Movimento econômico ganha força com exportações recordes e plano para dobrar o PIB. Avanço das exportações industriais, estratégia para dobrar o PIB e aposta em energia barata reposicionam Paraguai no mapa econômico regional.
O Paraguai colocou em circulação, nos últimos meses, uma narrativa oficial de aceleração econômica ancorada em dois marcos: o recorde de US$ 1,309 bilhão em exportações do regime de maquila em 2025 e o lançamento do plano Paraguay 2X, que mira dobrar o PIB em uma década.
Esse avanço, porém, não se refere ao total exportado pelo país, e sim a um recorte específico: as vendas externas de indústrias instaladas sob o regime de maquila, modelo voltado a exportações com regras próprias e gestão acompanhada por órgãos ligados ao Ministério da Indústria e Comércio.
Na prática, o governo tenta transformar esse desempenho setorial em vitrine para atrair investimento direto, ampliar a base produtiva e reduzir gargalos logísticos, apoiando-se no custo da energia e na localização entre os grandes mercados do Cone Sul.
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Ao mesmo tempo, a ambição do Paraguay 2X vem sendo apresentada a diferentes interlocutores internacionais, como empresas e representantes comerciais, com promessas de diversificação industrial e de fortalecimento de cadeias exportadoras além do perfil tradicional da economia paraguaia.
Exportações do regime de maquila batem recorde

O dado de US$ 1,309 bilhão aparece em informes oficiais sobre o fechamento de 2025, quando as exportações do regime de maquila chegaram a esse acumulado e estabeleceram um recorde histórico para o programa.
Também segundo publicações que repercutiram os números do setor, o resultado é atribuído a um conjunto de fatores, como novas encomendas externas, expansão de plantas já instaladas e entrada de projetos com foco em produção industrial voltada ao mercado regional.
Dentro desse universo, as exportações não se distribuem de forma homogênea, e a composição ajuda a entender por que o governo insiste no discurso de industrialização, mesmo quando a economia paraguaia ainda é fortemente marcada por atividades primárias.
Informações divulgadas por veículos paraguaios e citando dados do setor apontam que autopartes lideram a pauta da maquila, com cerca de 34%, seguidas por confeções na casa de 17%, além de alumínio e alimentos com fatias relevantes.
Essa concentração em manufatura, ainda que restrita ao regime, tem efeito prático na imagem do país perante investidores, porque sinaliza capacidade de atender prazos, requisitos industriais e padrões de clientes estrangeiros, especialmente em cadeias automotivas e têxteis.
Paraguay 2X e a meta de dobrar o PIB em dez anos
O plano Paraguay 2X vem sendo descrito como uma política de Estado para acelerar o crescimento, com foco em exportações e transformação produtiva, buscando elevar o ritmo anual e criar condições para um salto de escala na economia.
Em apresentações feitas pela rede de investimentos e exportações do Paraguai, o governo tem insistido na ideia de atrair capital para segmentos industriais e florestais, aproximando o país de cadeias globais de valor e de compradores de maior complexidade.

Além da meta de dobrar o PIB, o discurso oficial associa o programa a uma agenda de reformas e de simplificação de processos, com tentativa de reduzir custos de operação e dar previsibilidade regulatória, fatores frequentemente citados por empresas ao escolher onde produzir.
Ainda assim, os documentos públicos vistos até aqui, em sua maior parte, descrevem objetivos e eixos de ação, mas não detalham, no mesmo nível de clareza, quais mecanismos, prazos e métricas serão usados para aferir o cumprimento integral das promessas ao longo da década.
Energia, logística e estratégia industrial
Um dos pilares repetidos em comunicações do governo é o aproveitamento de energia disponível no país para tornar a produção industrial mais competitiva, argumento que tende a ganhar força em setores intensivos em eletricidade e em mercados sensíveis a custos.
No campo logístico, o Paraguai insiste em vantagens ligadas ao escoamento por rotas fluviais e ao acesso aos mercados vizinhos, embora a competitividade real dependa, na prática, da eficiência portuária, de capacidade de armazenagem e de integração com rodovias e fronteiras.
Para sustentar a narrativa de diversificação, autoridades também citam a integração de setores como alimentos e metalmecânica, além de iniciativas voltadas a tecnologia, mas o avanço concreto dessas frentes costuma ocorrer em ritmos diferentes conforme investimentos, mão de obra e demanda externa.
Investimentos e peso estratégico da maquila
A maquila, por si só, virou uma espécie de termômetro do projeto, porque concentra parte do esforço de atração de indústrias exportadoras, e o governo apresenta o regime como instrumento para ampliar emprego formal e capilarizar cadeias produtivas.
Reportagens paraguaias que acompanharam o fechamento de 2025 relatam expectativa de continuidade do crescimento, sustentada por ajustes legais e por novos projetos, indicando que o setor tenta converter o recorde em tendência, e não em resultado pontual.
O plano também aparece conectado a anúncios de investimentos no setor de proteínas e em outras frentes industriais, citados como parte dos eixos de atração de capital e incremento de exportações em áreas específicas.
Para o público brasileiro, o movimento costuma chamar atenção porque parte das empresas que operam no Paraguai tem relação com o mercado do Brasil, seja por cadeias regionais de produção, seja por decisões de localização que consideram impostos, custos e proximidade geográfica.
Ao observar os números divulgados, o retrato mais preciso é o de um país tentando escalar um polo industrial dentro de um regime específico, enquanto vende a estratégia como caminho para uma transformação mais ampla, ainda em fase de consolidação.

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