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Arqueólogos escavam obra de trem na França e encontram, sob metros de lodo do rio Sena, um acampamento mesolítico de 10 mil anos que parecia ter desaparecido da história humana

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 19/06/2026 às 07:52 Atualizado em 19/06/2026 às 07:54
Arqueólogos escavam sítio arqueológico em área de obras na França, onde vestígios de um acampamento mesolítico de 10 mil anos foram encontrados sob o lodo do rio Sena.
Escavação arqueológica em Vitry-sur-Seine revelou ferramentas, vestígios de fogueira e sinais de caçadores-coletores preservados por sedimentos do rio Sena.
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Descoberta em Vitry-sur-Seine revela vestígios raros de caçadores-coletores, ferramentas de sílex, pontas de flecha e uma antiga fogueira preservada sob a futura estação Les Ardoines.

Uma escavação arqueológica realizada em Vitry-sur-Seine, na França, revelou um acampamento mesolítico de aproximadamente 10 mil anos sob a área de uma futura estação de trem.

A descoberta ocorreu durante trabalhos de arqueologia preventiva para a construção da estação Les Ardoines, parte do megaprojeto Grand Paris Express.

Especialistas do Inrap, o Instituto Nacional de Pesquisa Arqueológica Preventiva da França, identificaram vestígios ligados a antigos caçadores-coletores que viveram às margens do rio Sena.

O achado ganhou importância porque os materiais ficaram protegidos por milênios. Camadas de sedimentos e lodo, deixadas pelas cheias do rio Sena, preservaram os objetos a cerca de 2,5 metros de profundidade.

A escavação mostra como uma obra urbana moderna pode revelar fragmentos profundos da ocupação humana. Nesse caso, o futuro transporte metropolitano trouxe à superfície uma memória pré-histórica rara.

Investigação arqueológica revela acampamento preservado pelo Sena

A área analisada possui cerca de 4.000 m² e fica em uma região marcada por intensa transformação urbana e industrial.

Arqueólogos recolheram milhares de fragmentos de sílex e ferramentas feitas de arenito. Esses materiais indicam a presença de grupos nômades no local durante o período Mesolítico.

Segundo Lapogianni Marcucci, arqueólogo do Inrap, o acampamento teria funcionado como um ponto estratégico para preparar e reparar pontas de flechas.

Essas peças eram fundamentais para a caça com arco. A prática caracterizava os grupos humanos que circulavam pela região há cerca de 10 mil anos.

A localização próxima ao rio também favorecia o acesso à água e atraía animais caçados pelos antigos habitantes.

Pequenas ferramentas revelam detalhes da vida pré-histórica

As peças encontradas impressionam pela quantidade e pelo valor científico. Muitas delas são pequenas, frágeis e difíceis de identificar durante a escavação.

Cécile Ollivier-Alibert, arqueóloga do Inrap, destacou o cuidado necessário para reconhecer os minúsculos fragmentos preservados no solo.

Uma ponta de projétil bem conservada representa uma peça importante para a pesquisa. Esse tipo de vestígio ajuda a compreender técnicas de caça, deslocamento e sobrevivência.

Pesquisadores também encontraram uma lareira marcada por pedras aquecidas. O vestígio indica o uso do fogo e ajuda a entender a organização do espaço dentro do acampamento.

O conjunto reforça a importância do sítio para o estudo da vida cotidiana de caçadores-coletores do Mesolítico.

Mudança climática transformou a paisagem dos caçadores

O acampamento pertence a uma fase de grandes mudanças ambientais na Europa.

O aquecimento do Holoceno transformou a paisagem e substituiu a antiga estepe fria por áreas de floresta.

Animais como cervos e javalis passaram a circular com mais frequência nesse novo ambiente.

Grupos humanos precisaram adaptar rotas, ferramentas e estratégias de caça para sobreviver nesse cenário em transformação.

Os vestígios encontrados em Vitry-sur-Seine ajudam a explicar como esses caçadores-coletores responderam às mudanças do clima e da vegetação.

Pontas de flecha ligam descoberta à cultura Beuroniana

Relatórios técnicos coordenados por Bénédicte Souffi, arqueóloga do Inrap e responsável científica da operação, relacionam o sítio à cultura Beuroniana.

A associação foi feita a partir dos tipos de pontas de flecha encontrados na escavação.

A presença desse conjunto técnico indica uma influência setentrional já observada em outras áreas da Île-de-France.

O acampamento, dessa maneira, amplia o conhecimento sobre a circulação de grupos humanos na região durante o Mesolítico.

A descoberta também reforça o papel das margens do Sena como área estratégica para ocupação, caça e deslocamento.

Memória enterrada sob a metrópole moderna

Vitry-sur-Seine passa atualmente por mudanças ligadas à expansão urbana e ao transporte metropolitano.

A escavação, no entanto, revelou uma profundidade histórica que vai do Mesolítico à Idade Média.

O local foi aberto ao público em junho de 2026, durante as Jornadas Europeias da Arqueologia.

Moradores puderam acompanhar parte do trabalho arqueológico feito com espátulas e observar vestígios preservados sob o solo da cidade.

A futura estação Les Ardoines passa, assim, a representar mais do que mobilidade urbana. Ela também expõe um elo raro entre a metrópole contemporânea e grupos humanos que viveram na região há 10 mil anos.

O que mais chama sua atenção nessa descoberta: o acampamento escondido sob uma obra moderna ou a preservação dos vestígios pelo lodo do rio Sena? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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