode facilitar a adoção da tecnologia pela indústria, especialmente em aplicações que exigem escala e custos controlados.
Chips avançados enfrentam limites térmicos cada vez mais severos
A corrida por mais desempenho tem aumentado a pressão sobre fabricantes de processadores.
Com a expansão da inteligência artificial e da análise de grandes volumes de dados, os chips avançados precisam executar cada vez mais operações em espaços reduzidos. Esse aumento de densidade computacional gera quantidades significativas de calor.
Quando a temperatura sobe além do ideal, diversos problemas podem surgir:
- Redução de desempenho;
- Maior consumo energético;
- Desgaste acelerado dos componentes;
- Risco de falhas operacionais;
- Menor vida útil dos equipamentos.
Por esse motivo, a dissipação eficiente de calor tornou-se uma prioridade para toda a indústria de semicondutores.
Otimização inteligente elevou o desempenho dos semicondutores
O sucesso da pesquisa não depende apenas da presença dos microcanais. A equipe do KAIST realizou um amplo trabalho de otimização para encontrar a configuração mais eficiente possível.
Os pesquisadores analisaram fatores como:
- Largura dos canais;
- Altura dos canais;
- Quantidade de microcanais;
- Distribuição interna;
- Vazão do fluido refrigerante;
- Pressão necessária para circulação.
Para chegar ao modelo final, foram utilizados métodos de otimização multifidelidade, que permitiram explorar milhares de combinações antes da fabricação do protótipo.
Após as simulações, a estrutura foi produzida em um chip semicondutor de silício real e submetida a testes experimentais.
Resfriamento térmico supera recorde mundial estabelecido em 2020
Os resultados obtidos chamaram a atenção da comunidade científica.
Segundo os dados divulgados pela equipe, o sistema alcançou um coeficiente de desempenho de aproximadamente 106.000. O indicador mede a eficiência da remoção de calor em relação à energia consumida pelo sistema de bombeamento.
Para efeito de comparação, a melhor tecnologia apresentada anteriormente, em 2020, registrava um COP próximo de 10.000.
Na prática, isso significa que o novo método exige apenas cerca de um décimo da potência de bombeamento para remover a mesma quantidade de calor.
Além de melhorar a eficiência energética, o sistema também proporciona uma distribuição térmica mais uniforme por toda a superfície do processador.
Computação de alto desempenho depende cada vez mais de soluções térmicas
O avanço chega em um momento estratégico para a indústria.
Aplicações de computação de alto desempenho exigem processadores capazes de operar continuamente sob cargas intensas. Esse cenário inclui supercomputadores, modelos avançados de inteligência artificial, simulações científicas e sistemas de engenharia.
Nessas plataformas, o calor já é considerado um dos principais fatores limitantes para novos ganhos de desempenho.
Quanto mais eficiente for o controle térmico, maior será o potencial para aumentar a capacidade de processamento sem elevar proporcionalmente o consumo de energia.
Pesquisadores enxergam aplicações em IA, data centers e eletrônicos avançados
O professor Sung Kim, integrante da equipe responsável pelo estudo, destacou que a tecnologia foi desenvolvida pensando nas futuras demandas dos semicondutores voltados para inteligência artificial e sistemas eletrônicos de última geração.
A expectativa é que a solução contribua para a criação de equipamentos mais rápidos, compactos e eficientes.
Entre os setores que podem ser beneficiados estão:
- Inteligência artificial generativa;
- Data centers de grande porte;
- Computação científica;
- Processadores gráficos avançados;
- Infraestrutura de nuvem;
- Sistemas de alto desempenho para pesquisa.
À medida que a demanda por processamento cresce, tecnologias desse tipo tendem a ganhar relevância estratégica.
Um passo importante para a próxima geração de processadores
O trabalho desenvolvido pelos pesquisadores do KAIST mostra que ainda existe espaço para avanços expressivos na gestão térmica dos componentes eletrônicos.
Ao manter temperaturas abaixo de 100°C mesmo diante de cargas superiores a 2.000 W/cm² e alcançar uma eficiência cerca de 10 vezes maior que o recorde anterior, a tecnologia demonstra potencial para redefinir os padrões da refrigeração de chips.
Combinando engenharia inteligente, baixo consumo energético e uso de água como fluido refrigerante, a inovação pode ajudar a remover uma das maiores barreiras para a evolução dos chips avançados, dos semicondutores modernos e da computação de alto desempenho nas próximas décadas.

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