Os outros 72% do fundo dos oceanos são só estimativas de satélite. O projeto Seabed 2030 subiu de 5% em 2017 para os 28% de hoje, com meta de 100% até 2030. Para o Brasil, o tema é chave para ampliar a Amazônia Azul, de 3,6 para 5,7 milhões de km².
Apenas 28% do fundo dos oceanos foi mapeado com precisão acústica, menos do que já se conhece da superfície de Marte e da Lua, e cientistas apontam o tema como estratégico para o Brasil, com a meta global de mapear tudo até 2030. Segundo a análise divulgada em junho pelo portal R7, os outros 72% são estimativas baseadas em dados de satélite, insuficientes para entender o que acontece no fundo do mar. É um problema que parece distante, mas não é.
De acordo com o material, mesmo séculos depois das grandes navegações, o fundo dos oceanos ainda guarda mais mistérios do que a superfície de outros planetas. Existem mapas de Marte e da Lua com resolução de poucos metros, enquanto a maior parte do leito marinho segue sem medição precisa. Conhecer esse fundo, segundo os pesquisadores, é decisivo para a navegação, a soberania, o clima, a biodiversidade e os recursos naturais.
Por que só 28% dos oceanos foram mapeados com precisão

A diferença em relação a outros planetas chama atenção. Segundo a análise, há mapas de Marte e da Lua com resolução de poucos metros, mas apenas 28% dos oceanos têm a profundidade medida com precisão acústica, enquanto os outros 72% são estimativas de satélite, insuficientes para saber o que de fato ocorre no fundo. É uma lacuna enorme em uma parte central do planeta.
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O avanço recente tem nome e prazo. De acordo com o material, quando o projeto Seabed 2030 foi lançado em 2017, por iniciativa da Fundação Nippon em parceria com o GEBCO e a UNESCO, apenas 5% do fundo oceânico estava mapeado com precisão acústica. Hoje, esse número chegou a 28%, e a meta é alcançar 100% até o fim desta década.
Do fio de prumo ao sonar e à inteligência artificial
A história do mapeamento é uma longa jornada técnica. As primeiras medições eram um peso preso a uma corda jogado ao mar, lentas e imprecisas. Em 1855, Matthew Fontaine Maury publicou um dos primeiros mapas do Atlântico, e a Expedição Challenger, de 1872 a 1876, percorreu 70 mil milhas náuticas, cerca de 130 mil quilômetros, com mais de 500 medições, marcando o nascimento da oceanografia moderna.
Na década de 1970, Marie Tharp, Bruce Heezen e Maurice Ewing, da Universidade de Columbia, fizeram o primeiro mapa detalhado da fisiografia dos oceanos, e o trabalho de Tharp, que enfrentou décadas de resistência por ser mulher em um campo dominado por homens, foi peça central da Teoria da Tectônica de Placas.
Hoje, mapear deixou de ser só medir profundidade. De acordo com o material, os ecobatímetros multifeixe modernos captam também o backscatter, a intensidade do sinal acústico refletido, que mostra se o fundo é rocha, lama, areia, algas ou recife.
Combinada com o relevo, essa informação cria mapas da geodiversidade marinha, que tem relação forte com a biodiversidade, já que fundos mais variados costumam abrigar mais espécies. Algoritmos de inteligência artificial são treinados para classificar tipos de fundo e ajudam a prever espécies, áreas de pesca e recursos minerais.
Por que mapear os oceanos é uma questão estratégica

O conhecimento do fundo do mar toca temas do dia a dia. Segundo a análise, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, saber o que há no fundo dos oceanos é fundamental para a segurança da navegação, a soberania, os modelos de clima e de risco geológico, a biodiversidade e os recursos pesqueiros, minerais e energéticos. Portos, cabos submarinos de internet, rotas comerciais e plataformas de petróleo dependem de cartas náuticas precisas, e os sedimentos marinhos ajudam a regular o clima ao acumular carbono por milênios.
O mapeamento também protege contra desastres. De acordo com o material, conhecer o relevo submarino em detalhe é essencial para antecipar riscos, modelar a propagação de tsunamis e orientar a instalação de cabos e estruturas offshore. Corais de água profunda, fontes hidrotermais e montes submarinos abrigam ecossistemas únicos, muitos ainda desconhecidos, e, no Dia Mundial do Oceano, a ONU alertou para a urgência de uma exploração sustentável dos mares.
O Brasil, a Amazônia Azul e a janela de 2026 e 2027
O país tem capacidade científica, mas esbarra na falta de recursos. Os últimos quinze anos pesquisadores brasileiros, quase sempre com recursos escassos, descreveram recifes submersos na Plataforma de Abrolhos, rios afogados no Espírito Santo e estruturas recifais na Foz do Amazonas, o que mostra que há muito a descobrir. O Brasil está em processo de requerer à ONU a ampliação da sua Zona Econômica Exclusiva, a Amazônia Azul, de 3,6 milhões para 5,7 milhões de km², sendo que 80% dessa área tem mais de 200 metros de profundidade, o que exige conhecer o fundo.
Os próximos anos abrem uma oportunidade rara. De acordo com o material, 2026 e 2027 representam uma janela histórica, porque o Instituto Schmidt Ocean trouxe o navio Falkor para o Atlântico Sul Ocidental, onde fará expedições com pesquisadores brasileiros e internacionais, sem custo direto, com um veículo autônomo que mapeia até 6 mil metros e outro, operado remotamente, que mergulha até 4.500 metros. Ainda assim, segundo os pesquisadores, aproveitar essa chance exige que o Estado trate os oceanos como prioridade estratégica, até porque parte dos dados já coletados, sobretudo por empresas, segue confidencial. A economia do mar gera cerca de 6,4% do PIB e 4,5% do emprego no país, números que variam conforme a metodologia, com apostas de até 19%.
Apenas 28% do fundo dos oceanos foi mapeado com precisão acústica, menos do que se conhece de Marte e da Lua, e o projeto Seabed 2030 busca chegar a 100% até o fim da década. A lacuna importa para a navegação, o clima, a biodiversidade e os recursos, e, para o Brasil, está ligada à soberania sobre a Amazônia Azul, cuja ampliação de 3,6 para 5,7 milhões de km² é um pedido em andamento na ONU, em um setor que responde por cerca de 6,4% do PIB. As expedições do navio Falkor em 2026 e 2027 surgem como uma chance rara, mas, segundo os pesquisadores, aproveitar essa janela depende de o país tratar o oceano como prioridade.
E você, acha que o Brasil deveria investir mais no mapeamento dos oceanos e tratar o tema como prioridade estratégica, ou há demandas mais urgentes? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o futuro da Amazônia Azul, com respeito às diferentes visões.

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