Em 1994, a GM desmontou e montou um Chevrolet Monza no topo do Corcovado para gravar um comercial de 30 segundos, em uma das ações mais ousadas da publicidade automotiva brasileira.
Nos anos 1990, quando computação gráfica ainda engatinhava e efeitos digitais eram caros e limitados, a publicidade automotiva dependia de ações reais, físicas e muitas vezes extremas para causar impacto. Foi nesse contexto que a General Motors tomou uma decisão que hoje parece impensável: montar um carro do zero no topo do Corcovado apenas para gravar um comercial de 30 segundos. O protagonista foi um Chevrolet Monza, desmontado peça por peça, levado até o alto da montanha e remontado exclusivamente para a filmagem. Depois, tudo foi desfeito.
Por que a GM decidiu montar um carro no topo do Corcovado
O objetivo da campanha era simples e ambicioso ao mesmo tempo: criar uma imagem impossível de ser ignorada. Colocar um carro em um dos cartões-postais mais emblemáticos do país garantia impacto imediato, associação emocional e lembrança de marca.
Naquela época, não existia CGI avançado capaz de criar uma cena crível desse tipo. A solução foi fazer acontecer no mundo real, mesmo que isso significasse enfrentar limitações físicas severas.
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O desafio logístico de acessar o topo da montanha
O Corcovado não permite o acesso de veículos convencionais ao seu topo. Não há estrada para carros, nem espaço para guindastes pesados ou caminhões de grande porte.
Por isso, o Monza não foi levado inteiro. A única alternativa viável foi desmontar completamente o veículo, separar seus principais componentes e transportar tudo em partes menores, compatíveis com o acesso permitido ao local.
Montagem do zero em ambiente hostil
No topo, a equipe precisou reconstruir o carro praticamente do zero. Isso envolveu montagem de chassi, suspensão, carroceria, interior e acabamento, tudo em um espaço reduzido, exposto a vento, variações de temperatura e limitações de tempo.
Não se tratava de uma montagem industrial. Foi um processo manual, artesanal e improvisado, exigindo precisão para que o carro estivesse visualmente perfeito para a câmera, mesmo que não tivesse finalidade funcional após a gravação.
Um carro funcional ou apenas cenográfico?
Relatos indicam que o Monza não tinha como objetivo rodar no topo do Corcovado. A prioridade era aparência externa e enquadramento de imagem, não funcionamento mecânico pleno.
Isso permitiu simplificar alguns processos, mas não reduziu o desafio estrutural. O carro precisava parecer íntegro, alinhado e fiel ao modelo vendido nas concessionárias, sob risco de comprometer a credibilidade da campanha.
Tempo, custo e risco para apenas 30 segundos de vídeo
Toda a operação — desmontagem, transporte, montagem, gravação e desmontagem novamente — foi realizada para um comercial de apenas 30 segundos.
Esse tipo de investimento era comum na publicidade automotiva da época, quando ações grandiosas funcionavam como demonstração de poder industrial e ousadia de marca, mesmo que o público nunca soubesse exatamente o que havia por trás da cena.
Hoje, uma ação desse porte envolveria licenças ambientais, autorizações patrimoniais, seguros milionários e uma logística muito mais restritiva.
Por que algo assim seria quase impossível hoje
Atualmente, uma ação como essa enfrentaria barreiras ambientais, legais e operacionais praticamente intransponíveis. Áreas de preservação, patrimônio histórico e normas de segurança inviabilizam esse tipo de intervenção física.
Além disso, a evolução dos efeitos digitais tornaria a montagem real desnecessária do ponto de vista técnico, ainda que menos impressionante do ponto de vista histórico.
O impacto cultural da campanha
Mesmo sem ampla documentação em arquivos jornalísticos tradicionais, a história do Monza montado no Corcovado sobrevive como lenda real da publicidade automotiva brasileira.
Ela simboliza uma época em que marcas estavam dispostas a ir além do razoável para criar imagens icônicas, apostando mais em engenharia improvisada e coragem logística do que em soluções virtuais.
A ação da GM em 1994 não foi apenas um comercial. Foi uma operação logística extrema, executada para gerar uma única imagem marcante. Montar um Chevrolet Monza peça por peça a cerca de 700 metros de altitude, em um dos pontos mais simbólicos do país, mostra até onde a publicidade automotiva já esteve disposta a ir.
Hoje, esse episódio serve como retrato de uma era em que carros, propaganda e engenharia improvisada se encontravam no limite do possível, algo difícil de repetir — e justamente por isso tão fascinante.


kkkk que vergonha pro jornal, o comercial não goi gravado no corcovado do rio de janeiro, foi gravado no pico do corcovado em Ubatuba SP, até pelo comercial isso ja fica claro, que é na Serra do Mar
Foi no Dedo de Deus, na serra dos órgãos, não no Corcovado.