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Parada por 40 anos, ferrovia de 1.757 quilômetros recebe R$ 5 bilhões em dois aportes seguidos, reabre canteiros no sertão, inicia operação parcial no Piauí e promete reduzir em até 60% o frete de soja e minério, e conectar o interior mais pobre do Brasil ao mercado internacional pela primeira vez com infraestrutura competitiva

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 25/04/2026 às 18:18
Atualizado em 25/04/2026 às 18:24
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Transnordestina recebe R$ 5 bilhões, retoma obras após décadas e já opera parcialmente com potencial de reduzir até 60% o frete no Nordeste.
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Transnordestina recebe R$ 5 bilhões, retoma obras após décadas e já opera parcialmente com potencial de reduzir até 60% o frete no Nordeste.

A Transnordestina, a ferrovia de 1.757 quilômetros, entrou em sua fase mais concreta de operação no fim de 2025, quando o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou, em 17 de dezembro, que a ferrovia iniciaria os primeiros testes no trecho de 585 quilômetros entre Bela Vista do Piauí e Iguatu, no Ceará, após a emissão da licença de operação pelo Ibama em 11 de dezembro. No dia 18 de dezembro de 2025, a primeira composição com 20 vagões carregados de milho marcou a estreia do transporte de cargas nesse segmento e transformou em operação real uma obra que passou décadas associada a atrasos, impasses e paralisações.

Em 2026, o avanço ganhou novo peso institucional. Em 30 de janeiro de 2026, o Governo do Ceará informou que a Fase 1 da Transnordestina havia alcançado 80% de execução, com todos os trechos em território cearense em obras, enquanto a projeção oficial passou a apontar início de operação em 2027. No fim de março de 2026, o governo estadual voltou a afirmar que a ferrovia havia ultrapassado os 80% de conclusão, reforçando o papel estratégico do corredor logístico de 1.206 quilômetros entre Eliseu Martins, no Piauí, e o Porto do Pecém, no Ceará

Projeto da ferrovia de 1.757 quilômetros – Transnordestina foi idealizado ainda no Império e ficou mais de 150 anos sem execução

A proposta de conectar o interior do Nordeste ao litoral por meio de trilhos remonta a 1847, durante o Segundo Reinado, quando Dom Pedro II determinou estudos para viabilizar essa ligação.

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A lógica era econômica: reduzir o custo de transporte de produtos do sertão até os portos, permitindo maior competitividade no mercado internacional. Apesar da clareza do objetivo, o projeto permaneceu no papel por mais de um século.

Obras da Transnordestina começaram em 2006 com prazo de conclusão em 2010 e custo inicial de R$ 4,5 bilhões

A construção da ferrovia foi iniciada em 2006, durante o governo Lula, com lançamento em Missão Velha, no Ceará.

O projeto previa um traçado de 1.757 quilômetros em formato de “T invertido”, ligando Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará, e ao Porto de Suape, em Pernambuco.

O prazo inicial era de cinco anos, com custo estimado em R$ 4,5 bilhões. Nenhuma dessas previsões foi cumprida.

A ferrovia foi iniciada sem um contrato formal de construção, o que comprometeu a segurança jurídica do projeto. Somente em 2014, oito anos após o início das obras, foi firmado um contrato de concessão com a Transnordestina Logística S.A., subsidiária da CSN.

Em 2017, o Tribunal de Contas da União suspendeu repasses públicos ao identificar inconsistências entre os valores investidos e o avanço físico da obra.

À época, mais de R$ 6 bilhões haviam sido gastos com pouco mais de 50% da ferrovia concluída, sem clareza sobre os trechos efetivamente entregues.

Retomada das obras da ferrovia de 1.757 quilômetros ocorreu com recursos privados em 2019 e reestruturação do projeto em 2022

Em 2019, a CSN retomou parcialmente as obras com investimento privado de R$ 257 milhões, evitando a perda da concessão.

Em 2022, a empresa devolveu ao governo federal o trecho entre Salgueiro e Suape, alegando inviabilidade econômica, reduzindo sua responsabilidade para 1.206 quilômetros.

O trecho pernambucano permaneceu paralisado por anos, com estruturas expostas e deterioração progressiva.

Aportes de R$ 3,6 bilhões e R$ 1,4 bilhão destravam a obra e reativam canteiros no Nordeste

A retomada efetiva ocorreu com a inclusão do projeto no Novo PAC. Em 2024, o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste liberou R$ 3,6 bilhões para a primeira fase da obra. Em 2025, o governo federal anunciou mais R$ 1,4 bilhão em investimentos.

Com esses aportes, o volume total comprometido chegou a cerca de R$ 8 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões de recursos públicos diretos. A Infra S.A. assumiu a responsabilidade pelo trecho Salgueiro–Suape e iniciou o processo de licitação.

Parada por 40 anos, ferrovia de 1.757 quilômetros recebe R$ 5 bilhões em dois aportes seguidos, reabre canteiros no sertão, inicia operação parcial no Piauí e promete reduzir em até 60% o frete de soja e minério, e conectar o interior mais pobre do Brasil ao mercado internacional pela primeira vez com infraestrutura competitiva
Transnordestina recebe R$ 5 bilhões, retoma obras após décadas e já opera parcialmente com potencial de reduzir até 60% o frete no Nordeste.

