Vendas recordes de veículos de nova energia e expansão do transporte ferroviário já retiram até 400 mil barris por dia do consumo mundial, segundo agências internacionais em 2024
Uma mudança estrutural avança na China e começa a produzir efeitos diretos no mercado global de energia. O consumo de petróleo no país desacelera em 2024, enquanto, ao mesmo tempo, as vendas de carros elétricos e híbridos plug-in atingem níveis históricos. Esse movimento, portanto, passa a materializar o cenário que analistas do setor energético vinham apontando há anos.
Segundo dados divulgados em 2024 pela Agência Internacional de Energia, a menor demanda por combustíveis fósseis no transporte chinês já impacta o crescimento global do petróleo. O efeito é relevante, sobretudo porque a China respondeu por mais de 60% da expansão mundial do consumo desde a década de 1970.

A relação entre crescimento econômico e petróleo começa a se romper
Historicamente, o crescimento do Produto Interno Bruto esteve diretamente ligado ao aumento do consumo de petróleo. Sempre que a economia avançava, mais veículos circulavam, mais viagens eram realizadas e novos projetos de infraestrutura ampliavam a demanda por combustíveis.
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No entanto, ao longo dos anos, essa correlação começou a enfraquecer, especialmente após 2002, com o fortalecimento do setor de serviços. Em 2024, contudo, a China rompe esse padrão de forma mais clara, ao reduzir o ritmo de crescimento da demanda mesmo sem uma recessão profunda.
Dados de 2024 confirmam desaceleração do consumo chinês
De acordo com a Agência Internacional de Energia, o consumo de petróleo chinês deve crescer apenas 1,1% em 2024, o equivalente a cerca de 180 mil barris por dia. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos confirma projeções semelhantes em relatório publicado no mesmo período.
Ao mesmo tempo, o refino de diesel apresenta retração significativa. Dados divulgados pela Reuters indicam que algumas refinarias registraram queda de até 13%, na comparação com 2023. Segundo a agência, a desaceleração da logística e do transporte rodoviário explica boa parte dessa redução.
Eletrificação da frota ganha protagonismo no transporte
Analistas concordam que a desaceleração da economia chinesa influencia o cenário, sobretudo diante da queda da construção civil e da redução dos investimentos. Ainda assim, o consumo de petróleo havia crescido próximo de 10% em 2023, o que reforça o caráter estrutural da mudança observada agora.
Nesse contexto, a eletrificação acelerada da frota assume papel central. Projeções indicam que, até 2025, a China ainda pode ampliar o consumo em cerca de 300 mil barris por dia, porém quase todo esse avanço virá da indústria petroquímica, enquanto o transporte perde protagonismo.
Vendas recordes de carros elétricos já impactam a demanda global
O impacto já é mensurável. Segundo estimativas divulgadas em 2024 pela Agência Internacional de Energia, as vendas de veículos elétricos, combinadas à expansão do trem de alta velocidade, devem reduzir a demanda global por petróleo em até 400 mil barris por dia.
Os dados de mercado reforçam essa leitura. Em outubro de 2024, foram vendidos 1,43 milhão de carros elétricos e híbridos plug-in, incluindo exportações, conforme números da CNEVPost. O volume superou o recorde anterior e ficou 49,6% acima do registrado em outubro de 2023. Pela primeira vez, mais da metade dos carros vendidos na China pertence à categoria de “nova energia”.
Trem de alta velocidade reforça a redução do uso de petróleo
Além disso, o avanço do trem de alta velocidade consolida a redução do uso de petróleo. Segundo o Global Times, a modernização dos trens reduziu os custos de manutenção em cerca de 15%.
No verão de 2024, o número de passageiros cresceu 6,2% em relação a 2023, alcançando 872 milhões de viagens. Os planos oficiais preveem mais 15 mil quilômetros de linhas até o fim da década, ampliando ainda mais a substituição de modais dependentes de combustíveis fósseis.
Um novo cenário começa a desafiar o setor petrolífero
Diante desse cenário, a China passa a inaugurar uma fase inédita, na qual o crescimento econômico não se traduz automaticamente em maior consumo de petróleo.
Esse desvio histórico levanta uma questão central para o setor energético global: como as petrolíferas irão se adaptar a um mundo em que o maior motor da demanda começa a desacelerar?

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