Conselhos dos programas Desenvolve e ProBahia aprovaram 36 projetos na reta final de 2025, com foco em indústria, energia, logística e alimentos em várias regiões do estado.
A Bahia fechou a última rodada de deliberações de 2025 com um pacote robusto de investimentos que, no papel, mira dois objetivos ao mesmo tempo: acelerar o crescimento econômico e criar empregos formais em diferentes regiões do estado.
Na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, os Conselhos Deliberativos dos programas Desenvolve e ProBahia aprovaram 36 projetos que somam mais de R$ 6,45 bilhões e preveem a geração de mais de 2,8 mil empregos diretos.
A composição dos projetos indica uma estratégia de concentrar grandes aportes em cadeias produtivas com forte efeito multiplicador, enquanto espalha iniciativas menores por municípios do interior, num esforço de interiorização do desenvolvimento.
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Já a cobrança por transparência também cresce, porque programas de incentivo costumam gerar debate sobre o custo fiscal e a necessidade de comprovar que os empregos e as contrapartidas realmente se materializam dentro do prazo.
O que foi aprovado na última reunião de 2025 dos programas Desenvolve e ProBahia
Segundo a divulgação do encontro, os projetos aprovados atendem setores considerados estratégicos, incluindo indústria, energia, logística e alimentos, com impacto previsto em dezenas de cadeias de fornecedores e prestadores de serviço.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, afirmou que o resultado reflete a efetividade da política de incentivos e destacou a atração de investimentos e a geração de oportunidades como papel central dos conselhos.
A lista de cidades mencionadas na divulgação inclui municípios como Salvador, Feira de Santana, Camaçari, Simões Filho, Dias d’Ávila, Maragogipe, Eunápolis, Ilhéus, Barreiras, Vitória da Conquista e outros, reforçando o discurso de distribuição regional dos projetos.
Como os R$ 6,2 bilhões do Desenvolve se concentram em indústria e logística
No Programa Desenvolve, foram aprovados projetos que somam R$ 6,2 bilhões em investimentos, com previsão de 1.886 empregos diretos, o que concentra a maior parte do volume financeiro do pacote anunciado.
Dentro desse bloco, o estado destacou iniciativas de grande porte ligadas à reativação e modernização industrial, com potencial de movimentar obras, compras locais e contratação de serviços especializados ao longo da implantação.
Indústria naval em Maragogipe vira vitrine para empregos e cadeia de fornecedores
Entre os principais destaques do Desenvolve está o projeto do Consórcio Enseada – Tenenge, com R$ 961,3 milhões voltados ao fortalecimento do estaleiro em Maragogipe, no Recôncavo Baiano.
A previsão divulgada aponta 1.225 empregos diretos ligados à iniciativa, associada à construção de embarcações de “última geração” para atender contratos da Petrobras, o que recoloca a indústria naval como eixo relevante na pauta de desenvolvimento do estado.
O tema ganha peso adicional porque, em outubro de 2025, o Ministério de Minas e Energia registrou anúncio de R$ 2,97 bilhões da Petrobras para a construção de seis embarcações no Estaleiro Enseada, citando também milhares de empregos diretos e indiretos no entorno.
Na prática, a reativação de um estaleiro costuma puxar uma cadeia longa de fornecedores, desde metalmecânica e serviços de engenharia até transporte, alimentação e qualificação profissional, o que pode ampliar o impacto além das vagas diretas.
Ainda assim, é justamente aí que mora a pressão por evidências: projetos desse tipo costumam ter cronogramas complexos, e a sociedade tende a cobrar publicamente quando as contratações ou as entregas não acompanham o ritmo do anúncio.
Celulose e alimentos entram no radar com aportes em Eunápolis Salvador e Ilhéus
Outro projeto apontado como relevante é o da Veracel Celulose, com quase R$ 3 bilhões para ampliação e modernização das operações em Eunápolis, fortalecendo a cadeia florestal no extremo sul baiano.
No setor de alimentos, a divulgação também menciona a reativação de um moinho em Salvador (Grande Moinho Cearense, R$ 148 milhões e 83 empregos) e a reativação do moinho de trigo no Porto de Ilhéus (JAV Indústria de Alimentos, R$ 129 milhões), com início previsto para julho de 2026 e capacidade para processar 144 mil toneladas por ano, além de empregos diretos e indiretos estimados.
ProBahia distribui projetos pelo interior e reacende debate sobre incentivos fiscais
No Programa ProBahia, foram aprovados 21 projetos, com mais de R$ 230 milhões em investimentos e previsão de 937 empregos diretos, envolvendo implantação, ampliação e modernização de empreendimentos.
A leitura do pacote sugere uma lógica dupla: grandes âncoras industriais puxando volume e visibilidade, enquanto projetos menores ajudam a pulverizar atividade econômica, especialmente em municípios que buscam atração de empresas como forma de aquecer o mercado local.
Esse tipo de política, porém, quase sempre acende discussão sobre custo-benefício, porque incentivo fiscal sem monitoramento de metas pode virar renúncia sem retorno, enquanto incentivo bem desenhado pode destravar investimento e renda em regiões menos dinâmicas.
Se você acompanha esse tema, deixe um comentário: incentivos fiscais como esses entregam emprego de verdade ou viram manchete que some com o tempo? Na sua cidade, os investimentos anunciados costumam virar obras e contratações, ou ficam na promessa? O que deveria ser exigido como contrapartida para evitar desperdício de recursos públicos?
