O maior jogador de basquete da história do Brasil, Oscar Schmidt, morreu nesta sexta-feira (17), em São Paulo, aos 68 anos. A causa da morte não foi divulgada até o momento. Conhecido como “Mão Santa”, Oscar construiu uma carreira lendária que incluiu cinco Olimpíadas, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987 e o título de maior pontuador da história do basquete mundial, mas nunca pisou em uma quadra da NBA, a liga mais importante do esporte.
A história de Oscar Schmidt com a NBA é uma das mais emblemáticas do esporte brasileiro. Em 1984, no mesmo draft em que Michael Jordan foi escolhido como a 3ª pick pelo Chicago Bulls, Oscar foi selecionado na posição 131 pelo New Jersey Nets. Ele jogava na época pelo Juvecaserta, da Itália, e tinha condições técnicas de atuar na liga americana. Mas uma regra da FIBA (Federação Internacional de Basquete) da época impedia que jogadores que atuassem na NBA defendessem suas seleções nacionais em competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos.
Para Oscar, a escolha foi clara: ele preferiu representar o Brasil a jogar na NBA. Essa decisão permitiu que ele disputasse cinco edições de Olimpíadas e se tornasse o maior pontuador da história do basquete em competições oficiais, um recorde que permanece imbatível. O Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, foi o auge: Oscar liderou o Brasil à medalha de ouro derrotando os Estados Unidos em sua própria casa.
O reencontro com a NBA 30 anos depois
Cerca de três décadas após o draft, Oscar Schmidt e a NBA finalmente se reencontraram. Em 2017, ele foi convidado para o All-Star Game da liga.
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O brasileiro ficou poucos minutos em quadra, mas converteu os dois únicos arremessos que tentou, arrancando ovação do público americano. “Se tivesse arremessado 20, teria acertado 20”, brincou após o jogo.
Oscar também foi homenageado pelo Hall da Fama do Basquete, reconhecimento que consolidou seu lugar entre os maiores do esporte mundial.
O técnico Steve Kerr, campeão da NBA com o Golden State Warriors, chegou a comparar o estilo de jogo de Oscar com o de Stephen Curry, dizendo que o brasileiro tinha “um pouco da mentalidade do Curry” no arremesso.
A carreira de Oscar nos clubes brasileiros e europeus rendeu números que a NBA nunca viu de perto.
Ele marcou mais de 49 mil pontos em sua trajetória, um volume que reflete não apenas talento, mas uma longevidade competitiva rara no esporte.
Nos clubes, defendeu Palmeiras, Flamengo e o Juvecaserta da Itália, entre outros, sempre como protagonista e referência ofensiva.
O legado de Oscar Schmidt vai além das quadras.
Ele enfrentou publicamente uma longa batalha contra um tumor cerebral diagnosticado em 2011, passou por cirurgias e tratamentos, e se tornou símbolo de resiliência para milhões de brasileiros.
Mesmo com as limitações impostas pela doença, continuou participando de eventos, dando palestras e inspirando novas gerações de atletas.
Sua história é frequentemente citada como exemplo de que escolher a seleção nacional em vez do dinheiro e da fama individual pode construir um legado mais duradouro do que qualquer contrato da NBA.
O maior pontuador da história do basquete mundial escolheu o Brasil em vez da NBA e nunca se arrependeu.
Comenta aí: Oscar Schmidt teria sido uma estrela na NBA se tivesse ido?
