Na Araucanía, no sul do Chile, José Tomás Acevedo transforma o coligüe em bicicleta há dez anos. Segundo ele, o bambu nativo cresce até cinco vezes mais rápido que o pinheiro e rende mais material por hectare. Ainda assim, o próprio artesão admite que o projeto segue em escala pequena.
O que muita gente trata como erva daninha virou bicicleta nas mãos de um chileno, já que José Tomás transforma o coligüe, um bambu nativo do sul do Chile, em bikes, bengalas e talheres. De acordo com o seu relato divulgado em junho na reportagem do DW, o que outros enxergam como lixo ou mato ele vê como um tesouro de possibilidades quase ilimitadas, inspirado em países asiáticos onde inúmeros produtos saem do bambu.
José Tomás Acevedo vive na região da Araucanía, onde o coligüe cresce em abundância, e há dez anos faz da bicicleta o seu produto mais valioso. Segundo ele, o bambu é uma das plantas de crescimento mais rápido do planeta e atinge a resistência estrutural máxima por volta dos quatro ou cinco anos de idade. O objetivo do artesão é dar valor ao coligüe e ajudar a reduzir as monoculturas de pinheiro.
Do bambu nativo à bicicleta artesanal

A produção começa em uma floresta perto de casa. Segundo José Tomás, ele se desloca poucos minutos até a mata mais próxima para coletar o coligüe e, em um coligal, encontra hastes de idades diferentes, já que o bambu chega à resistência máxima aos quatro ou cinco anos. Com a fibra, ele monta a bicicleta, considerada o seu produto mais valioso, e também fabrica bengalas e talheres.
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A experiência vem de uma década de trabalho. De acordo com o seu relato, ele constrói bikes de coligüe há dez anos, inspirado em países asiáticos onde muitos itens são feitos de bambu. O objetivo, explica, é mobilizar não só quem anda de bicicleta, mas também uma cultura que valorize o coligüe, para que as pessoas enxerguem, por meio da bicicleta, a resiliência e o valor da planta.

A crítica às monoculturas de pinheiro

O sonho do artesão vai além da bicicleta. José Tomás, deseja que o coligüe ganhe prestígio e contribua para reduzir as monoculturas de pinheiro. De acordo com o seu argumento, a espécie exótica usada nas últimas décadas em um modelo florestal gera problemas como a substituição de florestas nativas, a degradação do solo, a liberação de carbono ligada ao desmatamento e a queda na capacidade do solo de armazenar água.
A questão dos incêndios também aparece no relato. Ainda segundo o artesão, os pinheiros e os eucaliptos são muito mais inflamáveis do que as árvores nativas, o que acelera a propagação do fogo. Ele afirma que o coligüe cresce até cinco vezes mais rápido que o pinheiro radiata, é várias vezes mais resistente e rende muito mais material por hectare, o que, na sua visão, o torna uma alternativa mais eficiente e sustentável, ainda que essas comparações partam do próprio José Tomás.
A estrutura de coligüe planejada em Villarrica
Um prêmio abriu espaço para um projeto maior. Segundo José Tomás, graças a um prêmio que conquistou, ele vai construir uma estrutura de coligüe na costanera de Villarrica, cidade bastante turística no Chile. De acordo com o seu relato, a ideia é desenvolver um ofício e uma cultura em torno do coligüe e mudar a baixa valorização social da planta, na esperança de que a obra seja um primeiro passo para que esse trabalho se multiplique no país.
As redes sociais fazem parte da estratégia. De acordo com o artesão, ele usa vídeos informativos para chamar atenção ao tema e busca dar a conhecer o coligüe para que ele seja valorizado, cuidado e aproveitado conforme os seus ciclos e necessidades. Mesmo sem citar números de vendas, ele trata a divulgação como parte central do projeto, ao lado da bicicleta de bambu e do artesanato.
Um projeto que ainda busca escala
O próprio criador reconhece os limites da iniciativa. Segundo José Tomás, ele não quer trabalhar sozinho e deseja somar artesãos, arquitetos e designers ao seu projeto em torno da bicicleta de bambu. O ponto mais importante, porém, é que ele mesmo admite que as bicicletas, a arquitetura e o artesanato ainda não alcançaram a escala necessária para mudar a indústria florestal do Chile, embora diga não estar tão distante disso.
A aposta é em uma mudança gradual de cultura. De acordo com o seu relato, ele vê um caminho que aos poucos entra na cultura das pessoas, já desenhou e desenvolveu o artesanato e espera que muitos artesãos copiem e reproduzam as suas ideias. A meta, afirma, é formar uma comunidade que, seguindo o exemplo da Ásia e de outros países da América Latina, dê ao coligüe o valor que ele merece como material sustentável e nativo.
Na Araucanía, José Tomás Acevedo transforma o coligüe, um bambu nativo que muita gente trata como erva daninha, em bicicleta, bengalas e talheres, depois de dez anos de trabalho. Ele defende que o coligüe cresce até cinco vezes mais rápido que o pinheiro e seria uma alternativa mais sustentável às monoculturas, e vai erguer uma estrutura de coligüe em Villarrica graças a um prêmio. Ainda assim, o próprio artesão admite que o projeto segue artesanal e não chegou à escala capaz de mudar a indústria florestal do Chile, o que ele encara como uma transformação cultural feita aos poucos.
E você, andaria de bicicleta de bambu e acredita que materiais nativos como o coligüe podem substituir as monoculturas de pinheiro, ou ainda parece distante da realidade? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o tema, com respeito às diferentes visões.


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