Em março de 2026, foi contratada a construtora responsável pelo lote entre Custódia e Arcoverde, com investimento de R$ 312,8 milhões. No Ceará e no Piauí, a TLSA avançou em 19 lotes de construção, incluindo o trecho próximo ao Porto de Pecém.

Transporte ferroviário pode reduzir custo logístico em até 60% para grãos e minério no Nordeste

O transporte ferroviário apresenta custo significativamente inferior ao rodoviário em longas distâncias. Estimativas do setor indicam que o frete pode ser reduzido entre 40% e 60%, dependendo da carga e da distância percorrida.

Esse impacto é especialmente relevante para produtos como soja, milho, gesso e minério de ferro, que dependem de transporte em larga escala.

A Transnordestina atravessa 81 municípios nos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco, muitos deles sem acesso a infraestrutura logística moderna.

A ferrovia pode beneficiar diretamente setores como agronegócio, mineração e indústria, conectando essas regiões aos portos de exportação. Produtos como soja do cerrado piauiense, gesso de Araripina e milho para avicultura passam a ter acesso a um modal mais eficiente.

Estrutura da ferrovia envolve milhões de toneladas de materiais e centenas de obras de engenharia

A Transnordestina é a maior obra linear em execução no Brasil. O projeto inclui cerca de 186 milhões de metros cúbicos de terraplanagem, 143 pontes e viadutos, 2,2 milhões de dormentes, mais de 200 mil toneladas de trilhos e milhões de metros cúbicos de brita.

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Essa escala coloca a ferrovia entre os maiores projetos de infraestrutura da América Latina.

A previsão atual indica conclusão do trecho principal até 2027 e finalização do ramal pernambucano até 2029. No entanto, o histórico de atrasos sucessivos levanta dúvidas sobre o cumprimento dos prazos.

Desde 2006, múltiplas datas de entrega foram anunciadas e não cumpridas, incluindo 2010, 2013, 2016, 2022 e 2025.

Primeira operação real da ferrovia marca mudança concreta após décadas de promessas

A circulação do trem de milho em dezembro de 2025 representa a primeira evidência prática de funcionamento da ferrovia.

Diferente de anúncios anteriores, a operação demonstra que parte da infraestrutura já está ativa e integrada ao sistema produtivo.

Após mais de 180 anos desde a concepção inicial e quase duas décadas de obras, a ferrovia começa a apresentar resultados concretos.

Na sua visão, o projeto está em fase definitiva de execução ou ainda enfrenta riscos estruturais que podem comprometer sua conclusão?

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Risomar Reinaldo
Risomar Reinaldo
28/04/2026 01:36

É mais uma promessa que nunca será cumprida por este governo ****. Com aporte gasto até agora, dava construir 3 ferroviárias desse porte. Será como a refinaria Abreu e Lima no nordeste e complexo petroquímico do Rio de janeiro. Gastou se três vezes o orçamento previsto e nenhuma das obras concluídas. E nem produzindo na sua capacidade prevista. É esse o Brasil em que vivemos. Corrupção a perder de vista.

Lito
Lito
Em resposta a  Risomar Reinaldo
28/04/2026 10:04

E porquê o capiroto do Bolsonaro não fez também?

Luciano Marts
Luciano Marts
Em resposta a  Risomar Reinaldo
28/04/2026 10:07

Falando em refinaria o Lula comprou de volta a refinaria que o Bolsonaro deu de graça pros árabes a troco de ganhar meia dúzia de joias.

Pedro Carlos Azzallini Quintana
Pedro Carlos Azzallini Quintana
26/04/2026 10:49

Mais uma “obra” eleitoreira, quantos bilhões já foram gastos, e onde está essa grana toda?, pra essa ferrovia ir do nada pra lugar nenhum!!

Carlos
Carlos
Em resposta a  Pedro Carlos Azzallini Quintana
27/04/2026 13:22

Obra eleitoreira!!!
Como assim?
Essa é uma importante obra de infraestrutura, o Brasil, pela sua dimensão territorial já deveria ter ferrovias cruzando todo o país, de norte a sul e leste a oeste.
Só estamos uns 100 anos atrasados.

Jose Wellington dos Santos
Jose Wellington dos Santos
Em resposta a  Pedro Carlos Azzallini Quintana
28/04/2026 15:45

Ela sai de eliseu Martins, atendendo o polo de graos daquela regiao, atendendo ao polo gesseiro do araripe, ligando esses polo produtores ao porto de pecem/CE. Pelo visto vc é uma pessoa que nao conhece oNE, quiçá o Brasil. Que ignorância!!! So que lacrar com esses comentário!

Laerte Pinto
Laerte Pinto
26/04/2026 10:40

O Brasil tem que investir no modal ferroviário e hidroviario, são muito mais baratos, poluem menos, são mais seguros. Mas infelizmente a iniciativa privada não tem competência para fazer.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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